15 novembro, 2011

A CPLP... Porque não faz parte de um Plano B? (2)

O mito de um Portugal periférico tem de ser desfeito. Dou meros contributos...
Na Europa, Portugal ocupa um lugar periférico. Diz-se que ocupa o cu do espaço europeu e foi com esse dizer juncoso que se convenceu, entre outros argumentos "demolidores", que a nossa economia não seria competitiva com uma base industrial forte e com uma agricultura desenvolvida. Os gráficos abaixo, mostram duas realidades que resultam do facto de temos embarcado no mito de sermos um país periférico e de nos termos rendido a politicas erradas em beneficio de quem agora nos apresenta factura pesada. A situação actual resulta disso, não daquilo que nos querem fazer crer:
Clique na imagem para aumentar                                                                               (dados retirados daqui)
O gráfico da esquerda mostra que a produção agrícola (2,7%) e a indústria (22,8%), estão no limite dramático das necessidades do consumo interno que é, será, satisfeito pelas importações. Não retirar daqui conclusões sobre de que forma esta realidade está ligada ao endividamento é embarcar, paulatinamente, na manipulação da realidade. O gráfico da esquerda mostra de que forma é que as exportações estão fechadas num quase único destino: a Europa em crise e com níveis de crescimento muito próximo de zero. 
Há outra realidade, menos falada, e que tem a ver, também, com periferias e politicas erradas ou omissas: 
Com a sucessiva perda de colónias desde a independência do Brasil até à queda do império colonial, Portugal passou de uma situação de sede de um espaço económico de poder mundial reconhecido, para uma situação onde, em  contradição com esse histórico, não se assume qualquer expressão económica, nem política. Tragicamente, diria. Se olharmos o gráfico acima, o Brasil não representa menos de 1,7% (integrado no Mercosul, com a Argentina, Venezuela e Paraguai) e os outros PALOP não chegam a 7%... Há um fosso abismal entre o apelo dos afectos e as relações económicas. Negociamos mais com estranhos, do que com os povos com os quais temos afinidades históricas, linguísticas e culturais. Portugal viu-se, assim, remetido para uma outra periferia, sem qualquer influência nem beneficio.
Que interesses impedem que Portugal reveja a sua maneira de estar e se assuma como país que não só pode contrariar os mitos das periferias que tem ocupado, como, fundamentalmente se  posicionar numa nova centralidade?
 É altura de Portugal se afirmar com uma nova centralidade, voltando-se, com politicas de ruptura relativamente ao posicionamento actual, para uma inequívoca estratégia de aproximação aos Países de Língua Oficial Portuguesa.  Outras economias e regiões do mundo veriam com agrado esse nosso passo. 
Porquê não considerar a CPLP parte integrante de um Plano B?