02 julho, 2011

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (2)

As estátuas continuaram serenamente a fazer o que últimamente fizeram. Contrariando quem bem as esculpiu quiseram deixar de pensar. Querer tal é, reconhecidamente, esforço inútil. Ocupou-se então a mente com um pensar fútil, ou distanciando da dura realidade. Pensou-se numa dor fora da sua, mesmo que seja dor inventada, encenada, mas em sintonia com coisa ocorrida, pela perda de uma vida, num espaço público: a rua. Pensou-se que há reinos, reinos felizes, onde plebeias casam com príncipes. Pensou-se na oportunidade de ser muito rico, pela sorte de aceder a um prémio milionário. Pensou-se que tudo vai dar certo apesar da forte probabilidade de não dar. Perante uma noticia inusitada, as estátuas entreolharam-se inquietas, mas depressa regressaram ao estar de pedra ser. Quem ousaria posar como Rodin esculpiu? Se alguém o fez (e fez), nada se propalou e, fiquem a saber, quem viu fingiu não ver...