21 abril, 2015

Ah, fossem o bem e o mal brincadeiras de crianças...

"Vamos brincar ao não-ser?" Perguntou-lhe ele e ela abanou a cabeça consentindo, mesmo sem saber o que era um "não-ser", nem as regras do jogo. Nem foi preciso pedir, ele explicou e definiu as regras e até as penalizações para quem as infringisse. "Um não-ser é um ser que existe sem se ver, pois cada um pode ser um não-ser sem se perceber que seja um não-ser". Ela olhou-o espantada, sem perceber nada. De qualquer modo quis ser uma fada, e ele consentiu. Depois ficou pensativo e decidiu ser um zumbi. Pegou-lhe na mão e foi pedir à mãe a adequada decoração. Com minúcia e arte cada um ficou pintado segunda a decisão tomada, ele zumbi e ela fada. Depois foram brincar. Ele fingia que tudo destruía, ela, a fada, que tudo reparava. Ele simulava que a todos matava, ela que a todos ressuscitava. Até que ele infringiu a regra que tinha definido de nunca fazer o bem, ao fazer uma festa à cadelita que quis entrar no jogo quando a regra era deita-lhe fogo. E logo ali tudo acabou. 
Ah, fossem o bem e o mal uma brincadeira de crianças!