09 maio, 2011

Falar a sorrir, no Dia da Europa sem escrever sobre o tema..

Acho que entendo porque a imprensa não assinala a data. Também não o farei. Pego da revista Pública de ontem, sem me apetecer ler os jornais de hoje. Na capa um destaque para "As elites já não estudam Letras - e talvez façam mal". Dspenso também esta leitura, por duas razões: primeira porque não perteço a qualquer tipo de casta; segunda, sempre abracei as duas culturas. Não concebo um humanista que não saiba de economia, nem um matemático que não associe ao teorema, um poema. Sei que é dificil e que a escola está cada vez mais distante de fazer essa simbiose desejada. Na citada revista sou atraído por um nome: Lygia Fagundes Telles e leio a entrevista:
- Ela dizia: "Lygia, você ri quando fala. Não ria quando fala. Não ria senão não te respeitam. Eu não tenho retrato rindo. Você ri demais. Fecha a boca!" E eu dizia: "Mas Clarice, eu sou risonha..." E ela: "Não, não dê risada senão não te respeitam."
Foi talvez a passagem que mais me fez pensar. Será que eu próprio, para ser levado a sério, tenho que deixar de rir, sorrir, brincar, rimar, ironizar, galhofar, avinagrar? Ou isso é só para brasileiro que passa o dia rindo o tempo inteiro? Sim só pode ser e não dá para alterar. Acho que o brasileiro sisudo, está de mal com o mundo (talvez como o português). Clarice sendo estrangeira via a coisa de outra maneira...

Clarice Lispector raramente sorria, mas quando o fazia ficava bem, como ninguém

14 comentários:

  1. Também sou apologista da simbiose entre as letras e as ciências... penso que é mesmo o que falta, entre outras coisas, aos alunos do secundário... bem, posto isto...
    Penso que a sátira, a ironia, as metáforas, transmitem bem a mensagem pretendida Rogério. Penso que nenhum leitor terá ficado com dúvidas do que pensa. Reservamo-nos é o direito de discordar, ou no meu caso, continuar indecisa e reluctante... mas não é por falta de alertas seus :) é resistência à mudança e desconfiança, própria dos desiludidos... Por isso, por favor continue a sorrir, rir, a avinagrar e o que mais quiser para ser ouvido e/ou lido, de preferência com um sorriso também por parte dos leitores! :) Pena que a Clarisse risse tão pouco... pena que seja muitas vezes preciso aos poetas, viverem a melancolia para nos presentearem com a beleza das suas palavras...

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  2. Rogério:
    Preciso da tua participação no desafio proposto no meu blog.

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  3. Rio muito no meu trabalho e todos me levam a sério. Tem a ver com personalidade. :))))

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  4. Se eu tiver que parar de rir para que me levem a sério, que se danem todos! Nunca pretendi ser levada a sério...
    Um grande bj querido amigo

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  5. Eu, cada vez mais, estou concordando com Clarice.
    Nada de ficar mostrando os dentes à toa, infelizmente. As pessoas nos confundem.

    Beijos, Rogério

    Carla

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  6. Como diz o brasileiro, tem hora pra tudo né?

    :))

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  7. Rogério,
    sorrir e rir sempre, nessa altura da minha vida até prefiro que não me levem a sério, rs
    Quando vi a foto pensei que ia falar da Lygia Fagundes Telles, gosto muito dos livros dela. Quanto a Clarisse só me deprime o quanto ela é citada e pouco lida.
    bjs e boa semana
    Jussara

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  8. Esta eurropa

    não referrendada

    não é para rir

    é uma farrsa

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  9. "O óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar."


    Lispector, Clarice

    in "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres"

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  10. Rogério meu amigo...brasileiro não passa o dia rindo e nem ri o tempo inteiro.. a relação lúdica do brasileiro com a vida tem sido inibida pela emergência de temas que doem os calos da nação.
    sorrimos mesmo, mais por meio de sobrevivência,desde o tempo dos ex-escravos que usavam o sorriso aberto, o toque sutil, a simpatia para se aproximarem da elite...desde cedo isso foi incorporado em nossa cultura e o brasileiro aprendeu a se virar rindo...

    espero que vc consiga o mesmo feito...de apesar do pesares não deixar de ter o bom humor avinagrado que expõe por aqui e por ai, certamente.

    e como diz um poeta das bandas de cá, "se você ficar triste que seja por um dia e não um ano inteiro, e que vc descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero"!

    e o mais importante, os risos dão lindos pés de galinhas e bigodes chinês! já que eles têm que vir, que seja pelas marcas do sorriso!

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  11. Sorrir é importante.
    Mas a Europa é demasiado ridícula para nos fazer sorrir...

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  12. Sorir é importante e as Letras tornam-nos melhores pessoas. O problema é que o negócio do munod hoje é mais números.

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  13. Isso é que era bom! Há muito a ideia defendida por Clarice, mas eu recuso-me! O riso ou o sorriso torna as pessoas humanas. Olhem o Cavaco. Com aquela cara de pau que não sabe o que é rir ou sorrir: será mais respeitado por isso? O riso, o humor é apanágio das pessoas inteligentes.

    Disse!

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