09 abril, 2013

Na era dos comentadores, o "euísmo" substituí o "achismo"...

Se antes a televisão manipulava pelas imagens, hoje distorce a realidade pela narrativa...
Antes, a realidade estava lá, mas era mostrada de forma manipulada. Viveu-se com a produção de uma opinião que desenvolveu o chamado "achismo". Todos nós (sim, até eu) nos manifestávamos através do que achávamos. Com o desenrolar dos tempos, o "eu acho que" ocupou o discurso baseado na "mensagem" televisiva, depois secundada na imprensa escrita. Mas "achar" ainda significava pensar, ter algum espírito critico, desmontar e tentar perceber...

"Euísmo" é uma palavra que acaba de ser inventada, com a chegada de uma enxurrada de comentadores. O "euísmo" é um "eu acho" sem se achar nada, por tudo ser achado por quem está (supostamente) bem preparado por achar por nós. É uma palavra avinagrada, mordaz. Parece colocar ênfase no "eu", mas que dizer exactamente o contrário. Significa a implosão do nosso individualismo que foi levado a um extremo mal conhecido: a negação do nosso eu.  Quando dissermos "eu acho" estar-se-a  a afirmar o que o comentador acaba de achar, senão esse, um outro qualquer, da enxurrada chegada...

Ao qu´isto chegou, já nem há rebanhos como havia dantes...