03 setembro, 2012

O António Sampaio da Nóvoa é... um querido!



Sampaio da Nóvoa é um querido. Isto é, seu discurso é necessário e deve ser discutido!

A entrevista de hoje saiu escorreita e o pensamento fluído. Se fosse eu a ser entrevistado não traria as imagens poéticas que trouxe  ou se escolhesse as trazidas - as de um rio - não deixaria de enveredar por outras vias que ele não enveredou. Talvez citasse, em vez de Torga, Brecht, e reclamasse que as águas se tornassem revoltas respondendo à opressão das margens (*). Mas não fui eu o entrevistado e, assim, vejo-me obrigado a aceitar as regras  do jogo que Sampaio da Nóvoa joga. 

Da entrevista dada, fico com  muitas notas, mas destaco duas que refiro, sem usar as palavras por ele usadas: A primeira é que não é verdade que nos tenhamos que render à força bruta do tsunami e, mesmo perante ela, teremos que pensar o futuro, para além da resposta imediata. A segunda, é que o país só tem solução se tiver um projecto de reindustrialização, dentro de uma estratégia de desenvolvimento que Sampaio da Nóvoa caracterizou. Disse muito mais, mas me basta isto para poder afirmar que o Sampaio da Nóvoa é um querido.
Esperando que o video fique em breve disponível, recomendo a quem não o viu que o veja e escute e aqui, sim, cito Torga: "Os homens são como as obras de arte: é preciso que se não entenda tudo delas duma só vez." 

(*)"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.";