04 fevereiro, 2010

As minhas sondagens "marketesticas" (era mais fácil dizer marxistas, só que não são)

As emoções expressas pelas classes sociais perante a composição do Conselho de Estado e pelo apelo ao entendimento e cooperação, feito por Cavaco Silva (segundo a minha sondagem de hoje)

O Público on-line já começou a ouvir reacções e edita a seguinte notícia: “Vários politólogos são unânimes em considerar que a convocação do Conselho de Estado por parte do Presidente da República e o apelo feito ao entendimento entre os partidos representam "sinais" de que Cavaco Silva quer o entendimento político”.

Para perceber entre quem pretende Cavaco Silva criar entendimento, fiz uma sondagem. Os resultados assentam curiosamente com os comportamentos das classes sociais, tal como a Marketest as dimensiona. Outra curiosidade, as emoções seguem alinhadas com as que foram declaradas, por cada uma das classes, quanto à satisfação pelo orçamento aprovado. Vejam bem:

  • A classe A, cerca de 5,5% de afortunados, está satisfeita com a composição do Conselho de Estado. Até fazem pirraça e deitam a língua de fora ao BE e ao PCP não terem aí “cabidela”. Claro que concordam com o apelo ao entendimento.
  • A classe B, 11,9 % da população que consome bem, partilha da mesma satisfação, embora olhe com alguma suspeita a presença de alguns conselheiros. O que não se explica. Claro que batem palmas ao entendimento.

  • A classe C1, 24,9% de mortais, ainda não percebem para que serve o CE e consultam apressadamente a Constituição e voltam a ler os programas partidários para lembrarem o que dizem sobre o bloco central.

  • As classes C2 e D, que somadas dão 57,7% da malta toda, já perceberam que aqueles gajos lá do conselho não estão em condições de aconselhar coisa nenhuma, nem o Presidente necessita daqueles conselhos. Bastaria que lesse a imprensa para saber o que pensam. Também acham que deveria lá estar gente do “mundo sindical”. Ninguém percebe a ausência do Carvalho da Silva, coitados julgam que fazem parte do Estado. Quanto ao entendimento, não compreendem. Mas eles já não se entenderam sobre quem é que paga a crise? Embora em sintonia, tem emoções distintas: enquanto a C2 se limita a mostrar o desânimo por essa ser a situação a D está visivelmente zangada. Na anterior sondagem diziam que precisavam de outro orçamento. Nesta, que precisavam de outro CE. Não há como contentar esta gente.

Os semanários e o Conselho de Estado

Citei o Público. Poderia citar o DN e outros jornais comentando a reunião do Conselho de Estado. Não posso citar nenhum dos semanários. Até à hora em que escrevo, não dizem peva sobre o que se terá dito em tanta hora de reunião. Estarão a investigar? Andarão às compras? Vamos ver ...

Nota: Este post está quase de acordo com o §2 da minha declaração de princípios: "Trarei para a minha agenda discursos ou posições partidárias sempre que a imprensa semanal deles faça omissão ou distorção". Só não está totalmente porque não previa que viesse a fazr sondagens!