09 outubro, 2013

Poesia (uma por dia) - 59


À Dona Elite de Oligarquia SA
(Em verso eneassilábico)

Das migalhas que ao povo deixava
Dona Elite, pensando melhor,
Entendeu que era muito o que dava
E que, ao povo, sobrava vigor,

Porque, quando a migalha abundava,
Ele podia crescer, ser maior
E atraver-se a sonhar que mandava
Em si próprio, apesar de “inferior”…

Dona Elite, prevendo o pior,
Sem cuidar do que, ao povo, faltava
Foi comendo o que, a si, lhe sobrava;

Comeu pobre e criado e senhor
E, por fim, sem notar quanto inchava,
Engoliu quanto mundo restava

Até ver que mais nada, em redor,
Preenchia o vazio que gerava
E onde inútil, rotunda, orbitava

Em função do seu próprio fedor…

Maria João Brito de Sousa