25 outubro, 2014

Relembrando a arte de bem voar, precavendo grandes quedas e em guarda contra as aves de rapina...


Minha Alma dizia-me ao ouvido: "vê só como te olha, ele quer falar contigo", ao que lhe respondia "hoje não, não é o dia". E não foi. Porque a casa estava cheia. Porque as crianças o disputavam. Porque ele se concentrava noutras coisas. Porque era o dia dos seus anos... Mas um dia terá de ser, Minha Alma diz-me que terá muito para me dizer. E porque recordo um poema "antigo", aqui lho deixo, correndo o risco de me considerar repetitivo:

Instruções, para a arte de bem voar
Quando as asas atingem ampla envergadura
Quando o corpo atinge a apropriada altura 
Quando a mente começa à beira de se ansiar
Há que seguir o guia da arte de bem voar
A primeira regra é fácil de dizer, difícil de fazer
É treinar o olhar, para saber (sempre) onde poisar
É estar aberto à observação e ao aprender 
É educar a atenção, a inteligência e o pensar
A segunda regra, requer treino e ausência de medos
É perceber que pequenas quedas fazem parte da viagem
É não se deixar enredar em fáceis e distraídos enredos
E é  iniciar o treino, com persistência e coragem 
A terceira regra é já de laborioso exercício  de treino 
É escolher um ramo que não seja ameno poleiro
É escolher o que fique a distância curta para não falhar
E que as asas sirvam quase apenas para pousar
As regras seguintes, quase iguais, aumentadas de dificuldade 
Ramos cada vez mais distantes, cada vez mais em subida
No sentido em que se encaminha a vida...
E à medida que as asas ganham idade 
Quando se chega ao alto é que tudo começa
E a última regra de bem voar, é voar em bando
Distinguir a selva da floresta
E saber parar, de vez em quando 
Podes (re)começar!
Para ti Miguel, deste teu velho pássaro