15 maio, 2012

Esquerda livre? O quéqué isso?


O meu amigo Rodrigo (Folha Seca) é um homem desejoso de ver o que tarda em aparecer. Mal se acende uma luzinha, nem que seja, um "vaga-lume", pensa: é agora. Suponho que foi isso que mais uma vez lhe aconteceu ao ler um manifesto - Manifesto para uma esquerda livre - que de pronto subscreveu e me foi propor lá na minha página do facebook. Respondi logo ali, mesmo sem ler o tal manifesto, mas deixando-lhe a promessa de o ir fazer:
"Só o titulo me arrepia. Esquerda Livre? Livre da direita? Não me parece, pois é redundante com a própria identidade de esquerda. Livre de qualquer ideologia? Mas se é livre de qualquer ideologia, como combate a ideologia de direita? Denunciando-lhe a desumanidade? Mas isso é mera contestação sem avançar com os seus próprios valores... Livre de outra esquerda? Mas isso soa-me a divisão, que fazemos de uma esquerda livre que mete outra num gueto? Com todas estas interrogações, vou ler. Comentarei se for caso disso..."
Depois de ter lido, confirmo as apreensões. E nem comento. Limito-me a reproduzir o que outros já disseram e que subscrevo:
"(...) Fora de brincadeiras. Que vazio confrangedor. Tanta frase vã que, há anos, vejo escritas em diferentes colunas de opinião, emaranhadas numa coisa a que alguém resolveu chamar manifesto. Para todos os que, como eu, se irritam com o adiar da unidade de acção que PCP e BE têm de construir, estes manifestos fazem-nos perceber que tudo podia ser muito pior sem uns e outros. Não fosse a palavra “Esquerda” e “Direita”, todos os Camilos Lourenços deste planeta não teriam qualquer pudor em subscrever este manifesto." (Tiago Mota Saraiva, in 5 dias.net)

"Tiago, vi ontem o texto e a primeira ideia que me veio à cabeça foi exactamente esta: «Piscam o olho a todos os pedreiros-livres.» Não estou sozinha…" (Joana Lopes, num comentário lá deixado)