25 março, 2015

Uma tela, e o que inspira ela...


Sempre que encontro uma imagem forte ocorrem-me mais de mil palavras. E é este o caso. A pintura, obra colectiva de três pintores, fez povoar no mesmo espaço, figuras que estão associadas à marcha da humanidade, desalinhando-as no tempo. Das palavras ocorridas, recordo as não há muito lidas de António Lobo Antunes, que: Não percebo porque se perde tanto tempo a discutir o tempo, que não é nenhuma entidade metafísica, é apenas uma empresa de demolições. Pelo que entendo da bela frase, a marcha da humanidade não contém, para o autor, avanços civilizacionais ou a existirem a tal empresa de demolições (o tempo) encarrega-se de usar o camartelo e lá vai disto, tudo reduzido a pó como se o tempo tudo abalasse e destruísse. Quase como um recado: não construas, o tempo destrói.
Volto a olhar o quadro, e esqueço o reaccionário pensamento para lembrar outro, de Marx:
"Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem... a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos"
Excelente legenda para tão curiosa pintura.