30 novembro, 2011

Fernando Pessoa - 30 de Novembro de de 1935.

Numa só morte se perderam tantos
e a falta que eles me fazem,,,
Suas palavras não minimizam
a ausência
de quem me olhava no olhar,
mas me atiçam, ainda, a esperança
e a lembrança
de que a certeza de ser não me irá faltar
Rogério Pereira

Sonho. Não Sei quem Sou
Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.
Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.
Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"