30 julho, 2011

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (5)

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Ninguém me convence que o que se passou nesta semana é o normal ciclo das marés. Ninguém me faz acreditar que a pedra não está là só por à vista não estar. Ninguém me venha dizer que as marcas do tempo não existem , apenas porque momentaneamente se deixarem de ver, omissas pelas vagas, para lá da rebentação das ondas. A pedra é a verdade e o tempo desenhado dá-nos o trilho da libertação do homem, ao longo da sua história. A rocha documenta a memória e a realidade não é o que se diz dela, mas o que ela é (independentemente da maré).
O turbilhão de noticias escondeu, qual pedra e marcas do tempo submersas, a realidade dramática que já é sentida por milhões de portugueses. Sentem mas não compreendem. A espuma entre vagas só atrapalha. As pessoas comentam, distraídas, outros horrores sem ligarem o que sentem àquilo que, horrorizados, observam. Como é dificil ligar as causas aos seus efeitos... Mas o mar começou esta semana a recuar e a próxima maré alta será mais verdadeira. Sem determinismo, mas respeitando as leis da natureza, sei que hão-de vir marés vivas. Serão outra coisa, depois de ser percebido que a pedra e as as marcas do tempo estão lá...

(ao longo da semana fui colocando poemas e videos - que ainda mantenho na coluna na direita - que documentam o que de relevante foi acontecendo e que vão "construindo" o verão do nosso descontentamento).

(Foto Praia de Vale Frades/Lourinhã, onde estive)