19 junho, 2015

Mais uma minha sondagem errada (ou a pergunta que eu devia ter inquirido)

A Católica é reputada em estudos de... mercado. O mercado da opinião não lhe é excepção. A imprensa é cliente importante e atenta. Quando determinada tendência cresce, pimba!, a imprensa encomenda. Encomenda para saber orientar o que deve meter em primeira página, como deve criar sobressaltos e casos ou produzir omissões. É assim que tem acontecido. E tem assim funcionado.
Desde cedo percebi que tinha que concorrer com as minhas sondagens e fui-as fazendo utilizando sempre a mesma base e o mesmo modelo de dimensionamento das classes sociais que a Marktest segue. Essa orientação que vinha seguindo está prestes a ser desaconselhada por errada. Está de facto ultrapassada, mas para o efeito o erro até dá jeito.
Diz-me a Lei de Pareto: 20% vivem à custa da insatisfação, dor e empobrecimento de 80% da população. Assim, na minha sondagem de hoje há algo errado. Contudo, ela confirma o outro resultado publicado...
 
Imagens do estado de espírito de cada classe quanto à decisão sobre a sua votação (as classes que alguns querem no "centrão" andam, aflitas, com os programas do PS e PSD/CDS na mão)
Ainda pensei em sondar uma questão concreta, tipo "Se o bolo é maior, porque é que a sua fatia é mais pequena?", mas temi que os inquiridos por entendimento deficitário respondessem que sim e também com os seu contrário. Optei então pela pergunta básica:  Qual o sentido de voto? 
Vejamos os resultados e a sua análise:
  1. As classes A e B, cerca de 17,5% do eleitorado, estão mais radiantes que antes. Nem leram qualquer programa partidário, pois os partidos que assinaram o Tratado Orçamental agora apoiam a criação do FME, agora não iriam propor ou defender o contrário. Estão radiantes pois os paraísos fiscais ficam como eram antes. A quase totalidade tende para votar na coligação PSD/CDS, porque... merece.
  2. A classe C (C1, 24,9% + C2, 31%) andam numa roda vida e, tal como nas sondagens anteriores, a coisa anda distribuída entre o Passos e o Sócrates  Costa, com este a ser ultrapassado. Lêem programas, declarações, insultos, promessas e sermões e não perdem uma só cena do wrestling que passa nas televisões. Passam o tempo em aritmética, não na da economia nacional nem sequer na caseira. Fazem contas e previsões aos resultados e ao número de deputados. Quanto a alternativas, nem pensar pois essa coisa de reestruturar a dívida era logo para doer e, assim, vá se lá saber. Pelo menos até ao fim de 2011 2015, não acontece nada e cada um diz ter a data de férias já marcada...
  3. A classes D, 20,7% continua à rasca mas é firme em não aceitar esta situação. Uns até falam na necessidade do tal susto de que falava Saramago...
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    Ficha Técnica (esta): Foram inquiridos 9 milhões de portugueses, via telemóvel. Os desempregados viram as suas respostas anuladas para não dar um tom demasiado pessimista aos resultados globais. Foi aplicada uma metodologia assente nos critérios usados pela Marketest no que se refere ao dimensionamento das classes sociais. A análise de resultados segue metodologia própria designada por Marketista. Não tem nada de marxista embora, em sonância, o faça lembrar... curioso, nesta sondagem a taxa de resposta foi de 100%. 
A PERGUNTA QUE DEVERIA TER INQUIRIDO