31 julho, 2011

Homilias dominicais (citando Saramago) - 42



HOMILIA DE HOJE


"As palavras são assim, disfarçam muito, vão-se juntando umas com as outras, parece que não sabem bem aonde querem ir, e de repente, por causa de duas ou três, ou quatro que de repente saem, simples em si mesmas, um pronome pessoal, um advérbio, um verbo, um adjectivo, e aí temos a comoção a subir irresistível à superfície da pele e dos olhos, a estalar a compostura dos sentimentos (...)"

(José Saramago, retirado de um post da Sam - Pratododia:"Palavra" )


Há muito que, no que ando a escrever lá no outro lado, que não sinto "a comoção a subir irresistível à superfície da pele e dos olhos, a estalar a compostura dos sentimentos". Cheguei a parar por uns dias, julgando que a minha escrita, para me assaltarem as palavras certeiras, carecia de deixar decantar da poeira dos dias e, quando regressasse, seria mais fácil ir buscar tais palavras à procurada memória translúcida da alma. Parei e voltei. Nada feito e as palavras, daquele lado, parecem não lá chegarem por terem sido gastas neste. Também a poeira dos dias é cada vez mais espessa, razão de sobra para que a falta de palavras me aconteça. Tomo então a decisão de parar aqui.


Não suspendo totalmente esta "conversa avinagrada", mas virei mais amiúde. Vou ficar do lado de lá. Até porque o livro tem de ficar acabado em finais de Setembro...