12 junho, 2010

Quando o puto estava a entrar nos eixos, veio o Cavaco e estragou tudo!

Numa das suas excelentes crónicas (coisa rara) o meu amigo Carlos Barbosa de Oliveira publicou no seu blogue algo que me fez saltar a tampa, dizia ele: "Nem todo o fanático é gregário. Há também o fanático solitário, que prefere ver o jogo em casa, na companhia do filho mais novo...", cuja imagem mostrava.
Como sabem, sou impulsivo. Como ficar indiferente perante gesto tão obsceno? Reagi, raptei o lourito! Recebi por isso injúrias tremendas, eu que apenas queria recuperar a criança para gestos mais nobres. Animado dos meus mais esperançosos resultados, juntei-o aos meus netos que, como já sabem, são educados e possuem saberes que os habilitam à complicada tarefa de ensinar coisas. Incumbi o "meu" Duarte, que também é lourito, da missão de reabilitar o debochado miúdo.
O resultado foi espantoso: de um dia para o outro, parecia outro. Esperto e observador, aprendeu rápido. Ficou menos irascível e mais meigo. Não ligou nenhuma aos dois jogos do Mundial (ainda se preparou para insultar a França, mas o "meu" Duarte teve intervenção oportuna que o retraiu).
Feliz pelo sucesso, preparava-me para dar o seu a seu dono, devolvendo-o ao pai. Estava eu a ensaiar o meu discurso moralizante ao pai desnaturado... Estava o Cavaco Silva a fazer um discurso ao País. Dei um pouco de atenção, nesta parte: " sem a adesão à CEE há 25 anos, os tempos actuais seriam de dificuldades bem maiores para o país, e sem tanta capacidade para lhes responder."
Quando ia a trocar olhares com com o meu raptado, quase certo de que seria de ironia... Deus meu! Não é que a criança levanta aquele dedito, estendo-o á televisão onde impávido e sereno, Cavaco ia dizendo, com uma frequência que fazia lembrar alguém: "Yes, we kan!" bla,bla,bla, "Yes, we kan!"....
Fiquei com duas tremendas interrogações. primeira: que faço agora ao miúdo, o Cavaco estilhaçou a educação. Segunda: a versão do outro, acho eu, era um vigoroso "Yes, we Can!", mas Cavaco trocou por "Kan" e repetiu, vezes sem conta "Kan, Kan", alterando a progressivamente a pronuncia... Que raio quereria ele dizer?

Matutei, matutei, mas fiquei sem perceber. Foi então que dei por mim de dedo esticadíssimo, direitinho a Cavaco, imitando o meu raptado! Moral desta treta: "As crianças tem uma razão, que a própria razão desconhece"