01 maio, 2013

1º de Maio, dia de luta e de comportamentos kafquianos


Tenho dado titulo de poema à palavra "Metamorfose". Em tempos kafquianos foi erro fazê-lo. Hoje, 1º de Maio, vou estar onde (quase) todos os amigos pensarão que eu vá estar. Vou, mas olho para o outro lado e fico arrepiado com a imagem de festividade anunciada, onde não falta nada. Folclore, bombos, atracções musicais e não sei que mais, como se em tempos de empobrecimento e de perda de direitos houvesse que festejar os sacrifícios tidos para os  conquistar. Diz-se sindicalismo independente. E eu percebo... e confirmo o entendimento de haver o meu e o outro lado:
"(...) Nos últimos trinta anos, a paisagem económica mudou. E, com o atraso habitual, mudaram os ingredientes sociais e a arquitectura política. Muita gente, entre os quais se conta uma multidão inumerável de pequenos e médios empresários, e, certamente, quase todos os dirigentes sindicais europeus, ainda julga que capitalismo e economia de mercado são a mesma coisa. Julgam que a impossibilidade de obterem crédito é uma coisa passageira. Consideram que a actual austeridade é da ordem da conjuntura. Esquecem que o sistema financeiro que não empresta é o mesmo que já custou 4 500 000 000 000 de euros aos contribuintes europeus, não contando com as operações de engenharia do tipo das swap, que acabam sempre no défice público. Os indicadores que nos chegam dos EUA, da Europa e do resto do mundo, incluindo a China, mostram que o capitalismo de hoje deslocou a sua imaginação da esfera da produção de riqueza, onde se revela cada vez mais incompetente e relapso de imaginação, para se concentrar com afã na redistribuição de riqueza disponível, concentrando-a nas mãos de uma superminoria, à custa do empobrecimento das classes médias e da fragilização do trabalho. Os sindicalistas modernos parece que já não lêem Marx, mas os super-ricos, esses, continuam a ser praticantes fervorosos da religião da luta de classes.Viriato Seromenho Marques, in "Metamorfose"