08 agosto, 2014

Poesia (uma por dia) - 70


Neste espaço, um dia, limpei tudo o que à volta havia. Vídeos, gifts, selos, outros mimos e desvelos. O acesso ao meu espaço estava bloqueado, pesado, e as queixas sucediam-se. "não consigo entrar", diziam. Limpei mas não deitei fora. Estão guardados no baú das memórias e, por isso dispersos. A partir de hoje, coloco-os no espaço central e junto-lhe versos.
Vê se gostas, Janita
AMIGO APRENDIZ

Quero ser teu amigo,
Nem demais e nem de menos...
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te como próximo, sem medida...
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade,
Sem jamais te sufocar,
Sem forçar a tua vontade.
Sem falar quando for a hora de calar.
E sem calar quando for a hora de falar.
Nem ausente nem presente por demais...
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso:
É tão difícil aprender...
Por isso, eu te peço paciência.
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças...
Dê-me tempo
De acertar nossas distâncias!
Fernando Pessoa