31 Julho, 2014

O PCP será poder quando o povo decidir que deve ser!



O PCP entrará num governo quando o povo reconhecer que lhe deve dar esse poder. 
Até lá, resiste e luta. 
E se perguntarem o porquê das dificuldades em que aconteça uma "maioria de esquerda", a resposta só pode ser dada pela dificuldade em encontrar quem aceite negociar uma base mínima e séria de entendimento. Esta:

• Renegociação da dívida nos seus montantes, juros, prazos e condições de pagamento rejeitando a sua parte ilegítima.
• Uma política de defesa e recuperação dos serviços públicos, em particular nas funções sociais do Estado.
• A valorização do trabalho e dos trabalhadores assente na defesa do trabalho com direitos, no pleno emprego e na valorização efectiva dos salários e pensões e o explícito compromisso de reposição dos salários, rendimentos e direitos roubados, incluindo nas prestações sociais.
• Uma política orçamental de combate às injustiças fiscais com a efectiva tributação dos dividendos e lucros do grande capital e de alívio dos trabalhadores e das micro, pequenas e médias empresas.
• A defesa, diversificação e o aumento da produção nacional, a recuperação para o Estado do sector financeiro e de outras empresas e sectores estratégicos.
• A assumpção de uma política soberana e a afirmação do primado dos interesses nacionais.

Esta posição não é divulgada na imprensa. Se não fosse o tempo de antena... 


30 Julho, 2014

"Rosa Sangue" ou até onde pode ir a emoção. A deles e a minha.



Partilho esta sala com toda a gente. Ela, quem chega e quase não dou pela chegada. A televisão está quase sempre ligada. Quando em quando, entre um e outro comentário ou montagem de um post, interrompo, cumprimento, ou dou atenção ao momento e logo me deixo absorver pelas tarefas avinagradas, por este redescobrir, na espuma de todos os dias, algo que o não seja. 

Assim, não fui ter com eles. Eles é que romperam a minha concentração e me sacudiram, num abanão de emoções. Não tenho a certeza se a canção era boa ou não. Não deu para perceber se o poema era belo de morrer, ou se a sua teatralização tinha erros de enquadramento, perspectiva ou iluminação. Não sei tudo isso. Mas ficou-me a emoção da verdade de uma entrega, total, plena. E isso é mais que mero entretenimento. É arte. 
Ganharam os três em cena. Ganhei eu. Valeu a pena.

29 Julho, 2014

Gaza: se há coisas que podemos fazer, façamo-las

UM SONETO POR GAZA

Por cada pequenino assassinado,
Por cada ferida aberta e cada grito
De um povo dia a dia dizimado,
Encurralado, exposto, exangue, aflito,

Por cada obus de fogo ali lançado
Por loucos prepotentes de olho fito
Na criança inocente e sem pecado
Gerada pela carne e não no mito,

Para que o genocida pare enfim
De chacinar sem dó, de destruir
O abrigo improvisado em cada casa,

Um soneto, mais um, vindo de mim
Para quem, dentre vós, possa "sentir"
Cada grito de horror que ecoa em Gaza...
Maria João Brito de Sousa - 28.07.2014

28 Julho, 2014

Diário de um eleito (10)

Nem confirmei se estaria e fui. Julguei dever estar pois tinha defendido que Caxias devia continuar a merecer o que já fora. O Presidente da Junta não teve dificuldade em me dar a tarefa, pois das cinco forças políticas eleitas apenas três se fizeram representar. Indicou-me a bandeira do Município e, ao meu lado, ela ia-me explicando como a içar sem a corda se enrolar. O vento estava fraco e o povo ausente. E enquanto as bandeiras se iam içando ao som de um hino desafinado por pouco mais de uma dezena de vozes eu ia pensando no significado daquilo. Como hastear uma bandeira na ausência de povo? Senti por momentos que fazia parte de uma encenação sem sentido...  Dias depois, ontem, no Convento da Cartuxa, noutra cerimónia assinalando a mesma data, os jograis deram a resposta ao sem sentido de tudo aquilo. Inadvertidamente (?) recitavam Sophia
Camões e a tença
Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invoscaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.

Este país te mata lentamente.

 Sophia de Mello Breyner Andresen