23 Novembro, 2014

Geração sentada, conversando na esplanada - 76 (no limiar do Estado de Corrupção Geral)

(ler conversa anterior)
«Veio enfim um tempo em que tudo o que os homens tinham olhado como inalienável se tornou objecto de troca, de tráfico, e podia alienar-se. É o tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas nunca trocadas; dadas, mas nunca vendidas; adquiridas, mas nunca compradas - virtude, amor, opinião, ciência, consciência, etc. - em que tudo enfim passou para o comércio. É o tempo da corrupção geral, da venalidade universal"»
Karl Marx, in "Miséria da Filosofia", 1847

«João Cravinho não esconde a sua desilusão. Autor de um pacote legislativo que deixou no Parlamento antes de ir para Londres para a direcção do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, viu as suas propostas serem rejeitadas pela sua própria bancada, a do PS.»
Rogério Pereira, In "Reconstituíndo um post roubado...", 2011

«Recusamos comentários com componente de julgamento»
Jerónimo de Sousa, ontem in "Notícias ao Minuto"
 


Estávamos, eu, o velho engenheiro e o seu cão rafeiro, abrigados no alpendre. Chovia copiosamente. As nuvens negras eram dissuasoras de promessas de sol e já tínhamos desistido de nos sentar a conversar. Falávamos ali, de pé sem desgrudar, como quem cumpre o ritual de rever as notícias da semana. Quando lhe disse o que pensava escrever, ele fez um silêncio prolongado, para depois comentar: "Citar Marx, Cravinho e Jerónimo?, faz sentido. Está tudo ligado". Depois, referindo-se ao post de ontem "Sabe?, uma televisão assim, ajuda muito. Ao seu post sem nome bem podia dar o título No limiar da Corrupção Geral. É com a destruição dos valores da educação, que a corrupção grassa e se instala"...

22 Novembro, 2014

Não consigo encontrar um título para isto...

Cada dia que passa é um dia a mais que tarda
E se tardar muito, tudo estará irremediavelmente perdido
Ah, e não falo da espuma dos dias...

21 Novembro, 2014

E alguém chegou e veio dizer "Eu não quero o PS que o Assis quer", mas acho que é mesmo esse que vai ter que levar em cima... a menos que o povo rompa com tão má sina!


Nesta semana, que amanhã finda, mantém-se a sina não lida e traçada na palma da mão, como reza o fado. Em 66 notícias, não consta que António Costa tenha desmentido Assis, nem retirado campo para o que Assis diz.
Miguel Macedo, terá sido referido por um churrilho de elogios a um gesto que se quer fazer passar digno.
Pedro, Aníbal e Paulo fizeram aparições em todos os momentos e ocasiões. A receita seguida pelas TVs, é simples: caras mil vezes repetidas passam a ser caras queridas. E teremos que levar com elas em cima.
A menos que o povo rompa com tão má sina...

20 Novembro, 2014

Pois, esse PS também eu queria. Ou um Podemos.


Eu sei que muito boa gente, e alguma da que me lê, gostaria que entre a "família" (tida) de esquerda houvesse diálogo ameno e pontos de entendimento e que a unidade fosse uma realidade que pautasse orientações por outros caminhos.
Pois, só que há reflexões que ficam por fazer e querer não é poder. Brincando com as palavras, diria, que o que dava jeito era mesmo um Podemos... mas que Podemos? O do Boaventura Sousa Santos, da leitura que ele faz ignorando o seu programa? É que lendo o Programa Económico do Podemos, podemos encontrar convergências para um entendimento patriótico e... de esquerda. 
Acho que Assis, mais ainda que o Santos, percebe o perigo disso, quando hoje desanca um jovem quadro do PS. É que ele, sem citar o Podemos, ficou arrepiado com o que disse o jovem quadro:
«...a ‘proximidade ideológica’ que Assis vê entre PS e PSD é para mim um mistério. Eu quero um PS concentrado na recusa do tratado orçamental, numa reforma fiscal que pese mais no capital do que no trabalho, numa revisão profunda do Código do Trabalho, na recuperação da iniciativa estatal, na regulação económica sobre sectores-chave, na renegociação da dívida impagável. E isto não é retórica, é mesmo para ser feito. O país está cansado dos discursos vazios, cheios de esquerda na lapela e que depois se limitam a governar para a gestão da situação...»
Pois, esse PS também eu queria. Ou um Podemos.