19 julho, 2010

"Gritos de alma, não chegam ao céu"

"Gritos de alma, não chegam ao céu". As vozes de burro também não. Ainda me pergunto o que chegará ao Altíssimo... Um pouco por todo o lado, sente-se que Ele não está presente. Não está em Alvega (como ontem se viu). Não está no Alentejo, mais que em todas as outras partes, raios-O-partam...

Estes desabafos, avinagrados, podem (e devem) também ser entendidos como lamentos. Lamento quem, na blogosfera, faça edição nos seus blogues de imagens lindíssimas sobre o nosso Alentejo, vazias das gentes alentejanas. Não sei como o conseguem... De raiva comentei assim alguns desses posts:
Contraponto(com igual amor pelo Alentejo)

Ah Alentejo!
Ainda te tenho de odores
Cheiro a terra e a pão
Mas, as pessoas?
Onde estão?

Ah Alentejo!
Ainda me roçam os ventos
Me queima o do sul, o Suão
Mas, as pessoas?
Como estão?

Ah Alentejo!
Ferve-me o sangue mouro
No montado, na seara, nesse chão
Mas, as pessoas?
Para onde vão?

Ah Alentejo!
Seara de flores, mentiras de sol
Alimentando-te um sonho vão
E tuas pessoas?
Esquecidas estão?
Tanta beleza vejo,
só pessoas não!



Nesta bela imagem também não se vislumbra vulto de gente. Não, não são girassois, nem giradeus, embora acompanhem os movimentos de ambos, quer do Sol e quer de Deus. São Giracídios...
Com um grito de alma, que eu sei que não vai chegar ao céu, digo-vos: No Alentejo há gente. Acreditem que há e, embora vos estraguem a paisagem, são assim:
As mulheres, do meu Alentejo esquecido, são igualmente esquecidas por quem se perde com suas belezas