21 maio, 2012

Choram-lhe os olhos, por dentro

(Foto retirada daqui)


Choram-lhe os olhos, por dentro
(razões para um poema)
Choram-lhe os olhos, por dentro
sob um céu azul
que se reclama inocente
e inimputável
A magra nuvem
passa ausente
esquecida da função
O vento mal se sente
Um dia de meados de Maio
De um Maio ora vermelho, ora tímido,
Um dia em que as  lágrimas se diluíram
nas bátegas da ultima chuvada
que há pouco se suicidara
na beira da estrada

Choram-lhe os olhos, por dentro
Mágoa?
Desgosto?
Impotência?
Raiva?
Explosão?
Ou um sentimento misto
de tudo isso
pela omissão
de um povo ainda omisso
na sua aparente submissão?
Neste momento,
choram-lhe os olhos, por dentro
Por dentro,
pois ninguém o verá chorar
Terá a face firme e limpa
quando um outro dia chegar
Rogério Pereira