10 junho, 2011

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Mantendo-se, certamente no seu subconsciente, livrou-se da expressão "Dia da Raça", estando esta, contudo, sempre presente. No dia em que Portugal sobe para o terceiro lugar no risco de bancarrota, o Presidente frisou que as Forças Armadas são um investimento e que"mesmo em tempo de crise, "não [são] um desperdício de recursos" mas "um investimento de futuro", que permite ao Estado a "afirmação de uma vontade política própria". Mais tarde, depois do discurso de António Barreto, o Ministro da Agricultura que iniciou a ordem nos campos, o Presidente disse que era preciso aos campos regressar se nos queremos salvar. Contradição, não. Apenas a já habitual encenação. Camões? Camões desolado por seu nome dado ao dia ser pura fantasia, veio-me segredar um poema seu, que assim dizia:

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.

Luis Vaz de Camões-Desconcerto do Mundo