26 janeiro, 2010

Mário Soares elegeu o meu blog como fonte privilegiada dos seus textos no DN


Análises que o inspiraram

Hoje no DN, na sua coluna “O tempo e a memória”, Mário Soares reafirma (quase) tudo do que recentemente tenho vindo a escrever neste blog. Não me aborrece tal facto. A única coisa que (moderadamente) me irrita é que não me comente ou me cite como fonte. Ele chega, acede ao blog, tira a ideia e vai despejá-la no DN como se fosse (inteiramente) sua. Pior ainda. Ele anda a escutar-me. Escuta pelo menos as minhas conversas com a a Maria José Morgado e com o Bruce Springsteen. Não acreditam? Ora Vejam:
  • Escreve ele, referindo-se a Obama: “Depois, reagiu - e de que maneira! - aos grandes interesses que os bancos voltaram a receber, no último trimestre de 2009, utilizando fundos especulativos e paraísos fiscais, que foram os causadores da actual crise global.” Bom, com esta análise, não só me rouba a ideia (ver post de 02 Janeiro, “As perguntas que o Expresso não fez – III”, na área da justiça) como omite o facto de Obama estar a seguir as sugestões da Maria José Morgado.
  • Escreve ele, a propósito do FMI e das agências de rating que aconselham “o Governo de Sócrates a reduzir o deficit, a aumentar o IVA, a reduzir os salários e a fazer novas privatizações. Não tem autoridade para o fazer, uma vez que não previu a crise global, mesmo quando ela estava bem à vista,”. Digam lá se isto não é inspirado pelo meu post “Morte lenta ou eutanásia?” de 19 Janeiro, 2010?
  • Escreve ele, continuando a questionar aqueles conselhos: “Os que recomendam a redução dos salários, esquecem, curiosamente, os lucros milionários que os bancos voltaram a ter e os vencimentos extraordinários dos respectivos gestores. Isso, para eles, não tem qualquer importância. Nem tão-pouco a impunidade dos responsáveis da crise, que atirou para o desemprego milhões de seres humanos, em todos os continentes, e continuam a viver como nababos à custa da miséria alheia. Sem que ninguém lhes toque.”. Então, isto não é, por outras palavras, o que eu escrevi ontem? E em vez de escrever, como ele escreve “Em Portugal parece tudo parado aguardando o orçamento” não deveria ter escrito “Até o Rogério está parado à espera da divulgação do orçamento para perceber qual o país que não vai ter o orçamento que precisa”?

As escutas que anda a fazer às minhas conversas com o Bruce…

Não tenho dúvidas, ele escuta-me. Não tem mal, está na moda. É pena que me responda desta forma tão indirecta às dúvidas que coloquei ao Bruce sobre o real desempenho que os EUA têm tido na ajuda a outros povos…