25 junho, 2011

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (1)

As estátuas não implodiram. Muitos afirmam que nem irão explodir. Quase todas, ou a maior parte delas, ostentam um sorriso, frio, na pedra macia desenhado, esculpido. As mãos, quase todas, ou a maior parte delas, até as desocupadas e as mais famintas, bateram palmas ao rosto da bela mulher que sucedeu ao embuste. Homens de escuro, riscam das palavras publicadas uma, a "esperança", trocando-a por outra, a "eficácia", mais adequada à realização urgente das medidas ditas apropriadas e que estão escritas e foram assinadas mesmo por quem não tinha poderes para tal acto. Os outros, a parte restante, aquela que não sorri, aquela que rejeita vestir-se de pedra, resiste, acantonada na trincheira da palavra proscrita e omissa nos jornais. Outros insubmisso, uns tantos, agendam para data próxima a discussão de alternativas que poderão ser contra a corrente. No céu, que insiste teimosamente em manter-se azul, ainda não apareceram sulcos de arado mostrando as raízes das estrelas. No mar, também ele desejoso de arado, passam ao largo navios que se aprestam para levar guerra assegurando-se seu comando nesta mesma terra. Não, a imagem surrealista ainda não é a que mais se teme, mas a semana que passou encaminha-se rapidamente para ela, apesar dos alertas dos resistentes, dos gritos dos faroleiros alertando para o rumo que a barca leva e, também, dos avisos contidos nas sete últimas palavras que Cristo disse na cruz, ao som da desesperada harmonia de Hyden ....