13 dezembro, 2017

Sorriam, é (quase) Natal

 
Sorriam, é (quase) Natal

Há sorrisos para todos os gostos
Há-os irónicos
Há-os trocistas, os sumptuosos
os envergonhados, os dos vaidosos
Há sorrisos alarves e há os tímidos
Há os sorrisos dos vencedores
e os sorrisos humildes dos vencidos
Há os sorrisos de desdém

E cada um mostra o sorriso que tem
O meu?
O meu é convicto, embora triste
E tu? O teu?, porque sorriste?
Rogerito

12 dezembro, 2017

Isaltino Morais, In-Ov? Inova, uma ova!

Não digo que o homem não queira, só que ele só não chega. Diria até que será mau que chegue, pois a democracia não se constrói com homens sós. 
E o que vem isto a propósito? Tão só por isto: um horroroso Relatório de Execução da Gestão do Executivo vencido foi aprovado (ontem) com votos do PSD, IOMAF e pelo IN-OV vencedor. Foi sim senhor. Só três contra e 15 a favor.

E o que foi tal horror? Eu explico (mesmo para aqueles que não percebam nada disto):

10 dezembro, 2017

Poesia (uma por dia) - 93


Confissão de um terrorista!

Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista

Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista

Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista

Assassinaram minhas alegrias,
Sequestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries

Eles... mataram um terrorista!

Mahmoud Darwich (in "Voar Fora da Asa")

09 dezembro, 2017

O Natal, a língua e a gastronomia ou a crónica de uma inocente ofensa

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza
Natal dos Simples - José Afonso

Na proximidade do Natal, calha que fale dele pela parte que dele mais gosto. Podia dizer a boca, mas na verdade o que eu quero dizer é mesa, pois é à volta dela que a família se junta. E os doces são pretexto para adocicar os afetos, para entreter a expetativa das crianças no que lhes tocará no sapatinho ou apenas para matar a fome, nas casas de gente simples. 

Na doçaria tradicional do Natal, as rabanadas tem um lugar especial. São saborosas, gulosas e, como toda a gastronomia que resulta dos parcos recursos, não há mesa onde não apareça. Não há pobre que as não prove. 

No entanto, manda a boa e rica língua portuguesa que tais fatias surjam em cada lugar com nomes diferentes. Dei-me conta disso nas circunstâncias mais desconfortáveis... Eu conto:

Estava no restaurante Casa Aleixo, em Campanhã. Boa comida, um "verde tinto" de estalo, bom atendimento e preço confortável. Terminada a boa janta, a atarefada empregada sobraçava a lista das sobremesas e despejo-a na mesa, com um sorriso, enquanto levantava, lesta, travessas, pratos e copos. Ia a pedir só um café, mas passei os olhos pela oferta. Vinham lá, com fotos e tudo. A imagem, o seu aspeto suculento traiu-me  o intento de só me ficar pelo simbalino. À chegada da empregada, pedi-lhe uma "fatia parida". Ela olhou-me. Corou intensamente, não sei se de raiva se de cólera e disse com voz firme: 

"Não sei o que o senhor quer, mas podia ter mais respeito, passe pelo balcão terá lá a sua conta"

Só então percebi duas coisas: primeira, no norte ou se tratam as rabanadas por rabanadas (ou fatias douradas) ou não há nada para ninguém; segunda, a ofendida estava grávida.