24 fevereiro, 2012

Vou sorrir à primeira pessoa que passar!

Sessenta e sete
Já são sessenta e sete vezes
que isto me acontece
Das primeiras vezes,
crescia-me um corpo
e uma alma
aprendendo
a falar um com o outro
de forma serena, calma. 
Mas tarde,
cabiam já alma e corpo no mesmo espaço,
começaram os conflitos e o embaraço
de ir amadurecendo a servir de juiz
num por vezes doloroso desaguisado
exercício de manter o equilíbrio
entre Minha Alma e Meu Contrário 
Foram tempos de tudo
De raiva, de luta, de ausência, de regresso
que não esqueço 
Vieram então tempos de esperança,
e de poupada alegria
(pois que desta nunca há abastança
e se dela gastasse a esmo por certo já não haveria) 
Chegado agora, ao dia de hoje
os três olhamos este meu rosto
Contamos-lhe as rugas,
umas leves outras fundas...
Estas aqui, na fronte, que tantas são,
são as dos desgostos, das incertezas e da apreensão
Estas, outras, na face, que muitas se atropelam
São as do sorriso, e é a alegria que revelam 
Minha mão as tacteia e afaga
ao mesmo tempo que as vai contando
E que coincidência, e que espanto
umas e outras somam o mesmo e tanto. 
Para as desempatar
Vou sair
E sorrir
À primeira pessoa que passar