20 junho, 2018

A identidade dos bairros e, ainda, o encerramento da "minha" Caixa


Hoje, de manhã, um vizinho do "bairro velho" lembrava que aquela agência da CGD foi uma resposta tardia às reivindicações da "comissão de moradores do Bairro da Medrosa". A partir daí, e durante a recolha de assinaturas contra o encerramento da Caixa, foi um desfilar de memórias. À memória dele, juntava eu a minha, somando o que foram as exigências para o arranjo dos logradouros, para que fossem de aterros passados a espaços ajardinados. Para que ali passasse a haver uma farmácia, um campo de futebol, uma escola. 

Depois de muita luta, de deslocações ao Fundo de Fomento de Habitação e à Câmara (que considerava o bairro clandestino) e depois dos moradores plantarem, com as sua próprias mãos, algumas árvores, lá cedeu a Câmara em ordenar e empedrar passeios, a ajardinar espaços e a colocar aparelhos para recreio da pequenada. 

Depois veio a escola, primeiro em barracões e depois no que é hoje a EB Beça Múrias (patrono que fora morador, e insigne jornalista). E veio a farmácia, primeiro num sítio e hoje noutro. E no que eram os barracões, hoje Centro Paroquial, por lá ensaiava a banda do Nélito (cujos acordes eléctricos, despertavam reclamações dos vizinhos do Bairro Velho) e se meia a tensão aos idosos, com a voluntária prestação de jovens médicos.

Tudo isto veio à conversa, numa jornada de recolha de assinaturas... 
Agora que reporto essa empenhada tarefa de hoje vieram à baila os rostos. A imagem acima (de 1973 ou por aí) é a única que tenho comigo, e está longe de retratar todos aqueles que contribuíram para dar identidade ao nosso bairro.

(memória, saudosa, dos que já partiram)

19 junho, 2018

Contra o encerramento da Agência da Caixa, cá no meu bairro...


O meu bairro, conhecido pelo "bairro novo das caixas", faz parte de um agregado urbanístico que integra "o bairro velho".  Estes bairros são originários do antigo sistema de previdência, um e outro construídos pela "Caixa de Previdência" e pela "Caixa Nacional de Pensões" respectivamente.

Junta-se a esses, um bairro de iniciativa municipal, mais recente. Estes três bairros alojam famílias da classe média baixa e neles residem cerca de 3800 eleitores, na sua grande maioria gente idosa e como já referi aqui, gente de magras reformas ou pensões.

Amanhã, a partir das 10h da manhã, vou estar à porta da CGD a recolher assinaturas, de um abaixo assinado, com o seguinte texto:

A Administração da Caixa Geral de Depósitos tenciona encerrar dezenas de balcões em todo o país. Entre esses balcões está o balcão da Medrosa, cujo encerramento está previsto para o final do mês de Junho.
BASTA! Toda a população local, e em especial os idosos, precisam dos Serviços Públicos! E a Caixa (CGD) é o banco público do Estado!
Não podemos permitir que se continue a financiar a banca privada e os seus desmandos com dinheiros públicos (que são o enriquecimento de alguns, com o fruto do trabalho de todos), e que depois se encerrem os serviços públicos, fundamentais às populações, alegando falta de recursos!
É pois hora de defender as populações e os interesses do Estado e exigir que o Governo através da Administração que nomeou para a CGD mantenha em funcionamento os balcões, fundamentais à população, como é o caso da Agência do Alto da Barra, na Medrosa!
Face ao exposto, os abaixo-assinados:
1. Exigem da Administração da Caixa Geral de Depósitos o recuo na decisão de encerramento da agência; 

2. Exigem da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, da Câmara e da Assembleia Municipal de Oeiras toda a solidariedade e diligências necessárias junto das entidades competentes para garantir a continuidade do funcionamento da agência;
3. Exigem ao Governo que actue junto da Administração da Caixa Geral de Depósitos para garantir a continuidade do funcionamento da agência.

17 junho, 2018

Uns desenham sonhos, outros constroem pesadelos


O rectângulo, a vermelho, assinala a localização da"Caixa", cá perto do meu bairro. O Macedo vai fecha-la e o Governo, que tem confiança no Macedo, deixa. Macedo, presidente da Caixa, redesenhou a nova rede de balcões e agências da "Caixa" segundo os cânones de Bruxelas. São cerca de menos 70, incluindo a "minha", que vai na leva. Bruxelas impõe à "Caixa" critérios de rentabilidade, os mesmos que se aplicam à banca privada.

Bruxelas está-se nas tintas para o que seja serviço público. O Governo, também assim, está-se nas tintas para o que seja lá isso de serviço público.

Macedo, que é um cumpridor zeloso das ordens de Bruxelas e do Governo, desenhou o pesadelo de dezenas de milhar de idosos, detentores de pequenas contas que movimentam magras pensões e reformas ou, quanto muito num caso ou outro, do seu pequeno pé-de-meia, amealhado durante uma vida inteira. Eles, os reformados, pensionistas e idosos, que paguem a gestão danosa!
«Empréstimos de dezenas de milhões de euros, ou por vezes mesmo de centenas de milhões de euros, concedidos com garantias frágeis, investimentos em aquisições de participações sociais e uma elevada exposição, através de crédito, a empresas espanholas que se relevou ruinosa, foram algumas das decisões que estão ainda hoje a pesar nas contas da Caixa. Acresce a este cenário uma investida no mercado brasileiro — um banco e uma corretora —, onde a Caixa acumulou prejuízos nos últimos anos. E uma operação em Espanha que se tornou desastrosa, obrigando inclusive à criação de uma espécie de ‘banco mau’, para separar os créditos tóxicos da atividade bancária e embelezar o banco. Espanha teve prejuízos de €488,4 milhões em 2011, devido a provisões e imparidades no valor de €1,6 mil milhões. Foram anos de euforia.»
Se há tantos a construir pesadelos, temos de continuar pela rua a combate-los e a desenhar sonhos (por gestos), para que se não lhe acabe o sorriso...