30 março, 2010

PRÓS E CONTRAS : “Quem manda na Escola” – um post em três partes, para ser lido conforme se propõe

Parte I – Leia como se estivesse no recreio
O programa da Dª Fátima, que ontem animou muitos blogues e deu recreio a muitos professores até de madrugada, durou cerca de 100 minutos e teve vários erros de casting, prontamente corrigidos pela notável moderadora. Representantes de alunos e “pessoal menor “, são áreas a requerer melhor atenção em futuros convites de participação no programa.

Parte II – Leia com a mesma descontracção com que leu os meus posts sobre educação
Desde 13 de Março e durante dez dias consecutivos coloquei, neste meu espaço, posts diários sobre Educação. Se depois de ler a última parte deste post achar que deve reler esse meu trabalho, não hesite. Até para confirmar se eu tinha ou não razão para afirmar que um programa como o de ontem até eu fazia com uma perna às costas…

Parte III – Leia como se tivesse uma vontade enorme de mudar estas coisas...
Quando sugeri à equipa do programa que seguisse a minha cábula, era uma sugestão séria. O que aconteceu não foi assim tão mau. Vejamos o confronto entre o meu trabalho e o que se passou, tomando como referencia os meus convidados e os que apareceram ontem:

Belmiro de Azevedo – daria certamente mais força a intervenções que foram um tanto tímidas em colocar a necessidade de: a escola reflectir as especificidades do meio; a adequação da oferta formativa às actividades económicas das regiões; a participação de empresas nos órgãos de gestão. Belmiro teria ainda dito qualquer coisa sobre a regionalização do ensino, aprofundando as suas afirmações à revista Visão. Sobre isto sabemos zero.
António Gamboa (Director do Agrupamento Escolar da Damaia) – daria certamente um reforço àquela directora de Almodôvar que, face ao afastamento dos pais de alunos problema, utilizou a expressiva frase “ida da montanha ao Maomé”. Calaria a Dª Fátima que, muito atarefada no seu papel de coordenadora, cortou aquele oportuno testemunho com um “isso é lá em Almodôvar e, em meio rural, todos se conhecem”. A prática de António Gamboa, de levar os seus professores a conhecerem “in loco” os bairros problemáticos e o que está fazendo para neutralizar a violência na Escola teria sido um excelente testemunho.
Daniel Sampaio (Professor e psiquiatra) – teria, com a sua autoridade, substituído o tempo de antena concedido aos psicólogos de serviço. Não que estes tenham não tenham dito coisas interessantes, mas o Daniel teria reforçado a necessidade de envolvimento das famílias (não só dos pais) e daria outro enquadramento às intervenções dos representantes dos estudantes. Ele, que terá sido dos primeiros a reagir ao “estatuto do aluno”, não apareceu…
Técnica de Educação do Estabelecimento Prisional de Sintra – teria colocado algum equilíbrio na sanha securitária e juridicialista de algumas intervenções, ilustrando com um projecto, o que pode valer a pedagogia como forma dissuasora da violência. Seria interessante o diálogo desta técnica com o director António Gamboa e com Daniel Sampaio.
Representante do Grupo Parlamentar do PCP – que teria aprofundado ali a discussão, que esperamos poder seguir na net (site da AR), do seu projecto de criação dos GPIE - Gabinetes Pedagógicos de Integração Escolar. Ter-se-ia colocado o necessário equilíbrio nas intervenções de Paulo Portas e complementado o que os jovens alunos referiram no âmbito da sua reduzida participação na gestão da Escola. Ter-se-ia falado dos casos da Bélgica, da Espanha, da França e, eventualmente, do papel dos estudantes no sistema de ensino da Finlândia.

Com estes convidados, talvez pudesse dispensar alguns dos meus outros testemunhos de referência tais como o director do Diário de Notícias (reclama que se deve sacralizar a escola), e o Mário Nogueira (reclama que os professores devam ser reconhecidos como autoridade pública, num estatuto semelhante ao das forças de segurança). Contudo, não os dispensei como suporte às minhas propostas de melhoria das capacidades educativas da nossa escola.

Boas práticas referidas no programa: Projecto Fénix, que conta já com alguns blogs entusiastas ( ver aqui e aqui)
Boas práticas não referidas no programa: Ateliers “A maior flor do mundo”
PS - O mail enviado à equipa do Prós e Contras, nem sequer foi aberto...