28 julho, 2011

Poemas na praia (escritos para mim) - VIII

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"(...) as palavras saem de todo o lado. Coração e cérebro são os grandes responsáveis. Um irriga o outro e este converte a vivência em algo a transmitir. Os olhos e ouvidos são acessórios importantes. Mas, no fim de tudo, são as mãos as principais responsáveis pela existência das palavras dignas
(e das outras). Tudo o que o homem fez e faz, sai-lhe das mãos. As mãos são a génese da inteligência humana. Quem não fez nada na vida e humildemente não reconhece isso, não tem uma mão cheia de palavras que valham a pena integrar na comunicação humana sob a forma de um livro, de canção ou outra qualquer..." Ao escrever isto nem previa que a Lídia (Seara de Versos) me daria um dia a definição de mão, que tira e dá, sob a forma de Terra... Um poema para mim... assim:

TERRA
Do canto da terra
Sei o fruto, a polpa e a casca.
O refrão a entoar ternuras
Na voz dos pássaros.

Do seu pranto
Sei os homens,
As magras paisagens
De áridos futuros.

Alguns dizem: - bastam-me as mãos
Para fazer brotar fontes e rios
Outros porém,
De muitas sedes nascidos,
Bebem até à derradeira gota
As fontes e os rios
E dizem: - bastam-me as mãos
Para fazer brotar desertos.

Da terra sei a secura
E a interdição da água
Na véspera da lágrima.

--------------------Lidia Borges