13 dezembro, 2012

Poesia (uma por dia) - 16


sentido
... talvez te pudesse falar do inverso dos caminhos
dos escudos colocados
em que a pele não se atreve a respirar

e de como são livres todas as ilhas
e meus
entre os teus dedos
todos os aromas do caramanchão do jardim

talvez te contasse do arco-íris
dos dias macios
a anteceder os dias plúmbeos;
dos meus lápis de cera
do teu rosto que afago

da flor do cardo
a reflorir, noviça e vitalina, na noite escura

e desta luz cindida que ocupa o teu lugar
e (nos) ilumina...

talvez, por certo, ainda,
houvesse nos meus olhos, sereníssimos lagos,
à linha d'água,
lugar aos teus
dulcíssimos

- colo e desejo rasgado -,

se me és, inequívoco, sol e barca solar,
suprema nota,
aragem íntima e última, da harpa da vida...

Mel de Carvalho / Noite de Mel