30 setembro, 2010

Parece que ainda "ninguém" sabe o que aconteceu...

Todos os dados da queda do aparelho produtivo desde 1976, foram enviesados pelo efeito de espelho...

Quando não se entra com a queda da produção nacional para explicar o que se passou é porque anda gente demais comprometida pela sua liquidação e preocupada em prolongar a mentira de que não estaríamos a viver à custa do crescente endividamento do país. Quem não produz e compra, onde foi buscar o dinheiro? A crise importada, veio depois...

Todas as medidas serão, por esta omissão, condenadas ao fracasso e a abrir o caminho à recessão, agravando ainda mais a situação das classes mais desfavorecidas.

29 setembro, 2010

Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade - 3

PROBLEMAS COM A PRODUTIVIDADE
(texto devidamente avinagrado, conforme me foi solicitado)

Ana Paula Fitas, do blogue "A Nossa Candeia", editou um excelente post com este mesmo título "Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade". Por inveja dessa sua iniciativa, não vos quis endereçar para a sua leitura sem que, primeiro, eu dissesse o que tenho vindo a dizer e mais isto que acabei de escrever. Mas os meus defeitos não se esgotam na inveja, também sou ladrão. Roubei-lhe esse cartoon, aí ao lado, para vos dizer que essa história da produtividade também foi invenção minha, na minha genialidade criativa de consultor, posta ao serviço de quem tem dinheiro e o quer multiplicar rapidamente. A produtividade é um conceito difícil de explicar. Por isso não vou por aí. Digo apenas que nunca me importei por ela não acontecer nos sectores produtivos. Para o sector terciário, o dos serviços, isso sim, vale a pena. Nomeadamente por, tendo-se alargado a classe média, os "proletas" ficarem isolados na pobreza, enquanto esses outros assalariados ficam felizes e contentes com as novas tecnologias e outras magias...
Claro que peguei naquele cartoon roubado e, com preguiça de fazer um de raiz (outro meu defeito, a calanzisse) limitei-me a fazer uma montagem. Uma caixa multibanco ocupa agora o lugar dos que se deixaram atrasar. O progresso social de uma pequena burguesia contente apagou-se de repente. A freguesia procurou facilidades menos dependentes do factor humano. E agora? Agora é do catano. Os processos passam a ter maior componente de tecnologia, tornam-se capital-intensivo quanto eram da mão-de-obra-intensiva. "Porreiro pá" (onde é que eu já ouvi isto?). Assim, o Homem progride. Deixa de sofrer a trabalhar e o cofre de alguns engorda, engorda, engorda...
Não era isso que a pequena burguesia queria? Tempos de ócio, viajar, olhar a natureza e sorrir sem pensar que o sistema tinha que evoluir e tinha defeitos. Não esteve nos últimos anos tão contente? E agora? Agora aguente, que eu ainda não parei. A crise chegar chegou para ficar, serão os bonecos do cartoon a pagar.

CONCLUSÃO

Palavras de Ana Paula Fitas: “não podemos esperar que a produtividade e a competitividade cresçam, num país onde o aparelho produtivo decaiu drasticamente sem ter sido reformado ou renovado e onde as qualificações nem sequer o equacionam como objectivo primeiro...”
Palavras minhas: Não podemos esperar que os ganhos resultantes da produtividade revertam em beneficio dos trabalhadores numa parte ínfima que seja. Na lógica do sistema, o trabalho é um factor de custo a reduzir, tanto quanto for possível e em equilíbrio com o potencial que o trabalho apresenta para pagar as crises financeiras do sistema, como aliás está a acontecer...

28 setembro, 2010

Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade - 2

PROBLEMAS COM O DESENVOLVIMENTO
(texto devidamente avinagrado, conforme me foi solicitado)
Mais um quadro de António Tapadinhas.
Estão enganados se pensam que a parte tétrica são partes de gente. Ossadas de pessoas, não são. Sei disso, não que o pintor mo tenha dito ou eu me tenha posto para aqui a inventar e, sem querer, acertar. Não, não adivinhei a intenção de uma metáfora aqui representada em simbólico cemitério. O que ali jaz é a nossa economia. Reconheço em cada caveira humana o rosto de cada uma das empresas que eu condenei à morte lenta. Até identifiquei as minhas vítimas, como podem relembrar aqui , onde confessei: "Quase todos os projectos onde participei levaram ao encerramento de empresas de grande ou média dimensão ou a alterações profunda na sua missão. A lista é tremenda: Siderurgia Nacional; SAPEC; MAGUE; Companhia Portuguesa do Cobre; MJO; Fundição de Oeiras; A Reguladora; IPETEX; J.B. Corsino; Companhia Portuguesa de Trefilaria; Sociedade Portuguesa dos Sabões… Estas empresas tiveram o meu apoio em projectos inovadores visando replicar efeitos de produtividade e melhoria da qualidade em outras, por feitos de demonstração de boas práticas… As outras replicaram mesmo: ou já fecharam ou acabarão por encerrar." Os quadros seguintes dão a visão global dos efeitos da minha intervenção

O gráfico representa o Volume de Emprego ao longo dos anos em que os sucessivos governos foram governando.
A linha azul do sector primário, representa o número de pessoas em actividades da terra e do mar (agricultura, florestas e pescas) veio por aí abaixo Cavaco Silva bem me dizia "Eh pá olha o mar, olha o mar" mas eu não liguei. Fui parando o Alqueva, despedi os alentejanos e o mar... O mar servia para eu me banhar, passear e outras coisas terminadas em ar e cujas palavras me estão a faltar. Claro que com esses meus devaneios a linha verde tinha de crescer, crescer e engordar. Cresceu o volume de empregos organizadores de passeios, da hotelaria, do comércio de coisas que nos enchiam o olho e a alma de boas coisas de maravilhar e até do corpo alimentar. O sector financeiro cresceu, cresceu e quase toda a gente passou a ter um andar seu... Essa linha verde que representa o sector terciário batia bem com a educação que nos fabricava a ilusão de os fatos de macaco e as alfaias agricolas deverem ser adereços de museu. O responsável por esta cultura, claro que também fui eu... Falta falar do sector secundário da economia representado pela linha vermelha. Parece que cresceu. Não é engano seu. Cresceu mesmo. Vamos ver como...

Agora que já sabem ler quadros, a tarefa está simplificada para entender e até comentar o que eu fiz enquanto PS e PSD andavam a governar. Se o sector secundário cresceu em emprego no seu todo o crescimento não aconteceu nas suas partes.
A industria transformadora (linha azul), veio de trambolhão, quase a cair ao chão. A construção (linha verde)... oh, a construção... essa minha grande paixão.... do cimento e do alcatrão. Enquanto PS e PSD iam governando eu ia fazendo aparecer estradas, muitas estradas. É que o pessoal para sair e desertificar aldeias, vilas e montes precisa de vias para se deslocar. E como a coisa mais importante da vida tem a ver com um ditado popular "quem casa quer casa", o pessoal desatou a comprar casas, mesmo sem casar...

PS E PSD ANDAM NUMA GUERRA TRAMADA QUE NADA TEM A VER COM O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA. EU ESTOU REFORMADO. ACHO QUE ISTO CORRE O RISCO DE CAIR PARA O LADO

Próximo e último post "Os problemas da produtividade"
Origem dos dados. "Pordata"

27 setembro, 2010

Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade - I

O PROBLEMA DAS QUALIFICAÇÕES















Sem minimizar os problemas que a questão das qualificações colocam à necessária reindustrialização e ao indispensável desenvolvimento do aparelho produtivo do país, quero sublinhar que esse nunca foi um factor inibidor de tais desígnios. Prova-o António Tapadinhas pintando a Siderurgia no Seixal /Paio Pires, (muito perto dos meus lugares de infância). Se pintou esse quadro é porque, em determinada altura num Portugal atrasado e feudal, foi possível em 1961 avançar para uma industria exigente em qualificações num meio já com algumas caracteristicas industriais mas ainda predominantemente rural, como muito bem comenta o António, lá no seu blogue. Provo-o eu também, sendo exemplo pessoal e ao mesmo tempo testemunha de que a questão das qualificações não foi uma questão central.
Como exemplo: Chego à Siderurgia em 1973 como consultor para acompanhar a expansão da SN com a criação de uma nova fábrica a construir no norte, na Maia/Ermesinde (1). Responsabilidade técnica de elevada exigência, pois era responsável por montar todo o sistema organizativo das áreas de aprovisionamento e manutenção da nova fábrica. Que tinha eu feito para me habilitar a tal? Pouco ou mesmo nada: Tinha frequentado o ISEL; tinha sido vendedor nem eu já não me lembro do quê; tinha sido quase-jornalista; tinha sido enfermeiro militar... E, como não há milagres recebi com o projecto todo o "saber-fazer" da empresa que aceitou o risco de se limitar a contratar um gajo que sabia-estar, sabia-saber e sabia-querer...
Como testemunho: A qualificação de funções operacionais foi adquirida no contexto da realização dos projectos quer em 1961 na fábrica do Seixal quer em 1975 na fábrica de Ermesinde...
A grande questão, a questão central está localizada no desenvolvimento. Uma estratégia bem conduzida ao nível do investimento permite ultrapassar grande parte das dificuldades ao nível das qualificações, diz-me a experiência...
A boa integração da formação qualificante nos próprios projectos de investimento é, como referi, uma forma de ultrapassar grande parte das dificuldades, mas não todas. As outras, resultantes do facto de Sottomayor Cardia(2) ter desmantelado em 1975 toda a equipa do Ministério da Educação e ter unificado o ensino, deixando cair as escolas técnicas, deixaram marcas profundas no saber-saber (competências básicas), no saber-estar (ninguém que vestir o fato de macaco) e no saber-querer (todos querem ser doutores ou engenheiros, porque apenas se valoriza socialmente esses status). Há muito que fazer para reverter estas situações... No ensino as grandes mudanças, boas ou más, projectam-se no tempo e são duradores os seus impactos ou sequelas. Ainda vivemos delas...
Hoje, o quadro do António espelha bem um declínio mais profundo do que aquele que directamente está presente na imagem que pintou. Obrigado António por retratar tão bem a nossa realidade.
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(1) Ver História da Siderurgia em Portugal
(2) Ver comunicação de Mário Cerqueira Correia (ex-director) no 50º aniversário da Escola João Gonçalves Zarco e ver ainda "História da Educação em Portugal"
Próximo post: O Problema do Desenvolvimento

26 setembro, 2010

Homilias dominicais (citando Saramago) - 8

Ligia Cortez, Bete Coelho, Denise Weinberg, Pilar Del Río e Chico Buarque, leram várias passagens de diferentes obras de José Saramago, em sua homenagem em São Paulo, Brasil. 22 de Setembro de 2010.
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Hoje mesmo, no CCB, Violante Saramago Matos, João Céu e Silva, José Mário Silva e Pedro Lamares terão lido excertos dos livros “Ensaio sobre a Cegueira”, “Evangelho Segundo Jesus Cristo” e “O Ano da Morte de Ricardo Reis”. Mais tarde, terá ocorrido uma conversa com Zeferino Coelho, editor de José Saramago. No fim do dia, foi exibido “Ensaio sobre a Cegueira”, a adaptação de Fernando Meirelles (realizador de “O Fiel Jardineiro” e “Cidade de Deus”) da obra homónima de José Saramago.
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Uns lembram a obra, eu lembro o cidadão...
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Para isso transcrevo da edição do Le Monde Diplomatique, edição portuguesa de 8 de Julho passado, que presta homenagem a Saramago, parte do artigo intitulado "A crise e a regressão social" escrito por Sandra Monteiro, que começa assim: «O capitalismo tem a pele dura», dizia José Saramago numa entrevista em 2008. A partir de agora as suas palavras são ainda mais nossas. (pode ler na integra aqui). Farei assim minhas as palavras de Sandra Monteiro e de Saramago. Por serem de todos, quero-as partilhar
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HOMILIA DE HOJE-

É por isso que se atiram, em Portugal, à Constituição, que condensa um contrato social em cujos direitos sociais e laborais não se revêem e, que portanto, só pode estar fora da «realidade», a que querem criar, e da «história», a que querem contar. É por isso que afirmam que «um espectro ensombra Portugal: o princípio da proibição do retrocesso social, essa megalomania constitucional que estabeleceu a eternidade dos “direitos adquiridos”», e que tentam convencer‐nos de que «o “modelo europeu” era um modelo utópico, que um acaso histórico produziu» e de que «hoje a realidade voltou». Em bom português, a isto chama‐se virar o bico ao prego.

Para não errarmos nas finalidades orientadas para uma vida decente, no quadro das quais será sempre condenável que se aceitem medidas como as dos cortes sociais acrescentando «ainda que daqui decorram gritantes injustiças»(*), é nossa responsabilidade fazer um trabalho de memória, de colocação de ideias que estejam disponíveis para os combates pelo bem comum. Nesse sentido, levemos mais estas palavras de Saramago na bagagem, seguros da multidão dos viajantes:

«Tenho uma confiança danada no futuro e é para ele que as minhas mãos se estendem. Mas o passado está cheio de vozes que não se calam e ao lado da minha sombra há uma multidão infinita de quantos a justificam» (*).

(*) Diálogo entre José Saramago e Ignacio Ramonet (coord. Víctor Sampedro):

«O desastre actual é a total ausência de espírito crítico»;

25 setembro, 2010

Pequena exposição - Os meus lugares de menino e moço

Conheci há poucos dias António Tapadinhas. Deixei-lhe em comentário a minha pronta disponibilidade em transformar este sitio em galeria e aqui lhe colocar uns quantos quadros seus. Prometi-lhe tratar com dignidade os lugares que, não se limitando a pintar, tratou como um artista que sabe o que me agradaria recordar. Como enquadramento refiro textos meus sobre a quinta do meu avô colocados a pretexto de abordagens a temas diversos, tais como a reforma agrária ou a minha mudança de escola.Nesses textos nunca localizei a quinta nem descrevi lugares próximos. António -lo por mim...

PEQUENA EXPOSIÇÃO - OS MEUS LUGARES DE MENINO E MOÇO

Passava as férias grandes na quinta dos meus avós. A caminho, no cacilheiro, barco que atravessava o Tejo ligando Lisboa ao Barreiro, não pensava nada. O rio não deixava. Os meus olhos percorriam margens e água e os odores eram um estimulo a todos os outros sentidos. Quando ao longe eu avistava os "meus" moinhos, sabia que estava a chegar. Depois do barco a camioneta, por entre os vidros que lhes adensavam cores de sépia, lá estavam. Eram o marco do inicio das minhas aventuras pois do Barreiro à Moita e daí à quinta seriam, ao todo, 20 a 25 minutos...
-- --... Uma vez chegado logo começava a minha faina na quintinha. Esta frequentemente era demasiado pequena para conter todas as aventuras e, assim, aceitava de bom grado convites de outros miúdos para ir à Moita, vila morena da beira Tejo...
Claro que me lembro das festas, da procissão, do foguetório, das largadas de touros e de muitos outros acontecimentos de cor e festa. Mas a memória mais viva eram os momentos de água. Recordo mil mergulhos nessa água lodosa para onde saltava de cima do pequenos cais de atracagem. António, pintou-mo. Vê-lo assim, degradado, não me feriu a sensibilidade. Para tal ele deu-lhe a cor necessária...
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As idas a Alhos Vedros, pequena povoação perto da Moita e igualmente da beira Tejo, não deixavam grau de liberdade para as minhas brincadeiras preferidas. Obediente, seguia as instruções da minha avó Mariana que alí se deslocava, com alguma frequência, fazendo venda dos produtos da quinta: "Não vás para longe", dizia-me. E eu ficava por ali junto ao rio. Por vezes, descalçava os sapatos para que meus pés afagassem a areia. Apanhava pedras e atirava-as, como todos os miúdos fazem quando não podem eles próprios atirar-se... Entre o rio e o encarnar de mil personagem num cenário de selva ou planície em outras tantas aventuras lá na quintinha, as férias terminavam...
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... e o regresso a Lisboa fazia-se, frequentemente no mesmo barco cacilheiro.
António pinta-me essa viagem, colocando as pessoas exactamente como eu as via, ainda meio adormecidas pelo levantar cedo para enfrentar mais um dia de trabalho. Que me lembre, não regressava triste, apenas na expectativa de conhecer novos amigos, novos professores e, assim, outras vivências...
Um pintor quando se exprime como o António, nem imagina as sensações que pode provocar. Ou será que o faz exactamente porque pretende isso mesmo: EMOCIONAR? Se tem ainda alguma dúvida, navegue no seu blogue "Sem margens - Pintar a palavra, escrever a pintura."

Obrigado António, por pintares estes lugares!

24 setembro, 2010

Da minha janela - 2

Nem sempre as cores se impõem. Olho o horizonte ao longe e só este permanece válido. Não que as pessoas do meu bairro sejam a preto e branco mas porque um futuro cinzento as ameaça. A validade do horizonte é uma visão que me é imposta por uma ideia, inimaginável do que seja a net, a relação virtual de amigos e das palavras que passaram de caneta de aparo à esferográfica e desta ao teclado, em menos do que um bocado. Hoje escreve-se assim conversas daqui e dali. Hoje escreve-se também assim no livro da vida... Tudo evolui, penso. Mas é tão lenta a conquista da utopia...

Regresso à minha janela, para fumar e verifico como é fácil trazer de longe o Sol mascarado de Maria, ver na praceta cirandando a miudagem, sentir um bonito pássaro azul pousar-me no beiral, imaginar uma ave sem asas, ouvir uma folha seca cair. Sorrio, quando imagino alguém gritando perto do logradouro da frente, como um pregão antigo, perguntando se quero doce ou travessura . Com tudo isto vai entardecendo e o azul do céu aproxima-se do cinzento daquela rua que, insisto, ser um caminho por gostar de caminhantes e daquelas Teresas como havia dantes. Prestes a anoitecer, fixo ao longe o rio sem margens, onde uma seara de versos prova que o mar é arável... Bendito o rio que enche esse mar... O lusco-fusco torna mais difusas as formas. Um vulto felino de um gato pode ser tomado, neste meu bairro, por um puma ou por um ágil coelho. Aquela moradia que se avista à esquerda esconde a escola, seria necessário terrear para poder ver como os professores são vox nostra. Sei que horas são, olhando um relógio de pendulo no alto do campanário (embora seja herético, acreditem que esta igreja é assim). É tarde, reduzo a chama da nossa candeia e fecho a janela. Armado desse gesto, deixo um último olhar à Casa do Rau para ver se a luz está acesa. Está! Vejo isso pela janela dela. Vou descansar, amanhã é dia de voltar a olhar a minha paisagem de amigos....
Não fiquem de beiça caída aí por qualquer canto aqueles que não são visíveis. Só avisto da minha janela imagens "made in Portugal". Mas porque o mundo é oval, só outras janelas que me levam onde chegaram as caravelas... Quem disso me lembrou, tem um estranho nome: lolipop. Depois veio a África em poesia, reforçar a importância de me fazer ao mar. Não serei um mero turista, um turista acidental, irei promover a minha imagem luso-celta e deixar uma porta entreaberta. Um dia destes mostrarei essa minha outra janela.

23 setembro, 2010

Da minha janela - 1

Contrariamente ao que vulgarmente se pensa, as janelas não servem à contemplação. Nem queiram saber o que é possível ver de uma janela. O que nos diz uma rua, uma praceta, mil telhados e a sarjeta. Como nos fala uma trepadeira, o que nos canta uma árvore e como nos sussurra a palmeira. Tenho tudo isto e mais um rio que me passa diante do pensamento e que raramente transborda as margens físicas, de tão acalmado correr. No meu pensamento não é assim. Frequentemente me inunda o sonho e, embarcando nele, chego muito para lá do horizonte com trajes de namban-jin. Atravessa-o uma ponte que, como diz a canção, é uma passagem para a outra margem. A margem esquerda. O lado certo da vida que se vê desta minha janela e onde estão as minhas origens de coração.
Dedico este post a quem me pintou lugares de infância, um amigo que reencontrei hoje (os amigos não se descobrem, reencontram-se) e que, por minha inveja, assumiu as tarefas de "Pintar a palavra, escrever a pintura."

22 setembro, 2010

O Diário de Notícias trata Cavaco Silva como um "namban-jin" e, a continuar assim, terá a eleição assegurada...

Quando olho o mar, por força deste, o meu pensamento recua a séculos passados. A minha capacidade de ver nesses tempos, dá-me o nítido detalhe das águas a abraçar cascos de esquadras de todo o tipo de navios de construção lusa, partindo de portos fervilhando de gentes. Eramos os agentes da primeira globalização, os "japões" chamavam-nos namban-jin...

Folheio ainda distraídamente o Diário de Notícias de hoje, apenas atento a uma ou outra foto. Paro numa página, onde o título me belisca como que dizendo, "pá, isto é material para o teu post de hoje". Por cima de uma foto institucional do Presidente da Républica", leio: "PR quer investimento nos portos e auto-estradas do mar". Com as minha antenas despertas, leio a notícia:

  • "Portugal tem tudo a ganhar em influenciar Bruxelas e a Comissão neste domínio", sublinhou, referindo igualmente a necessidade dos portos nacionais se modernizarem e praticarem taxas de utilização mais competitivas".
  • "... os problemas crónicos de organização e competitividade dos portos portugueses ainda não estão verdadeiramente solucionados e há ainda "muito trabalho a fazer". Cavaco defendeu novos rumos que permitam a "exploração cabal" do mar, com políticas públicas destinadas a fomentar o investimento privado nos sectores marítimos, com novos investimentos no cluster marítimo e com mais investigação. "

Mas então sempre nos podemos virar para o mar? A jornalista não contextualiza? Não dá uma panorâmica de cada um dos sub-sectores? Faz passar o discurso de alguém que andou por aquelas andanças sempre de costas viradas para o Atlantico, assim?. Eu até acho que olhou para o mar, pois foi a partir de 1982/3 que começou o declinio de todas as nossas frotas...

Não. Este não é homem de olhar para o nosso passado e o merecer. Este não é aquele reune condições para seguir o conselho do embaixador Akira Miwa para fazer-mos uma vaquinha com o Japão, Brasil e Angola. Este não é um namban-jin. Ou será? O DN, não esclarecendo, faz o pagode acreditar que seja. Assim, terá a eleição assegurada. Para o nele se votar, nada como falar do mar...

O gráfico representa o número de embarcações totais registadas. Portugal
terá perdido, em 29 anos, quase 60% da frota total (pesqueira e de transportes) - fonte:PorData

20 setembro, 2010

Acabar com a fome é possível - 2


Ana Paula Fitas, deu-me a conhecer o blogue "Sustentabilidade é Acção" de onde retirei este video e o apelo, que aqui reforço, assim:

"Faça pressão sobre os políticos para acabar com a fome. Assine a petição, e reivindique acção onde quer que esteja". Assine esta petição global, e também a petição nacional para que o Governo Português "cumpra as promessas que fez e que influencie positivamente os outros Governos para fazer o mesmo"


Esta iniciativa relaciona-se com a realização da cimeira mundial, iniciada hoje, sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio - ODM (ver aqui)

Acabar com a fome é possível - 1

A minha homilia de ontem, citando José Saramago (ver aqui) referia-se a um acontecimento datado (1997) e a factos passados relativos à repressão do Movimento dos Sem Terra (Brasil). A situação terá evoluído no sentido de um sonho que está sendo contruido com tudo aquilo que materializa os sonhos, cabeça, coração, alma e muitas mãos: Realizar a Reforma Agrária e ACABAR COM A FOME. Do portal do MST, transcrevo um texto que dá a relidade actual:

"Uma das nossas principais contribuições para a sociedade brasileira é cumprir nosso compromisso em produzir alimentos para o povo brasileiro. Fruto da organização de mais de 100 cooperativas e mais de 1,9 mil associações em nossos assentamentos, trabalhamos de forma coletiva para produzir alimento. Contribuímos também na construção de 96 agroindústrias, que melhoram a renda e as condições do trabalho no campo, mas também oferecem alimentos de qualidade."

"(O assentamento é um espaço para o conjunto de famílias camponesas viver, trabalhar e produzir, dando uma função social a terra e garantindo um futuro melhor à população. A vida no assentamento garante às famílias direitos sociais que não são garantidos a todo o povo brasileiro: casa, escola e comida
.)"


19 setembro, 2010

Homilias dominicais (citando Saramago) - 7

Os sonhos, tal como as palavras, são manifestações complexas e sofisticadas próprias do ser humano. Há quem diga que os sonhos habitam e saem, por vezes, da alma. Para mim, e de forma similar ao que serve para os descrever, saem de todo o lado. Coração e cérebro são os grandes responsáveis pelo processamento e arquivo dos sonhos. Um irriga o outro e este converte as necessidades em algo a desejar . Os olhos e ouvidos são acessórios importantes para construir um sonho, mas não executam nada. No fim de tudo, são as mãos as principais responsáveis pela materialização dos sonhos. As mãos podem-se anular, algemando-as ou tão simplesmente serem entretidas com movimentos de diversão por vezes até contrários ao sonho. Assim impedido, um sonho pode ser adiado, sobrevivendo no consciente ou no inconsciente da mente e do coração… Um poeta disse que seu pensamento “…é como o vento, podem prende-lo, matá-lo não”, Hoje falaremos do sonho dos “Sem Terra”, movimento que luta pelo sonho de a terra dever ser de quem a trabalha. Sonho que os brasileiros estão construindo e que os portugueses, guardam como um sonho que hibernou, mas que um dia irá despertar...

HOMILIA DE HOJE

O SONHO - Os sonhos não são fáceis quando se sonha com a terra, como um direito negado. O massacre de Eldorado dos Carajás/Brasil, que completava um ano mostra que se paga a vida pelo sonho. Dezenove integrantes do Movimento dos Sem Terra haviam sido brutalmente assassinados pela polícia. Em abril de 1997, o fotógrafo Sebastião Salgado, o escritor português José Saramago e o compositor Chico Buarque lançam um livro/cd para relembrar o facto e marcar a importância da luta pelo sonho, pelo chão, pela terra...

PALAVRAS DE SARAMAGO - "Povoando dramaticamente esta paisagem e esta realidade social e económica, vagando entre o sonho e o desespero, existem 4 800 000 famílias de rurais sem terras. A terra está ali, diante dos olhos e dos braços, uma imensa metade de um país imenso, mas aquela gente (quantas pessoas ao todo? 15 milhões? mais ainda?) não pode lá entrar para trabalhar, para viver com a dignidade simples que só o trabalho pode conferir, porque os voracíssimos descendentes daqueles homens que primeiro haviam dito: “Esta terra é minha”, e encontraram semelhantes seus bastante ingénuos para acreditar que era suficiente tê-lo dito, esses rodearam a terra de leis que os protegem, de polícias que os guardam, de governos que os representam e defendem, de pistoleiros pagos para matar. Os 19 mortos de Eldorado dos Carajás e os 10 de Corumbiara foram apenas a última gota de sangue do longo calvário que tem sido a perseguição sofrida pelos trabalhadores do campo, uma perseguição contínua, sistemática, desapiedada, que, só entre 1964 e 1995, causou 1 635 vítimas mortais, cobrindo de luto a miséria dos camponeses de todos os estados do Brasil. com mais evidência para Bahia, Maranhão. Mato Grosso, Pará e Pernambuco, que contam, só eles, mais de mil assassinados. (…)
O Cristo do Corcovado desapareceu, levou-o Deus quando se retirou para a eternidade, porque não tinha servido de nada pô-lo ali. Agora, no lugar dele, fala-se em colocar quatro enormes painéis virados às quatro direcções do Brasil e do mundo, e todos, em grandes letras, dizendo o mesmo: UM DIREITO QUE RESPEITE, UMA JUSTIÇA QUE CUMPRA."

Prefácio ao Livro “Terra” escrito por JOSÉ SARAMAGO 1997

AO LADO DO SONHO EXISTE SEMPRE UMA CANÇÃO


NO PROGRAMA DO JÔ, (o Sebastião Salgado, José Saramago e Chico Buarque de Holanda)

Nota: São 5 videos que estão disponíveis no Youtube, escolhi aquele em que Saramago tem maior protagonismo

O melhor de mim, somos nós...

Quem não esquece o passado e não desiste,
Com orgulho mal disfarçado, persiste
Em procurar a utopia que num sonho conheceu?
Eu!

Quem vê uma lágrima, não importa por que dor
Junta outra sua, se necessário for,
pois de ser solidário nunca se esqueceu?
Eu!

Quem em mil metamorfoses e em festa
Aceitou ser árvore escondendo em si a floresta
Para que todos os pássaros pousassem num ramo seu?
Eu!

Quem comigo fez tal caminho
Aceitando valores, defeitos e carinho
Partilhando ausências, frustrações e alegrias, por tabela?
Ela!

Falar de mim é falar de nós...

(Este post resulta de uma inscrição que fiz, numa blogagem colectiva, com o tema "O melhor de mim", num blogue amigo , da Elaine Gaspareto. Julgo não merecer aceitação dado que cheguei à conclusão de que o melhor de mim é ela e ela não está inscrita...)

18 setembro, 2010

Avinagrar a Imprensa Não é Pêra Doce... (por isso fui aos treinos) - 3

ACREDITEM, TENHO MASSA MUSCULAR E DESTREZA PARA DESENVOLVER A MISSÃO

Este é o último de três posts relativos aos meus treinos aproveitando a experiência com as actuações golpistas da imprensa brasileira, na campanha eleitoral para a eleição do próximo presidente do país irmão (1ª volta, em 3 de Outubro). Alguém comentou que três posts seriam um treinozinho não habilitante. Mas tenho que dizer que o que publiquei é apenas a parte visível do meu esforço. Já tinha ganho massa muscular e alguma destreza com o que publiquei antes, pois a grande maioria das minhas abordagens são avinagradas. Em especial, podem verificar no meu baú os 18 posts sobre evidências da existência do PiG Luso (não confundir com o PiG Canarinho) e das suas técnicas manipuladoras e os 43 textos sobre as distorções e omissões que a imprensa portuguesa comete em tema tão importante como é o da Economia.
Já em Junho eu estava em condições de produzir coisas que a mim próprio agradaram, satisfazendo a minha sempre exigente auto-critica, como podem verificar (aqui)…

Esta é a imagem do "ginásio" onde estive em treino intenso, preparando-me para o nosso período eleitoral. Estou certo que as práticas do PiG Canarinho são similares às do seu congénere Luso

TREINOS À PORTA FECHADA

Desde 14 de Setembro que venho desenvolvendo treino intensivo, à porta fechada para que os jornalistas (e bloguistas) golpistas não vejam a minha preparação. Escolhi como ginásio as instalações do “Conversa Afiada”. Assisti a cerca de duas dezenas conferências e entrevistas “técnicas” do meu treinador Paulo Henrique Amorim.
Passei a perceber como o Conversa Afiada ajuda os jornalistas honestos (em especial mulheres jornalistas) a entrevistar políticos bem industriados por agências do marketing eleitoral (ver “Manual do jornalista que vai entrevistar o Serra”) e o que o PIG Canarinho entende por liberdade de expressão, em 30 definições que terei (em devido tempo) oportunidade de adaptar à prática do PiG Luso. São assim, algumas delas:

  1. Liberdade de expressão é bem supremo estando abaixo apenas do Deus Mercado.
  2. Liberdade de expressão é gerar factoides, divulgar informações sabidamente falsas apenas para aproveitar o calor da luta.
  3. Liberdade de expressão é cartelizar a informação e divulgá-la como capítulos de uma mesma novela em variados veículos de comunicação.
  4. Liberdade de expressão é explorar a boa fé do povo com programas de televisão que manipulam suas emoções e suas carências oferecendo uma casa aqui outro carro ali e assim por diante.
  5. Liberdade de expressão é imputar ao presidente da República comportamento imoral tendo como fundamento depoimento fragmentado da memória de um indivíduo acerca de fato relatado quase duas décadas depois.
  6. Liberdade de expressão é fazer estardalhaço em torno de um sequestro que não ocorreu há quase 40 anos com a clara intenção de tumultuar o processo político actual.
  7. Liberdade de expressão é assacar contra a honra de pessoa pública utilizando documentos de autenticidade altamente duvidosa e depois fazer mea culpa na secção “Erramos”.
  8. Liberdade de expressão é submeter decisões editoriais a decisões comerciais de empresas e emissoras de comunicação.
  9. Liberdade de expressão é demonizar movimentos sociais e defender a todo custo latifúndios vastos e improdutivos.
  10. Liberdade de expressão é obstruir qualquer caminho que conduza mecanismos de democracia participativa.
  11. Liberdade de expressão é fazer coro contra qualquer governo de esquerda e se omitir contra malfeitorias de qualquer governo de direita. Ou vice-versa.
  12. Liberdade de expressão é fugir como o diabo foge da cruz de expressões como liberdade, democracia, cidadania, justiça social, controle social da mídia.

APROXIMA-SE UM PERÍODO EM QUE TODO O CONHECIMENTO É INDISPENSÁVEL PARA DESMONTAR E DENUNCIAR OS GOLPES, OMISSÕES E DISTORÇÕES QUE O PIG LUSO IRÁ UTILIZAR PARA DESCREDIBILIZAR TODAS AS CANDITATURAS QUE NÃO SEJAM A SUA: CAVACO SILVA

DAR-LHE-EMOS O DEVIDO TRATAMENTO. ESTOU PREPARADO!

Eis aqui uma notícia que o PiG Canarinho agradece ao seu congénere Luso

PAULO BENTO? Seja... (Só quero lembrar que o futebol é a coisa mais importante de entre as coisas pouco importantes com que nos devemos preocupar!)

Eu e a minha equipa técnica, iremos ajudar esse Bento... Telefonei aos meus netos e eles concordam!

17 setembro, 2010

Florentino Perez, quis saber a minha opinião... Opinião de Mouro é mais forte do que a de um Mourinho. (Madail, que manda ele?)

Reuni de emergência a minha equipa técnica, tendo de arrastar uma recèm-nascida, pois em caso de empate de votação, evitaria que pesasse a minha a decisão... Como podem ver na imagem, a equipa mantém a mesma postura colaborativa que teve no Mundial, daí a confiança depositada pelo patrão do Real !
Reuni os meus netos e expliquei-lhes as razões que justificam esta consulta de emergência, para decidir quem deverá treinar a Selecção Portuguesa em risco de não se qualificar. A falta de unanimidade foi clara. Estabeleceu-se até alguma confusão entre os mais novos, a braços com confusões gastronómicas próprias das idades(*). Quis que fizessem declaração de voto. Foi assim:
  • Marta (14 anos) - , eu votei no Mourinho porque é bom e bonitinho!
  • Miguel (11 anos, irmão da Marta) - Claro que eu não! Voto no avô porque ele é que sempre nos treinou...
  • Duarte (6 anos) - Não posso votar no Mourinho, duas equipas rebentava com ele num estantinho....
  • Diogo (13 meses) - Lu-lu-lula (*)...
  • Maria (1 dia) - Uuuuaaahhh! Unnnaaah!
  • Eu - Pois é Maria um há, mas qual?

    Dei conta desta decisão ao Florentino Perez e penso que já é pública a posição do Real Madrid (ver aqui)

(*) O meu neto Diogo, já come de tudo, mas acho que lulas ainda não. Por isso, fiquei na dúvida se ele não queria mesmo dizer Lula da Silva. E, de facto, se fez tal confusão eu até não me importaria que fosse o Lula a treinar a selecção...

Aceita poemas sempre, mas guarda-os separados!

Aceita o poema
Sempre
Mesmo que pareça
Milho de dar a pardais
Para que esqueçam que a seara
Não existe mais

Aceita o poema
Sempre
Mesmo que fale apenas
De penas,
Madrugadas, neblinas, brisas e luas
Esquecendo o que se passa nas ruas

Aceita o poema
Sempre
Mesmo que, passivo,
Contemplativo
Louve o belo, o corpo, a alma, o coração
Ignorando que cada coisa bela
Nasce de um gesto
Contido na nossa mão

Aceita esses poemas
Mas não os guardes no mesmo lugar
Onde deverás guardar os outros
Aqueles que nos confrontam
com a realidade que somos
Aqueles que falam das searas e do pão
Aqueles que nos falam das ruas e dos caminhos
Aqueles que nos falam do trabalho e da mão


Enfim, todos os que num coro de hinos
Ou protestos, cantados
Entram na verdade de nós mesmos

Os outros? Os outros são devaneios necessários...

(Dedicado à Maria, nascida ontem)

16 setembro, 2010

Cada vez mais... avô!

Enfim, a notícia que
esperei durante todo o dia
Nasceu
e chama-se
MARIA
(estão bem,
filha e mãe)

15 setembro, 2010

Avinagrar a Imprensa Não é Pêra Doce... (por isso fui aos treinos) - 2

ESCLARECIMENTO PRÉVIO - Foram vários os amigos que interpretaram por excesso a minha intenção de aproveitar as eleições presidenciais brasileiras como treino preliminar. Isto é estavam-me a ver avinagrar aquela confusão, envolvido num calor que sendo irmão não é meu, com a agravante de deixar o PiG Lusitano, andar por aqui no engano, até 3 de Outubro. Nada disso. Faço apenas um ligeiro aquecimento em 3 posts, dos quais este é o segundo. A imprensa brasileira tem por lá a minha alma-gémea que dará bem conta do recado, denunciando as manobras do PiG Canarinho... Para quem chega agora e ainda não saiba, o "Conversa Afiada" está para este vosso blogue, como o Paulo Henrique Amorim está para mim. Cada um com a sua missão sendo igual a intenção: DENUNCIAR MACACADAS!
Este cartoon não é retirado de nenhum dos jornais de grande tiragem do Brasil, veio publicado no Conversa Afiada. Talvez por isso o Diário de Notícias de hoje não saiba o que se terá passado para que Dilma tenha um score tão elevado...
Depois do "Público" de ontem ter referido as alhadas em que as gentes de Dilma andam metidas, segundo a imprensa que faz "investigação" lá naquela campanha para a eleição, hoje foi a vez do DN. Ambos os jornais falam de uma grande bronca "denunciada" pela revista "Visão". Também o DN, no artigo intitulado "Campanha mais agitada já inclui insultos a Lula" se esqueceu de dizer que esta é a enésima "denúncia". Que todas as anteriores, por mal contadas ou desmascaradas, tem vindo a ter como reflexo o crescimento da popularidade da Dilma, expressa em todas as sondagens. Como o cartoon exprime, está a acontecer o efeito boomerang... Os analistas encartados, insistem na tese que o Lula é um bronco mal avaliado pela "Time" e que o seu legado não é a satisfação do "povão", é sim a corrupção...
CONTINUA
mas os treinos terminam no próximo post

Tocándar - na rua ?

--

Em muitos lugares, acarinha-se! Aqui, despreza-se!

(Para se conhecer o que está em risco de se perder consulte esta página e/ou a wikipedia)

14 setembro, 2010

Avinagrar a Imprensa Não é Pêra Doce... (por isso fui aos treinos) - 1

Depois da proclamação de ontem e porque assumi grande responsabilidade, fui aos treinos. Escolhi um país com o qual ainda não percebi que laços devo admitir. Se deva considerar filho, se antes o devo tratar como irmão. Dado que não me sentiria confortável em ter uma toada paternalista, nem seria credível aprender com os descendentes, assumo que fui treinar ao país irmão, a braços com uma eleição num contexto efervescente e onde a imprensa tem importância crescente....

Imagem de "O Globo" -------------------- Imagem do "Conversa Afiada"

A imagem à esquerda é de um jornal reputadissimo, "O GLOBO", cuja página dedicada às eleições presidenciais, dá um destaque "aparentemente" manipulador, com o Serra à frente e a Marina (com cara de Silva) em último. O resto das notícias, giram em volta do tema que o nosso "O Público" trata e que tem a ver com mais um "escândalo" denunciado pelo imprensa brasileira e que atinge... a Dilma! Sobre as sondagens de ontem, o Globo dá os resultados lá num cantinho e o jornal português, nem isso. Nada! Serão meras sondagens sem importância para uma irrelevante colónia de brasileiros que andam por aqui...
A imagem à direita é de um jornal, apenas virtual, inconvenientíssimo, "O Conversa Afiada", cuja página dedicada às eleições presidenciais, dá destaque ao resultado das sondagens de ontem. O resto das notícias giram em volta das provas do desmentido das "notícias" que dia-sim-dia-não, aparecem a mostrar que a Dilma é.... aquilo que o nosso "Público" deixa no ar que ela seja!
Os treinos vão continuar
(a menos que o PiG português me obrigue a antecipar a acção)

13 setembro, 2010

Proclamação

Panorâmica da mesa e da assistência à sessão, onde a importante proclamação
"Apelo à Participação Cívica", foi apresentada

PROCLAMAÇÃO

Caros seguidores, visitantes comentadores ou apenas passeantes, anónimos furtivos, homens, mulheres, poetas e loucos...

Caros Amigos,

Para fazer o que ainda não foi feito, sei como ainda somos poucos.

Somos poucos para reiniciar a jornada. Mas, como sempre acontece, outros se juntarão. Ninguém está impedido de retomar caminhos percorridos ajustando o percurso, corrigindo palavras e emoções, procurando convergências. O passado não se corrige, dirão. Façamos então a correcção do futuro, não repetindo erros do passado. Somos poucos para operar o milagre de fazer tudo regressar à pureza da madrugada que nos deu esperança. Mais que proclamação é um apelo: Façamos da próxima eleição a primeira. Cada um escolha a melhor forma, mas sugiro uma: renasçam, com a memória completa e com o equilíbrio requerido a quem tem nas mãos um pequeno poder. Usem-no!

Eu, por mim, vou ser coerente com aquilo que me fez estar aqui. Prometo não sair dos objectivos que tracei e respeitarei os princípios declarados. Estes:

  1. Não entrarei no jogo político, por isso, não comentarei discursos ou posições de qualquer partido ou candidato;
  2. Trarei para a minha agenda discursos ou posições partidárias sempre que a imprensa deles faça omissão ou distorção;
  3. Denunciarei todas as notícias ou opiniões que, em meu juízo, colocam em causa a reputação e o bom nome das pessoas sem a devida prova e fundamentação do interesse público;
  4. Trarei para o meu blog todos os temas que julgo serem omitidos por razões que a razão desconhece ou me parecerem arredados da agenda das redacções da imprensa semanal;
  5. Tentarei suprir a ausência da actividade da ERC na análise a estes jornais.
  6. Em datas festivas, ou sempre que me dê na real gana, publicarei poemas, vídeos e outras e outras cenas, desde que se integrem no espírito da minha declaração de princípios.

Serei assim um apoio à vossa obrigação cívica através do acto de cidadania que assumi em 31 de Dezembro de 2009. Não, não julguem que me remeto para uma posição de equidestância e de isenção. Tenho convicções, apoio um candidato e não procuro isenção. Defendo soluções pelos valores de esquerda e são esses valores que pautarão esta intervenção a que me proponho.

Faço esta proclamação nas instalações apropriadas e com alguma simbologia: Que Cavaco Silva não chame a estas eleições um figo. Um Figo Maduro!

Obrigado pela V. atenção

(aqui não é possível retransmitir a tremenda ovação ao orador, que ainda dura de forma entusiástica, à hora da publicação deste post)

Última hora: CONFIRMA-SE. NÃO É BOATO. Irei Apresentar ao País Uma Proclamação, às 22 horas - No hangar nº 3 do aeroporto de Figo Maduro

12 setembro, 2010

Homilias dominicais (citando Saramago) - 6

As palavras são o que de mais sofisticado e humano existe. Há quem diga de quem as comunica bem, que elas, as palavras, lhes saem da alma. Para mim as palavras saem de todo o lado. Coração e cérebro são os grandes responsáveis. Um irriga o outro e este converte a vivência em algo a transmitir. Os olhos e ouvidos são acessórios importantes. Mas, no fim de tudo, são as mãos as principais responsáveis pela existência das palavras dignas. Tudo o que o homem fez e faz, sai-lhe das mãos. As mãos são a génese da inteligência humana. Quem não fez nada na vida e humildemente não reconhece isso, não tem uma mão cheia de palavras que valham a pena integrar na comunicação humana sob a forma de um livro, de canção ou outra qualquer...
Mas então um jovem, vinte e muitos ou trinta anos não vale a pena ser lido? Claro que sim! Desde que das suas mãos tenham saído coisas, para além de meras palavras...

HOMILIA DE HOJE
ESCRITOR, UMA QUESTÃO DE IDADE? - José Saramago começou tarde a sua tarefa de escritor. Estou convencido que não fazia desse facto grande exigência a outros embora em diversos momentos gostasse de o destacar. Prova que não exigia senioridade para escrita é o facto de não se lhe conhecer aversão ou antipatia à instituição, pela Fundação Círculo de Leitores em 1999, de um prémio literário com o seu nome e a atribuir a jovens com idade até aos 34 anos. Contudo, Saramago destaca que o conhecimento e a experiência são determinantes da comunicação necessária. Podia escolher vários momentos em que transmite tal ideia mas escolhi esta passagem, do seu discurso na Academia Sueca, (onde se retratava falando de si na terceira pessoa):

“Muito, muito tempo depois, o aprendiz (ele), já de cabelos brancos e um pouco mais sábio das suas próprias sabedorias, atreveu-se a escrever um romance para mostrar ao poeta das "Odes" alguma coisa do que era o espectáculo do mundo nesse ano de 1936 ..."

Pode ler na integra o discurso de Saramago no "Blog Oval"

ESCRITOR, A QUESTÃO DA IDEOLOGIA - Saramago foi um figura controversa. Não só por opções ideológicas, mas também e sobretudo por as ter assumido sob a forma de comprometimento politico com o Partido Comunista. Muitos não lho perdoam. Sobre esta questão não posso deixar de concordar com Saramago quando este desafia outros escritores a não se esconderem atrás da obra que produzam e quando reforça dizendo: "a literatura pode viver até de uma forma conflituosa com a ideologia. O que não pode é viver fora da ideologia."

AS NOVAS GERAÇÕES DE ESCRITORES - As duas questões, maturidade e ideologia, são abordadas num artigo publicado na IPSILON, sob o título "A morte de José Saramago é o fim simbólico de uma geração politicamente comprometida". Nele se tenta perceber como é que os novos escritores lidam com a ideologia e reporta testemunhos de quem considera poderem vir a ser os herdeiros do Nobel português: José Luís Peixoto; Valter Hugo Mãe; João Tordo ; Pedro Rosa Mendes ; Dulce Maria Cardoso. A autora, Raquel Ribeiro, comenta quase a finalizar "mais do que políticos apartidários, estes escritores são cépticos politizados" e termina, com a apreciação de um deles, Rosa Mendes, "A criação portuguesa é muito virada para si própria, onírica e introspectiva". Nesse sentido há "um défice de real", e a realidade torna-se "sempre aquilo que estamos a viver dela"...

A HERANÇA DE SARAMAGO - Se não fosse sabermos outras coisas, ficaria a impressão de Rosa Mendes como nossa. Contudo, Saramago deixou-nos uma indicação precisa, assim:

"A nova geração de romancistas portugueses, refiro-me aos que estão agora entre os 30 e os 40 anos de idade, tem em Gonçalo M. Tavares um dos seus expoentes mais qualificados e originais. Autor de uma obra surpreendentemente extensa, fruto, em grande parte, de um longo e minucioso trabalho fora das vistas do mundo, o autor de O Sr. Valéry, um pequeno livro que esteve durante muitos meses na minha mesa de cabeceira, irrompeu na cena literária portuguesa armado de uma imaginação totalmente incomum e rompendo todos os laços com os dados do imaginário corrente, além de ser dono de uma linguagem muito própria, em que a ousadia vai de braço dado com a vernaculidade, de tal maneira que não será exagero dizer, sem qualquer desprimor para os excelentes romancistas jovens de cujo talento desfrutamos actualmente, que na produção novelesca nacional há um antes e um depois de Gonçalo M. Tavares. Creio que é o melhor elogio que posso fazer-lhe. Vaticinei-lhe o prémio Nobel para daqui a trinta anos, ou mesmo antes, e penso que vou acertar. Só lamento não poder dar-lhe um abraço de felicitações quando isso suceder."

in Cadernos de Saramago/Gonçalo M. Tavares

Apostolaram esta semana:

"Blog Oval"; "Conversas Daqui e Dali"; "Ematejoca Azul" e "Só Te Peço 5 Minutos"

11 setembro, 2010

Onzes de Setembro


Golpe de Pinochet
(1973)



Twin Towers
(2001)



-Existem múltiplas formas de violência. Umas desencadeadas pelos povos ou grupos de populares e são, quase sempre, a resposta a outro tipo de violência normalmente menos visível. Sobre estas, escreveu Bertolt Brecht: "Do rio que tudo arrasta se diz violento, porém ninguém diz violentas as margens que o comprimem".

Existem ainda violências de outros tipos, as quais assumem formas mais sofisticadas de se produzirem. As imagens, às quais recuso dar espectacularidade e cor, são exemplos deste último tipo. A referida sofisticação não tem a ver unicamente com os processos, mas também com os objectivos e, neste dominio, ainda há quem se interrogue sobre os verdadeiros objectivos do 11 de Setembro de 2001 e pergunte onde estaria Bin Laden nesse dia...

10 setembro, 2010

«O modelo cubano já não funciona nem sequer para nós.»

A frase de Fidel de Castro, no contexto da entrevista divulgada, só pode ter por inspiração a conversa que tive com ele na sequência dos posts aqui editados sobre Moçambique. Reler Samora Machel e constatar o afastamento dessas ideias, obriga a rever orientações... Dizia-lhe eu, para lhe atenuar os efeitos de uma lucidez inesperada: "Cuba é uma pequena ilha, cercada de tudo o que pode cercar um povo e o socialismo não pode ser construído num só país... "

Fidel abraçou todos o lideres que foram esperança, numa África onde os interesses manobram e dominam com o apoio de novas elites. Na América do Sul a situação é complexa. Resta-lhe pouco tempo de vida. Pouco, mas o suficiente para seguir todos os ensinamentos, mesmo quando estes assumem a forma de parábola ou de uma metáfora:

"É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

José Saramago, in "Viagem a Portugal"

09 setembro, 2010

Coisas que me fazem recordar meu avô, Joaquim Bento e Guerreiro (como eu)

Naquela festa que não há outra como ela, na Quinta da Atalaia, ouvi este poema entre acordes e vozes. Vozes do Alentejo. Recordei meu avô, meu mestre e uma outra quinta (que podem também relembrar aqui)

MESTRE BENTO

Mestre Bento, não encontro explicação
para a falta que me faz a cotovia
Não há canto que me fale ao coração
“Antes de se acabar ainda havia”

Mestre Bento, dou a mão à palmatória
não me lembro onde a águia pôs a cria
Será falta de pão para a memória
“Antes de se acabar ainda havia”

Quando falo aos meus botões
dos nossos tempos passados
o céu leva as orações
e a terra os nossos pecados

Mestre Bento, que é feito do gato bravo
que assustava os rapazes e fugia
Nem da toca eu encontro um alinhavo
“Antes de se acabar ainda havia”

Mestre Bento, a ribeira não tem peixe
onde havia para o “caldo” em demasia
Onde param, Mestre Bento, não me deixe
“Antes de se acabar ainda havia”

Quando falo aos meus botões
dos nossos tempos passados
o céu leva as orações
e a terra os nossos pecados


Música: João Gil (in Baile Popular - tá quase...)
Publicada por j. monge


08 setembro, 2010

Moçambique, causas remotas dos efeitos de hoje - 5

Ontem era a notícia. Se o aumento dos preços era pressão do FMI, foram necessárias vitimas do povo para o Governo moçambicano ter força para contrariar essa pressão. Os Governos dos países pobres tem cada vez menos força. Os povos... Os povos ainda podem ter (sobretudo se a usarem)

Curiosamente algumas das medidas tomadas seriam benvindas em Portugal. Julgo que sem a pressão do povo, o Governo PS (e quem se prepara para viabilizar o OE) essas medidas aprovadas ontem pelo Governo de Guebuza, não prevalecerão aqui. Quais? Veja aqui...

Resolvido o problema? Claro que não. O FMI apenas teve uma pequena contrariedade com este recuo. Voltará à pressão. O Governo? A Frelimo? Esses terão que relembrar e cumprir com as recomendações de alguém que, há 36 anos atrás, assim discursou:

"(…) O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper o homem mais firme. Por isso queremos que vivam modestamente com o povo, não façam da tarefa recebida um privilégio e um meio de acumular bens ou distribuir favores. A corrupção material, moral e ideológica, o suborno, a busca do conforto, as cunhas, o nepotismo, isto é, os favores na base de amizade, e em particular dar preferência nos empregos aos seus familiares, amigos ou a gente da sua região fazem parte do sistema de vida que estamos a destruir. O tribalismo, o regionalismo, o racismo, as alianças sem princípios constituem atentados graves contra a nossa linha e dividem as massas. Porque o poder pertence ao povo, quem o exerce é servidor do povo. (…) Os desvios da linha suscitam as contradições, as brechas por onde penetra o inimigo, o imperialismo e as forças reaccionárias. Para que se mantenha a austeridade necessária a nossa vida de militante e assim se guarde no sentido do povo e dos seus sacrifícios, todos os militantes da Frelimo que receberam tarefas de governação do Estado tal como no passado deve renunciar às preocupações materiais, nomeadamente aos vencimentos. É evidente que por maioria de razão não se pode tolerar que um representante nosso possua meios de produção ou explore o trabalho de outrem. Combatemos durante dez anos sem qualquer preocupação de ordem financeira individual, empenhados apenas em consagrar toda a nossa energia ao serviço do povo. Está é a característica do militante, do quadro, dos dirigentes da Frelimo. Como o fizemos sempre, de acordo com as nossas possibilidades, procuramos assegurar ao militante que cumpra uma tarefa, o mínimo de condições materiais indispensáveis ao seu trabalho, ao seu sustento e da sua família. Mas também não nos devemos esquecer que muitas vezes combatemos e vencemos descalços, esfarrapados e com fome. Sublinhamos ainda que, assim como fizemos guerra sem horário de trabalho, sem dias de descanso, nos devemos empenhar com o mesmo espírito na batalha da reconstrução nacional”.


Parte do discurso de Samora Machel na tomada de posse do Governo de Transição/1974

A forma como foi silenciada a boca de quem proferiu tão sensatas palavras e o esquecimento que se seguiu a tais recomendações e avisos, são causas não muito longínquas dos efeitos de hoje. Relembrando isso termino esta série de 5 posts, consciente de apenas ter aflorado várias questões que mereciam melhor aprofundamento...

Se quiserem continuar a acompanhar a evolução dos acontecimentos, podem seguir o trabalho de Carlos Serra. (não concordo com tudo o que analisa e escreve, mas é uma boa fonte)