21 setembro, 2011

Segundo fontes próximas da NASA, o lixo cósmico vai cair em Portugal - Parte I

4.00 am  - À vista desarmada, no céu, não se via nada

4.05 am - O Almirante acordou assarapantado com o telemóvel reservado a tocar iluminado e a vibrar. Sem se alarmar, pois um Almirante, comandante da NATO, está treinado para não ficar alarmado, atendeu. A voz do outro lado, identificou-se. Era da NASA, do Centro Espacial e deu ao Almirante uns reduzidos 15 minutos para reatarem contacto na sala de comando operacional com todo o comando. O aviso era Laranja. O Almirante desligou, pegou no dispositivo de alerta e carregou no botão laranja. (se carregasse no vermelho, o alarme era geral e a sirene em grande chinfrineira tocaria até que a fizesse calar e não era o caso)
4.21 am - Todo o comando estava reunido, ensonado, mal vestido e pronto para o que desse e viesse. Foi reatado o contacto e passado a alta voz. A consola de visualização via satélite foi ligada e a voz que se ouvia pausada, ia dando as informações. O satélite que estava em queda e há dias a ser monitorizado, iria cair em Portugal. Foram dadas as coordenadas para 26 posições, tantas quantos os bocados fragmentados do lixo cósmico resultante do satélite UASR. O comando foi encarecidamente aconselhado ao sigilo mais reservado e foram dadas instruções preliminares nomeadamente que voltassem a estar reunidos, passadas três horas, para a confirmação das rotas e locais de colisão. Enquanto as coordenadas eram dadas as localizações correspondentes eram mostradas. Por cada uma, um coro de sonoro oh e noutra, a última, um ooooh!
7.30 am - O Primeiro-ministro folheava ávido os jornais da manhã procurando reacções à entrevista da noite anterior. A cada texto e foto, um sorriso largo. Quando passava a página, deparou-se com a da Ciência com a notícia da queda do satélite. Leu, (com o sentimento de estar a perder tempo): 26 bocados a cair entre o Canadá e a América do Sul e o maior bocado do tamanho de um autocarro. "Pudesse eu dirigir-lhes a rota e haveria de escolher acertar em cima de quem me anda a chatear. O maior, para já, devia cair em cima do Alberto João ou todos em conjunto na Grécia, talvez a ilha se afundasse de vez. Pimba e a crise acabava", era o que ia pensando... quando o télélé lhe interrompe o sorriso alarve e pouco televisivo que o pensamento lhe provocara. Antes de atender, leu quem ligava. "NATO - Oeiras". "Esta gente não tem maneiras" Vociferou incomodado pela interrupção da refeição matinal. Atendeu. Foi ouvindo e dizendo "Sim, comandante" e a dada altura, por gestos, pediu à sua prestimosa esposa que lhe desse algo que escrever e disse para quem lhe ligara "estou pronto para anotar, pode dizer". E ia anotando no mais fino linho branco da toalha rendada, as coordenadas das 26 quedas. Depois, seguiram-se recomendações e desligaram-se. Olhou a mulher e disse: "temos mais chatice". Vestiu o casaco e saiu para de logo voltar e recortar a parte da toalha onde tinha apontado as coordenadas. A mulher ficou calada a olhar consternada o buraco que ele tinha deixado.
7.40 am - Com a mão trémula ligou o número do costume e pouco esperou até ser atendido pela Agência Cliente. "Está, é o Fulano-de-Tal? Tenho aqui gravada uma escuta bestial" e deu todos os detalhes da escuta que ao Primeiro-ministro tinha feito toda ela a preceito só falhando as coordenadas de localização, em estado de impossível audição. Do outro lado ouviu "Grande furo". E era. De pronto acertaram os honorários daquele grande negócio...
7.58 am - Com intervalo de poucos segundos, as televisões e rádios suspendiam os programas para dar a notícia, que oriundas da mesma agencia, tinham texto igual. O lixo cósmico iria cair em Portugal e as fontes eram "próximas da NASA". Todos, sem excepção, prometeram próximos desenvolvimentos.
9.30 am - As agências não paravam. As de turismo e as de aviação. Por telefone, net e ao balcão. Uns queriam sair, com receio de o lixo nos toutiços lhes cair. Outros queriam entrar. Destes uns eram jornalistas outros turistas que tinha reservado destinos exóticos e queriam vir para Lisboa fotografar lixos cósmicos. Dos portos de recreio saiam as primeiras embarcações e iates com destino a outras partes onde o risco não se previa. Eram muitos os que se lamentavam do TGV ainda não existir. Era já difícil outros meios para poder fugir. Os motoristas de carros de luxo faltaram ao emprego... Tudo e todos estavam em desassossego. Excepto a vizinha do quarto andar, do prédio do Rogérito, a Dª Esmeralda e o dito.
9.40 am - A reunião de emergência do Conselho de Ministros começara, com atraso de 40 minutos (à espera de 3 ministros apanhados no aeroporto a partir para parte incerta). O Primeiro-ministro expôs a situação lamentando a fuga de informação e o clima de pânico que se estava a instalar. Abriu o farrapo da toalha de branco linho onde havia apontado as coordenadas enquanto o ministro da educação abriu o google earth. O Primeiro lia e o ministro procurava. Por cada local encontrado, um coro ministerial de sonoro oh e no último a ser encontrado um ooooh mais prolongado! No fim das 26 localizações, todos estavam prostrados sem palavras, eles, que tão palavrosos são...

Continua

NOTA DO REDACTOR: Qualquer possível aderência deste texto à realidade ou à evolução dos acontecimentos são meras e "trágicas" coincidências. A ocorrerem em qualquer parte e com vitimas, a continuação deste post será substituída por outro mais adequado.