06 dezembro, 2012

Poesia (uma por dia) - 9


Tateio a escuridão...nada vejo
No meu olhar há uma casa sem janelas...para lugar nenhum
Sombras pairando no tempo...desenhando os meus passos
Na penumbra da minha pele...são espectros de sombra e luz
Pairando sobre o meu corpo...amordaçando os meus braços

No lugar mais profundo da solidão...no mais ermo da vida
Na viela mais escura da noite...no deambular mais errante
Flutua a minha alma nos umbrais da escuridão... perdida
Entre o tempo e o espaço...no lamento dum eterno instante

Na bruma habitam os sonhos...no espaço breve do tempo
Num lugar recondito da noite...no regaço frio da ausência
Nesse abrigo perpétuo...crepúscular sonho de um momento
Em que me perco e me encontro longe da minha presença

Num lugar frio e distante...cai sobre mim a noite dolente
Adormecendo no meu corpo...sonhando nos meus braços
Pisando os meus anseios...anoitecendo a vida lentamente
Ecoando silêncios mudos...murmurando os meus cansaços

Nas minhas mãos prendo restos de nada...pedaços de mim
Farrapos de sonhos...fiapos de sal e mágoa no meu corpo
Pingos de chuva no meu olhar...pedaços de luar que perdi
Na lonjura onde caminho...esquecendo-me pouco a pouco

Tateio a escuridão...nada vejo...nem a minha alma encontro
Nem uma estrela fugaz que alumie um instante este caminho
Neste labirinto longo e profundo...na ausência do meu corpo
Onde vou tecendo tristemente a vida com os laços do destino