30 agosto, 2010

Estratégias de manipulação - 2 (com sms do meu neto)

No meu post "Estratégias de manipulação 1 - (O que fazem a todos nós, faço eu ao meu neto, coitadinho)" apresentei 5 das estratégias e técnicas para a manipulação da opinião pública e da sociedade. Fiz, e continuo hoje, um texto levezinho destinado a quem ainda está de férias gozando o verão. Meti o meu neto "ao barulho" como cobaia e a exemplificar 5 das 10 tenebrosas situações reais, de como fazer de nós meros instrumentos de interesses que, claro, são inconfessáveis. O texto sério (mesmo muito sério) fui busca-lo, como anteriormente escrevi, ao "Largo das Calhandreiras". Quem não se atinar com este humor, pode ir lá espreitar, por favor. Só terá a ganhar...

Recebi um sms do meu puto, com 1 ano. Vejam o que me diz: ", vê se proteges a minha imagem, lá porque olho para o "Baby First" de vez em quando, não julgues que vou ficar especado frente à TV a ver tretas e cometas, que sou manipulável e que os pais vão desatinar sem pachorra para se aturar. Ficas proibido de me meteres nesses teu posts, mesmo que gostes..."

Claro que vou ter que mudar, sempre que tenha de exemplificar...

RESUMO DO POST ANTERIOR: Dizia eu que havia 5 estratégias de manipulação da populaça : a primeira distraindo-a do essencial, com coisas alarmantes; a segunda, criando caso esturrado para depois aparecerem como salvadores os agentes do esturro; a terceira, ministrar "dozes cavalares" em regime de conta-gotas, para o povo não dar conta; a quarta, fazer doer dizendo e repetindo que é para acabar com o seu futuro sofrer. A quinta, falar de tudo isto como se a população portuguesa não tivesse mais do que 12 anos. Todas as estratégias são bem apoiadas, por texto bem editado e repleto de fotografias nos jornais de todos os dias...

POST DE HOJE: Apresentam-se as 5 restantes estratégias, a saber:

6 - UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO
Não posso dar exemplos com o meu neto, pois ele pediu para não o fazer, mas não custa nada dar exemplos do que observamos por aí, tipo “vem aí o papão”, “…olha que ficas fechado na dispensa” ou, na variante feliz, “se não te portas bem, digo ao Pai de Natal”. Tais técnicas resultam frequentemente, sobretudo nos adultos que passaram pelo crédito ao Pai de Natal. Fazer uso do aspecto emocional é, assim, uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional, e pulverizar o sentido crítico dos indivíduos. Por exemplo “vamos entrar na banca rota”,”o país está à beira da ingovernabilidade” ou “o país está no limiar da insustentabilidade”, etc.


7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE
Fazer com que os putos aprendam o básico o mais tarde possível é uma formulação estratégica importante, baseada na tese de que os putos são incapazes de compreender. Levar tais cuidados retardadores da aprendizagem até à idade adulta é fundamental, designadamente quanto à compreensão das tecnologias e os métodos utilizados para seu controle. Lei estratégica de referencia: “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneçamos impossíveis para o alcance das classes inferiores”. Assim, o meu neto se ficar pelo secundário, será naturalmente um ignorante. Se entrar para a universidade, poderá ser um medíocre com canudo ou um licenciado ministeriável, tudo dependendo da bolsa… do pais dele. O papel relevante desta estratégia compete ao ensino. Mas a imprensa tem participação significativa quer por omissão quer por entrevistas concedidas a tolinhos e patrões da industria, comércio e afins...


8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE
Isto é, levar as histórias do “Capuchinho Vermelho”, do “Ali-baba e os 40 Ladrões”, "Carochinha" e o “quem deu foi o Pai de Natal” até o mais tarde possível. Depois passar aos “Morangos com Açúcar” e outras novelas que estão nos tops das audiências. Estas são fórmulas de uso perfeito que podem ser associadas em fases posteriores a uma imprensa que faz do culto da futilidade a fórmula que atropela todos os valores, todos, todos, todos… fixando como objectivos máximos de vida: Passar férias numas ilhas paradisíacas; Fazer uma grande viagem; Adquirir a ultima versão do iphone ou juntar muitos amigos no facebook


9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE
“És um grande nabo”, “Não tens a quem sair”, “Olha para o menino do 2º andar, vês ele fazer uma coisa dessas?” São palavras que se ouvem por aí e prolongadas pelo culto do sucesso individual em confronto com o insucesso de cada um fazendo com que estes acreditem que são somente eles os culpados pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema económico, o individuo se auto-desvaloriza e culpando-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua acção. E, sem acção…


10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM
Para entendimento deste pondo é indispensável ler todos os posts que se encontram no baú "Ser Humano". Isto porque o sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele próprio se conhece a si mesmo (estas técnicas evoluíram muito com a Rogériografia do cérebro humano). Isto significa que, na maioria dos casos, o sistemas existentes exercem um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos. As estas tecnologias tendem a associar-se outras de controlo presencial baseados em chips aplicados nas viaturas, videovigilâncias em tudo o que é lugar, etc.

CONTINUA (claro, ou pensam que um povo amorfo se obtem apenas com 10 estratégias?)