08 março, 2015

Carta deixada pela Geni, no dia da chegada do Zapelim

(uma outra versão de uma metáfora, aqui deixada

Querido

As tuas cuecas, estão na sabonária
Basta passá-las por água
Na máquina ficou roupa a lavar
É só pô-la a secar
Tuas camisas estão penduradas
Ao lado das gravatas
No sitio onde costumo
Pendurar-te as calças

No frigorífico
Tens os restos do jantar de sábado
E tens as instruções do micro ondas
Onde isso costuma ficar guardado
A dispensa está bem abonada
Julgo não faltar nada

O aspirador fica fora do lugar
Pois nunca o irias encontrar
E, assim, está mais à mão
Usa-o a horas convenientes
Fora da hora da novela, na televisão

Não esqueças de pagar a água
Se não vêm cortá-la
Fica o que me restou do ordenado
Na mesa de cabeceira, do meu lado

Deixo-te dois livros meus
E um outro, teu preferido
Quando não tiveres com que entreter
Podes ler
Não sei quando regresso
Resolvi ir saciar o Zapelim  
Com um beijo me despeço
Geni