16 dezembro, 2012

Nações Unidas propõem renegociação da dívida: "Se Portugal não o fizer já, terá de o fazer daqui a seis meses, de joelhos", afirma Artur Baptista da Silva, o economista português que coordena uma equipa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento...

Imagem retirada daqui
Uma mentira muitas vezes repetida passa a ser uma irrefutável verdade. Uma verdade repetida mas insistentemente escondida, é verdade que não existe. Mas se a tal verdade consegue vencer o silêncio a que é remetida e aparece, repetida, de cada vez que aparece, logo é desvalorizada e apelidada de cassete. A pretensa verdade é que não há saída. A verdade desvalorizada é que há alternativa: renegociar a dívida.

A pouco e pouco vai-se desanuviando o nevoeiro. E todos os dias aparecem novas (e autorizadas) vozes. Todos sabem que o tempo conta, e o governo sabe que luta contra o tempo, tempo que muitos têm dado a contento. Tempo para refundar: refundar o Estado, refundar tudo o que nele puder ser refundado; refundar a saúde, refundar a escola, o ensino, a pensão do velho e o subsidio ao despedido; refundar o conceito de trabalho, o horário e o salário; refundar o tempo de lazer, refundar o sol e o mar, refundar aldeias, vilas e cidades até fartar. E se ao fim de seis meses ainda não se tiver tudo refundado, que se refunda o calendário pois é o tempo que está errado...



NOTA: A imprensa vai calando e retardando (tanto quanto pode) as vozes dissonantes. Neste caso o Expresso publica esta entrevista com mais de um mês de atraso sobre o discurso de Artur Baptista da Silva, dado a conhecer numa conferência que pode ouvir aqui.