12 setembro, 2014

Diário de um eleito (11)

Esta imagem tem exactamente um ano, foi em 10 de Setembro de 2013

Os pensamentos são como as palavras e estas como as cerejas: pegando num os outros são arrastados, que nem cachos. Eu explico: vindo de uma reunião de eleitos com responsabilidades nas diversas autarquias do concelho, tendo dado boleia ao Bruno, passei ao portão da Quinta dos Sete Castelos. Parei. Era noite e da casa apalaçada da quinta apenas se lhe adivinhava o perfil entrecortado pelo arvoredo e pelas sombras noturnas. Se não soubesse que existia aquela bela mas degradada casa, diria que a quinta teria o seu hectare e meio preenchido por árvores, matos e caniçais, nada mais. Relembro o tempo da luta para impedir que a quinta fosse infestada de prédios e da pressão da CDU e da população para manter aquela zona verde de Santo Amaro de Oeiras, como pulmão e espaço público. Relembro de, no ano passado, em conversa com o vice-presidente do ICG, o termos lembrado.  A Quinta veio a ser adquirida pela Câmara de Oeiras e o seu destino foi traçado (e, em 2006, anunciado) para residência de cientistas. Bom destino, mas parado. Parado e susceptível de vir a ter aquele destino enviesado, como frequentemente acontece...
E como os pensamentos são como as cerejas, atrás da Quinta vem outros anseios relacionados com os jovens cientistas, investigadores bolseiros e frequentadores de pós-graduações. É que em Oeiras são mais de um milhar, distribuídos por um importante cluster local. As questões? Foram todas anotadas. As soluções? Estarão todas paradas. 
Essa será uma das lutas futuras.
Até porque não adianta nada a nomeação de Moedas para comissário. Antes pelo contrário, ele continuará a política seguida. Aliás, a imprensa refere exactamente o que a CDU ouviu, em Janeiro passado, em declarações que nos foram prestadas por responsáveis das instituições locais: "há um problema estrutural a resolver no nosso país, a da dependência dos centros de investigação dos fundos europeus para a sua própria sobrevivência."  
É, também, contra  isso que temos que lutar. Como? Vamos ver! O que não podemos é ficar de braços cruzados a vê-los partir sem garantia do seu regresso...