20 janeiro, 2014

António Carlos Cortez - por cada poeta ou escritor que se cala, que venham mil com a sua fala!

POEMA 

Quando não esperas nada
não esperas nada

Quando não esperas nada
tudo acontece

Quando não esperas nada
o nada é certo

Quando não esperas nada
das leis do verso

Quando não esperas nada
porque esperavas?

Quando não esperas nada
lembras fantasmas

Quando não esperas nada
o som concreto
do poema cresce e tu recebes
lição de um nada em tudo

e recomeças
António Carlos Cortez

O poeta veio referido, distraidamente, por um jornalista inexperiente nessas lides de esconder vozes. Não será fácil remete-lo à omissão por qualquer chefe de redação. Ele andará por aí, e ninguém o irá calar. E não se esconderá atrás da sua obra, com o pretexto de falta de tempo...


 "...a poesia tem de ter uma dimensão de choque. Não tem de ser simpática, salvífica. Pois o poema é a tentativa de resgatar o que se perdeu. É uma obsessiva procura de dizer o real sem nunca o conseguir" 
 JCC hoje ao DN (indisponível para link )