28 julho, 2012

Manta Rota: a Fernanda Câncio fez-me cair em mim, e regressei...


Tava eu jogando à bola, numa boa...
quando a Fernanda me fez regressar a Lisboa

Fernanda Câncio é uma jornalista. Uma boa, muito boa jornalista, daquelas que além de fazerem redacção, também  têm coluna de opinião. Não venho falar dela por ser bonita. Nem sequer de sua escrita. Venho falar da coincidência de ela ter colunado, um  texto marado que titulou: "Manta Rota". Não é que me acordou, a marota?  Estilo "Rogério, que fazes aí?". É que ainda tinha de fresquinho a leitura do excelente texto de Gonçalo M. Tavares...
Para melhor me explicar, decido citar. Transcrevo este pedaço, e admirem só o diálogo transcrito e vejam como ele tem a ver comigo:
"- Eu, por exemplo, quando estou prestes a dominar o mundo, a tê-lo por completo à minha mercê, quando estou a um segundo de ser rei, senhor, dono, mestre, chefe grande e máximo de todo o universo e de todos os bailes, sabe o que me acontece? Adormeço. Isso mesmo. Quando estou prestes a dominar o mundo, adormeço.
- Adormece?
- Sim. Bocejo e depois durmo.
- Isso é estranho.
- Pois não sei. Dominar o mundo sempre me aborreceu. Prefiro uma sesta."
Cito isto nem é por ser bonito. Nem sequer por ser bem escrito. É pela mera coincidência de o Gonçalo me ter apelado à consciência de eu, que quero mudar o mundo (e para tal, preciso de o dominar), estando quase, quase a conseguir, pimba!, ponho-me a fugir.
Não adormeço, mas vou de férias, com os netos, a ouvir contos da avó, com fadas e lérias...
O "herói" do Gonçalo adormece. Eu, vou para a Manta Rota. Assim o mundo não muda... Quando um gajo, como eu, decide mudar o mundo e se põe a cavar, o que é que vai mudar? Nada. E isso me alarma...
Mas o que é que isso tem a ver com o que a Fernanda foi escrever? Onde é que aconteceu o clique que me fez acordar e regressar? Eu passo a explicar. Explico com o texto dela, naquela parte em que chama salazarento ao salazarento e depois pede desculpa por ter chamado salazarento ao salazarento. Porque um salazarento só é salazarento se realmente o for e, para ela, não parece ser o caso do tal senhor... Um homem assim, como eu, não aguenta e tem de vir à liça dizer a coisa inteira. Diz a Fernanda, à sua maneira:
"...o uso deste qualificativo para um governante eleito democraticamente é um exagero e um insulto. Mas apelidar um discurso ou uma atitude de salazarenta não significa, é claro, dizer que o alvo da observação é antidemocrático ou visa impor uma ditadura; pode referir uma estética ou um referencial de valores. E muito mais relevante que a discussão sobre se Passos se inspira em Salazar é o que este seu discurso implica."
Com jornalistas assim, um gajo não pode ir de férias... Mas já cá estou!