03 junho, 2011

Eleições? Só um filme nos pode salvar

A nova versão do filme, com argumento que me foi encomendado...

...será um libelo contra a sanha privatizadora, ditada pela troika.

Estava meio deprimido. A semana não tinha corrido nada bem. Depois das minhas incursões pelas denúncias sucessivas e quantificadas, resultado de políticas malvadas, que levaram os sucessivos governos à destruíção das frotas de marinha mercante e, também, da pesqueira, da agricultura e da indústria transformadora, depois disso tudo vem alguém e diz que a sua escolha vai nesses. Releio o programa que terão que aplicar e penso como pode isso ser... e nem argumentam que vão votar por razões determinadas pela razão. Não. Nada disso... As privatizações? Os transportes, a água... Meu Deus, a água... que mágoa. Eu que hà tão pouco tempo me insurgia contra os outros, agora vejo essa medida a ser acordada por quem menos esperava...


Estava eu assim, zangado comigo mesmo e com o mundo, quando surge o toque salvador do telemóvel. Atendo:


Eu - Sim? (digo em voz mais seca do que me estava a alma)
Uma voz - Rogério? (ouvi, do outro lado, aquela voz bem conhecida que teve o condão de me animar a alma)
Eu - Olá, que bom ouvir-te (disse, quase a confessar-lhe o meu estado)
A tal voz - Rogério, lembras-te daquele meu filme onde eu desempenhava o papel de falso carteiro, perito em obras de Shakespeare, numa apocalíptica terra devastada e onde acabo por descobrir o poder de inspirar a esperança e fazer crer ao povo, perseguido pela tirania,que o Governo do meu país tinha sobrevivido à hecatombe?
Eu - Claro, é um dos meus épicos mais queridos! Aquele em que a juventude assume os correios, como símbolo do Estado e como bandeira da resistência e cidadania, mobiliza o povo contra os opressores. Belo filme, onde te vejo liderar uma heróica rebelião para repor a paz e a justiça
Voz – Esse mesmo. Quero que tu me escrevas umas notas, tipo sinopse, para uma nova versão. O título provisório é “The portuguese postman”, mas estou receptivo às tuas sugestões. Podes?
Eu – Yeessss! (exclamei, com uma alma nova em folha, sem os anteriores vestígios de ferrugem)

… e lá combinamos data e local para o bate-papo em torno do meu argumento.

NOTA: Kevin Costner está mais atento à nossa realidade que a maior parte dos portugueses e até dos blogues que estou a seguir. Mas com o filme isso irá mudar... Com as eleições, teremos o cenário terrível que enquadrará o desenrolar das cenas. Pena que essas sejam reais...