29 julho, 2015

«Porque o PCP não quer ser poder?», perguntou-me ele


Não me passa pela cabeça falar da intimidade de um almoço, mais a mais tratando-se de um jovem quadro de um partido do governo, desalentado por o projecto em que se empenhara (e empenha) ter emperrado. Emperra, estrangulado pela burocracia e por mais um montão de dificuldades. 
O convite partiu dele, como resposta minha ao seu expressivo lamento: "o investimento é tratado com oportunismo, e os oportunistas são tratados como investidores"... A conversa, diversa e dispersa, aflorou um pouco de tudo. Os filhos dele, e as filhas minhas. Os avós. A educação e os valores. Os referenciais das crianças e como sabemos se as educámos mal ou bem. Depois, e porque as palavras são como as cerejas, falámos das motivações profissionais e as opções que temos de fazer na vida e o custo que isso tem. De vez em quando fazia um ó de espanto, mas acreditando no que me ouvia. Entretanto eu acreditava no que ele me dizia. 
Quanto ao que falámos de política, Jerónimo hoje fez um excelente resumo, em 19 minutos, do que eu lhe disse. Depois de me declarar, sem que lhe tivesse perguntado, qual ia ser o seu voto, lançou-me a pergunta sacramental:
Porque o PCP não quer ser poder?
Será, quando o povo quiser! 
(despedi-mo-nos sem que lhe dissesse que votar em branco nem será um grito de alma e combinamos novo almoço lá para Outubro)