31 março, 2015

"Nas mesas de voto, nas empresas e nas ruas, é urgente recontar cada voto, cada argumento, cada vontade."


 

Mudar o Mundo não custa muito, leva é tempo!

Joana de Vasconcelos, a obra obrada* e "A Arte Que Merecemos"

Cada regime tem os seus nomes sagrados... Na ironia despejada na espuma dos dias, no desencanto de um orçamento que não dá à cultura nem sequer um por cento, esperar que a arte irrompa com pompa não é uma boa espera. Mas se não é o que merecemos é o que temos. E é grande:

SETE METROS

Uma obra
obrada pela joana grande
só pode enorme
seja qual for a forma
que a obra obrada tome
(Só gostaria de saber
o que o personagem do Bordalo
dirá do galo)
Rogério Pereira

«...Todo o poder político tende a monumentalizar a sua ideologia, aquilo em que realmente acredita. Assim, escolher uma artista que produz obras de grande escala, feitas por grandes equipas coordenadas pela vontade central de uma iluminada, é monumentalizar uma certa forma de gestão e de empreendedorismo enquanto arte, e do artista enquanto gestor de objectos ou eventos de grande escala. Não é muito diferente da contratação de Souto Moura ou de Cabrita Reis para as barragens do Douro. Nestes casos, a decisão final é privada, mas a mensagem é a mesma: uma grande empresa faz-se representar por artistas-empresários. Escolher Joana Vasconcelos é dar a entender que o Estado é também ele uma grande empresa.
Depois, o modo como acabou por se escolher a artista, directamente e sem consultar os interesses do mundo da arte, ignorando instituições e comissários, por exemplo, também diz muito sobre este Governo.(...) E é claro que mesmo ao nível da forma, a obra de Vasconcelos é uma monumentalização do empreendedorismo enquanto estética. Construir obras de arte a partir de panelas não é muito distinto de vender conservas ou aguardentes gourmet. Agarra-se num certo produto, que até já foi indício de pobreza e torna-se aquilo num produto de luxo, exaltando a pobreza como uma espécie de desígnio nacional, e muito obviamente monumentalizando as políticas deste governo.»
in "A arte que merecemos"
_______________
* Obrar = cagar, defecar

30 março, 2015

Geração sentada, conversando na esplanada - 87 ("A Igreja, os comunistas e os silêncios em Dia de Ramos")

(ler conversa anterior)
"procurou(-se) a identificação daquilo que a Igreja e o PCP procuram no sentido de um país melhor, com mais justiça social, menos pobreza e menos desemprego, não se ficando apenas pela contemplação dos problemas, mas com intervenção concreta, junto das pessoas, dos cidadãos"
Jerónimo de Sousa, após encontro com D. Manuel Clemente

“O problema mais grave é não ter a possibilidade de levar o pão para casa, de o ganhar! E quando não se ganha o pão, perde-se a dignidade. Esta falta de trabalho rouba-nos a dignidade. Devemos lutar por isso, devemos defender a nossa dignidade de cidadãos, de homens e mulheres, de jovens. Este é o drama do nosso tempo. Não devemos permanecer em silêncio.”
Papa Francisco, citado hoje por Frei Bento Domingues

Não era a primeira vez que na esplanada bastasse uma pequena réstia de sol para que tudo se transformasse. A roupa foi pouca, a língua foi solta e não havia quem não conversasse. O rafeiro, estirado, abanava o rabo mesmo sem ser por agradecimento por qualquer festa ou atenção. O melro saltitava e o pombo procurava, insistente, o acasalar com uma pomba vistosa que por ali pousara. As flores, ao fundo, completavam o quadro.
"É dia de Ramos" lembrou o velho engenheiro para de seguida lembrar, com detalhes históricos, o significado do dia e que na versão sua determinaria a ocorrência de sexta-feira enquanto dia santo. "O poder sentiu-se tremer, com aquela aclamação à entrada de Cristo na cidade. O povo, ao tempo, era dócil e raramente se manifestava. O episódio da expulsão dos vendilhões do templo apenas foi a gota de água". Não respondi, apenas abanei a cabeça para lhe reforçar aquela certeza. A Gaby, que ouviu, não se conteve. "Acho que D. Clemente treme com as manifestações de rua e não percebo porque o secretário geral do seu partido valorizou o que lhe terá dito". Fiquei um momento calado, era pertinente a afirmação que, aliás, sublinhava o que eu próprio pensava de D. Clemente. Depois resolvi responder: "Não fossem os milhares de católicos que militam no meu partido, não fossem as palavras e os gestos de Francisco e, sim, teria sido uma visita desnecessária."

28 março, 2015

A Igreja, os Comunistas e os valores (que podem ser) partilhados por ambos os lados


O vídeo tem mais de três anos (Outubro de 2011) mas mantém toda a actualidade.
Mais recentemente, em 2013, na hora da resignação de Bento XVI, citei-o em palavras parecidas talvez a insinuar (eventuais) razões para ele resignar. Dizia ele que "A caridade supera a justiça, (...) mas nunca existe sem a justiça, que induz a dar ao outro o que é «dele», o que lhe pertence em razão do seu ser e do seu agir. Não posso «dar» ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justiça." Encíclica sábia onde aparecem escritas tais palavras, as quais, repito, terão contribuído para abrir as portas ao sucessor Francisco. Do que Francisco tem dito nada cito, por praticamente ser um desperdício de espaço. Todos o sabem. Todos o ouvem e é com compreensível espectativa que lhe seguimos as palavras e os actos. 
Por cá, não espanta que Jerónimo de Sousa tenha referido distâncias e identidades que podem potenciar ver católicos do mesmo lado da barricada ("Com as naturais diferenças que existem entre o PCP e a hierarquia católica, foi possível encontrar aqui pontos de vista comuns, formas de intervenção, a valorização de muito do sentimento de confiança e de esperança numa mudança, do valor da solidariedade, particularmente com os que menos têm e menos podem"[e o mais que pode ler aqui]).
Vem isto a propósito de hoje mesmo ter sabido, sem estranheza, que podemos (nós, comunistas) esperar a queda das barreiras do preconceito e juntar razões à razão e à justiça merecida por parte dos humilhados e ofendidos...
“Há 14 anos, o PCP avançou uma proposta em que defendia que as parcelas no regadio do Alqueva não deveriam superar os 50 hectares (...) seria vantajoso para a região se “os grandes proprietários arrendassem os seus latifúndios”.(...) A doutrina social da Igreja é clara: “A função social da terra está em oposição ao princípio do direito absoluto que ainda condiciona as mentalidades” e no Alentejo “há empresas agrícolas que são associais, e criadoras de pobreza”.
D. Vitalino Dantas, Bispo de Beja (aqui)

27 março, 2015

Do massacre, haverá quem se safe? Nem quem desliga se livra de os ter sempre em cima...


Não, do massacre ninguém se safa na audiência metralhada. A emissões são povoadas de "não notícias" e o total é um massacre: cerca de 12 horas de blá-blá-blá:
É a não-notícia o não ser oportuno dizer, porque os peritos vão reunir e depois é que vai ser.
É a não-notícia do livro que não chegou a ser pois não foi ele a escrever.
É a não-notícia de Portugal ir ser uma das economias mais competitivas do mundo à custa do empobrecimento que continua acontecendo.
É a não-notícia do dono disto tudo ser/não ser o culpado de tudo isto.
É a não-notícia de os culpados a incriminar serem os que foram espreitar a inocente lista (no dizer da ministra). 
A verdadeira notícia é que a mudança está atada! E essa, embora haja quem fale, é voz que de pronto se abafa.

26 março, 2015

A dona Esmeralda e a vizinha do 4º andar, a conversar - (25) [numa quinta-feira, que foi dia da rádio]

 


Vizinha do 4º andar (como se estivesse a lamentar) - Ó dona Esmeralda, o rapaz até fala bem, mas o assunto não me diz muito...
Dona Esmeralda (admirada) - Também ouvi... O assunto não lhe diz muito? Mas qual assunto? O de agora dizem uma coisa e antes quando podiam fazer aquilo que andam a dizer, diziam exactamente o contrário, e vice-versa?
Vizinha do 4º andar (com o mesmo ar) - Não, até aí entendi, e acho que ele fala bem, um chega ao poder e diz o contrário do que dizia antes de lá ter chegado... O outro faz a mesma coisa, propõe na oposição o que não quis fazer quando estava no poder. O que não entendo nem me diz muito é o outro assunto...
Dona Esmeralda (já um pouco virada) - Mas qual? Ah! mas esse é precisamente o assunto principal! Quem nomeia o Governador do Banco de Portugal é uma questão da treta, a questão que vale é quem manda a valer. O sistema só muda quando a vizinha entender!
Vizinha do 4º andar (sem se calar) - Pois, mas não entendo. E quando não entendo, desligo e digo que o assunto não é comigo!
Rogérito (interrompendo naquele momento preciso) -Pois eu ligo. Vamos lá voltar a ouvir tudo e tirar isto a limpo!

25 março, 2015

Uma tela, e o que inspira ela...


Sempre que encontro uma imagem forte ocorrem-me mais de mil palavras. E é este o caso. A pintura, obra colectiva de três pintores, fez povoar no mesmo espaço, figuras que estão associadas à marcha da humanidade, desalinhando-as no tempo. Das palavras ocorridas, recordo as não há muito lidas de António Lobo Antunes, que: Não percebo porque se perde tanto tempo a discutir o tempo, que não é nenhuma entidade metafísica, é apenas uma empresa de demolições. Pelo que entendo da bela frase, a marcha da humanidade não contém, para o autor, avanços civilizacionais ou a existirem a tal empresa de demolições (o tempo) encarrega-se de usar o camartelo e lá vai disto, tudo reduzido a pó como se o tempo tudo abalasse e destruísse. Quase como um recado: não construas, o tempo destrói.
Volto a olhar o quadro, e esqueço o reaccionário pensamento para lembrar outro, de Marx:
"Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem... a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos"
Excelente legenda para tão curiosa pintura.

24 março, 2015

SAPOnews, 12h01min, numa mensagem (ignorante e pateta) informava-me da morte do Poeta. Sapo parvo. Os poetas não morrem, a não ser na cabeça e nas mensagens dos não-Homens

Nota para não Escrever

Se o conhecimento é uma forma de escrita, mesmo sem palavras, uma respiração calada, a narrativa que o silêncio faz de si mesmo, então não se deve escrever, nem mesmo admitindo que fazê-lo seria o reconhecimento do conhecimento. Pode escrever-se acerca do silêncio, porque é um modo de alcançá-lo, embora impertinente. Pode também escrever-se por asfixia, porque essa não é maneira de morrer. Pode escrever-se ainda por ilusão criminal: às vezes imagina-se que uma palavra conseguirá atingir mortalmente o mundo. A alegria de um assassinato enorme é legítima, se embebeda o espírito, libertando-o da melancolia da fraternidade universal. Mas se apesar de tudo se escrever, escreva-se sempre para estar só. A escrita afasta concretamente o mundo. Não é o melhor método, mas é um. Os outros requerem uma energia espiritual que suspeita do próprio uso da escrita, como a religiosidade suspeita da religião e o demonismo da demonologia. A escrita - inferior na ordem dos actos simbólicos - concilia-se mal com a metamorfose interior - finalidade e símbolo, ela mesma, da energia espiritual. O espírito tende a transformar o espírito, e transforma-o. O resultado é misterioso. O resultado da escrita, não.
Herberto Helder, in 'Photomaton & Vox'

uma espuma de sal bateu-me alto na cabeça,
nunca mais fui o mesmo,
passei por todos os mistérios simples, e agora estou tão humano: morro,
às vezes ressuscito para fazer uma grande surpresa a mim mesmo,
eu que nunca mais me surpreendo:
sou mais rápido — (...)

Herberto Helder, extrato de que gosto in "Servidões";

22 março, 2015

Geração sentada, conversando na esplanada - 86 ("vemos, ouvimos e lemos/não podemos ignorar")

(ler conversa anterior) 
«...não ouvem, não vêem, não falam e quando falam não sabem».

«Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar»


Todos estavam como se a Primavera estivesse presente, mas o sol mostrou-se pouco colaborante... a manhã não estava a correr de feição, nem para o cão. O senhor engenheiro atrasara-se e os bolos estavam já esgotados. O último, aquele que estaria destinado ao rafeiro, uma das professoras o comprara e o que se passou a seguir entraria para a história da esplanada. Quando a professora se preparava para a primeira dentada, o cão entrou não se sabe se em pranto se em uivo de reclamação e só se calou depois de obter seu quinhão. Depois, recompensado, recolheu-se debaixo de uma cadeira para não mais se ouvir, nem ver, a manhã inteira.
Ficamos depois a comentar se o que tínhamos assistido não seria uma metáfora ao vivo...
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Actualizado, pelo comentário deixado pelo Bruno:
«O cão, ao contrário de muitos outros mamíferos, primatas inclusive, conhece e pratica a máxima: "quem uiva nem sempre ganha, mas quem não uiva perde sempre". »

21 março, 2015

Antes que vá embora este dia da poesia, deixo uma [que há muito não repunha]

(foi em Abril de 2012)


Saudação aos umbigos da nação
Passa-lhe tudo ao lado
Nada tem a ver consigo
Está louco e encantado
Com o seu próprio umbigo

Tornou-me assexuado
Basta-lhe o amor recebido
Está louco e encantado
Com o seu próprio umbigo

Canta, declama, fala e é escutado
Pelo seu mais velho amigo
Está louco e encantado
Com o meu próprio umbigo

Desdenha ou comenta com enfado
Os porquês dos caminhos que sigo
Está louco e encantado
Com o seu  próprio umbigo

Faz poemas e num verso bem alinhado
Com ele próprio parecido
Ficou mais que enfeitiçado
Com o seu próprio umbigo

Um dia, depois de por momentos se ter perdido
Reencontrou-se. Era ele. O próprio umbigo
Rogério Pereira

20 março, 2015

Poesia (uma por dia) - 76

Amanhã todos os poemas serão secos e lúcidos

Jeff Larson 
«Há dias em que desaba uma chuva terrivelmente oblíqua  sobre o Imaginário.  

O excesso de água invade-lhe os aposentos. Então é um desassossego porque, de um momento para o outro, diante dos olhos de quem quer ver, aparecem estrelas fundidas, pirilampos afogados, chamas nuas ardendo de frio, fósforos com as cabeças "em água" e outras fontes de iluminação completamente reduzidas a breu. Isto para não falar da indecência que é a realidade, sempre mortinha por existir, aproveitar o caos para se infiltrar clandestinamente no espaço da mente onde se (des)abrigam o infeliz  Imaginário mais a  Imaginação, sua delicada esposa. É um rugir de circuitos avariados, uma fumaça no ar, um cheiro a chamusco que faz estremecer o mais sóbrio dos poetas.

Mas hoje, felizmente, o dia veio cheio de sol e trouxe até um pouco de vento. Mesmo a calhar! Era ver os estendais cheios de nuvens risonhas, luas verdes e azuis, labirintos de vários tamanhos e feitios, fábulas tecidas em linho antigo e outras imagens falantes cheias de claridade a desafiarem o vento numa verdadeira dança (do ventre). 

Amanhã todos os poemas serão  secos e lúcidos.»
Lídia Borges, in "Seara de Versos"

19 março, 2015

Dia do pai? Claro! Mas por que diabo não deve ser, também, dia da rádio (num posto que deve ser escutado) - 4

  
  Faça como tem feito, o [botão] está aí, a jeito

Hoje o tema foi o tema que anda por aí. João Ferreira (talvez o único comentador não VIP) falou sobre o assunto, que mereceu ilustração a preceito. Maceta, com a sua caixa de pregos, elaborou uma ilustrativa imagem dos representantes dos VIP. 
Nem sempre é verdade que uma imagem valha mais que mil palavras...
Mas, se é surdo, ao menos veja.

E eu que estava já habituado a ser só assim, um dia de mim...


A obra é da mais miúda, (as outras usaram os canais mais tradicionais)

18 março, 2015

Contributos para a definição do tempo: MOMENTO (seja ele em que espaço for)


Momento?
Momento é aquilo que nos atinge por dentro
é a única fracção do tempo
que podemos parar
e guardar
Não envelhece, nem se esquece,
quando um momento nos acontece
(o vídeo ilustra isso,
e é tão bonito...)

17 março, 2015

É legitimo gostar do que fazemos, por isso aceitei um desafio

Minha Alma gosta de mim. E eu também!
Fui convidado, por um pássaro azul para participar de uma coisa a que chamaram Tag e... aceitei. Porquê? Há um certo narcisismo em gostar do que fazemos e afirmar "I love my blogger" não é para menos. A coisa tem regras, quem quiser segue-as:
1ª Convidar de 8 a 11 blogues, com menos de 500 seguidores para responder à Tag; 2ª Colocar o selo da Tag ( podem criar um ou usar o outro que lá está); 3ª Colocar o Blogue que deu origem à Tag (Papos de Estrelas); 4ª Linkar quem te indicou a Tag (Gracita

        
1- O que o incentivou a ter um blog? 
  Nunca há só um incentivo: primeiro, a rejeição dos momentos ociosos; segundo, o gosto de brincar com as palavras; terceiro, a necessidade de mostrar que a realidade é muito mais do que aquilo que colocam debaixo dos nossos olhos... 
2- Qual a importância do blogue para ti?
  O blogue é a coisa mais importante de entre as coisas pouco importantes que tenho para fazer. Pararei quando perder o sentido de tudo aquilo que foi atrás dito.
3- Quem te indicou a ter um blog?
A Minha Alma. Um dia, ela me disse: "escreve isso, caso não, amanhã já terás esquecido!"
4- Quais são os assuntos do blog?
Todos. Em qualquer assunto, há sempre algo que escapa ao mundo e então eu, ou comento ou mostro. Quando percebo que corro o risco de ser um chato, faço um "interregno para coisas belas" (hoje já são uma data delas).
5- Como você se sentiu ao ler o primeiro comentário?
Recompensado. Dizia assim «Parabéns! Mas se queres ser lido tens que escrever "curto e grosso"». Não lhe segui o conselho, escrevo fino e extenso. 
6- Quantos comentários você tem ao todo no momento?
20279! Muitos deles belos e a maior parte revelam cumplicidade. Também dou atenção ao comportamento das visitas...
7- Qual a meta deste ano para o teu blog?
  365 dias x um post/dia!

8- Até onde deseja chegar com o seu blog?
Até ele acabar. Não o mantenho por mero capricho ou desejo. Ele também é um acto de cidadania. 

(foi giro, fazer isto - faça também)

16 março, 2015

Brasil, compreender uma realidade em brasa... e o que lá se passou e o que lá se passa

Leu o DN? O Público? Pois! E quem lhe disse que isso é imprensa? Leia outra... esta, diversa!


 Paulo Henrique Amorim, ouvindo alguém do PC do B?
Que ousadia! Eis uma coisa que a Globo nunca faria!

15 março, 2015

Geração sentada, conversando na esplanada - 85 (José Gil, o pensamento doméstico e o seu inconfessado sebastianismo)

 (ler conversa anterior)
«...Não tratei da identidade portuguesa, penso sobre mentalidades que são transitórias por natureza. Não sei qual é a identidade portuguesa.(...) Sim, [deixei o marxismo] na juventude (...) A saudade não passa de uma beleza literária.»
José Gil, extratos de uma longa entrevista ao jornal i

A manhã clamava por um bom soltar de língua, mas parecia que ninguém se atrevia a tal iniciativa. As professoras, silenciosas, gozavam o sol. O velho engenheiro ficara-se de mão estendida com o pedaço de bolo pronto para quando o seu rafeiro se resolvesse a aceitá-lo. O cão teimava em trocar aquele mimo, que tinha como certo, pelos raios de sol que sabia irem ser efémeros. Eu lia o jornal.
O velho pousou o bolo, olhou para o que eu estava a ler e não se pode conter: "Profundo, o Gil". Sorri-lhe sem lhe responder. Ele percebeu que eu queria continuar e esperou até que acabasse. Aí, insistiu: "Profundo, não acha?" Respondi-lhe então, que não. Como ser profundo?, se ele reduz as coisas do mundo ao pouco que do mundo se dá a conhecer. É como se o pensamento se confinasse aos temas das primeiras páginas do jornais, e li-lhe algumas passagens para depois ser eu a interrogar. "Que pensa de um pensador que caracteriza as elites políticas pelo que dizem Passos e António Costa? E ainda por cima se retrata como um (mais um) sebastianista! Sobre ele, disse um dia que não se atreve a dissertar sobre valores, desafio-o a encontrar em tão extenso texto uma só ideia que não seja vaga", e sem esperar resposta, pedi à Gabi o iPad emprestado e procurei o que há pouco alguém me dera a conhecer.
"Emana do que lhe vou mostrar, um outro Mundo e esse é o do verdadeiro conhecimento, do saber, daquele saber que os filósofos deviam conhecer e que deriva da dialéctica da natureza. Ora veja:"

14 março, 2015

Perfeito Vs Imperfeito

Há momentos perfeitos, obras perfeitas e gestos que o são. Contudo, ninguém garante que não resultem de gente imperfeita. Diria mesmo que a procura da perfeição é uma perda de tempo. A humanidade mais ganharia em que os imperfeitos ocupassem melhor o tempo, reduzindo os momentos, obras e gestos imperfeitos e sobretudo despendessem mais tempo a entender as imperfeições dos outros.

13 março, 2015

Sexta-feira 13, em Agosto? Eu mostro!

A imagem é de uma Rogériografia antiga e representava um cérebro tenebroso. Hoje saiu igual e, tal como nesse dia, é sexta-feira 13. Mas não se pense que é por azar que esta "chapa" voltou a sair assim. Cérebros como este continuam a proliferar por aí e resultam da continuação de processos evolutivos educacionais complexos, desde há muito banalizados na sociedade em que determinados seres se continuam desenvolvendo. Como os links mesmo se funcionam não são usados, eu aqui lembro o escrito:
«É uma tristeza olhar para esta Rogériografia. Apresenta dois hemisférios praticamente iguais de um cinzento azulado próprio da grande maioria dos humanóides. Nada de zonas ocupadas pelos processos próprios de zonas verdes como são os lúdicos, das artes, da cultura, da observação, do amor, da amizade. Nada, zero, népia. Já por lá terão estado (todos os cérebros nascem iguais) mas foram definhando, definhando até à sua completa extinção. Por essa razão os processos de reflexão, de pensamento profundo e de acção consequente são dominantes, embora com tendência para se irem cobrindo e neutralizando abundantes processos de nível superior (como podem verificar na imagem, no hemisfério esquerdo). O ar circunspecto e o porte seguro dos portadores destes cérebros conferem-lhes uma presença credível e séria pelo que aparentam ser um cérebro normal embora não o sendo.
A inexistência de processos verdes retira a este cérebro qualquer capacidade de produzir alegria e felicidade ao seu redor. Todas as suas manifestações são de aparente bom humor dada a sua elevada capacidade de mistificar comportamentos, mesmo quando está confrontado com as situações mais adversas. Não perdendo tempo com ninharias sabem ocupá-lo trepando e tramando.

Na vida familiar tem um papel muito protector mas autoritário. Dá grande valor à educação mas, contraditoriamente desvaloriza leituras elevadas. Os filhos só frequentam colégios particulares e, quanto a artes, permite-as desde que não desenvolvam ideias. Assim, valoriza tudo o que é contemplativo ou sensitivo. Quanto aos pais, lembram-se deles e colocam-nos em razoáveis lares ou mesmo boas residências para seniores que visitam com equilibrada frequência…

Vida profissional? Estão na maior. Senhores de elevada capacidade verbal e até com dotes de oratória, ascendem facilmente na carreira chegando, na sua grande maioria a lugares do topo, chega qual for o ramo da actividade ou o sector. Frequentemente tratam os colegas como ferozes concorrentes e, à semelhança de outros cérebros anormais, usam as falsas verdades como patamares de trepadeira mas... arrepiam-se só de pensar que alguém possa comentar que começaram graças a uma valente e influente “cunha”. Gabam-se com frequência da sua brilhante carreira académica. Uns ostentam mestrados, outros até doutoramentos. Fazem-no mesmo quando não possuem mais do que o ensino básico (e conseguem ter crédito).
Actos cívicos? Sim, mas são imprevisíveis! Tanto acontece haver cérebros destes alinhados e militantes, como os podemos ouvir discorrer sobre o valor dos políticos, amesquinhando a sua actividade parlamentar ou autárquica. Votam sempre e o seu comportamento é, também neste domínio, muito parecido ao cérebro descrito no meu “relatório” anterior: votam sempre nos "aqueles" mas também votam noutros que se pareçam muito com "aqueles"...»

11 março, 2015

O "acordo ortopédico" e a "Receita pra Lavar Palavra Suja"

Ainda este meu espaço era um ginásio onde gozar e desfrutar o prazer lúdico da escrita, eu escrevia  que as palavras me saíam do corpo e que a Minha Alma só atrapalhava. Nessa altura, tomei a resolução de enveredar pela intensiva (mas ainda lúdica) missão de chamar ao ginásio, depois convertido em templo, as palavras de Saramago. Vai longe esse tempo em que vislumbrava que o envelhecimento das palavras se traduzissem numa concentração da sabedoria que, tal como o vinho, se refinam com o passar do tempo. 
O acordo "ortopédico", como lhe chamaria alguém a quem as palavras certas incomodam, veio atrapalhar-me a missão da procura das palavras-adubo, palavras-semente e de lavrar a própria terra onde as lançar.
Escrevo pior, muito pior. Sempre que escrevo, vem o corrector segredar-me, que essa palavra está paraplégica. Se não ligo e prossigo oiço-o mil vezes a rejeitar-me o texto, essa está manca, essa foi de maca, essa paralítica... é demais, irra! Todas as palavras, das pesadas às que portam asas, adoeceram irremediavelmente. Do outro lado do Atlântico também há queixas, mas não consta que tenham sido infestadas por tais doenças e, por outro lado, encontraram receitas...  

08 março, 2015

Carta deixada pela Geni, no dia da chegada do Zapelim

(uma outra versão de uma metáfora, aqui deixada

Querido

As tuas cuecas, estão na sabonária
Basta passá-las por água
Na máquina ficou roupa a lavar
É só pô-la a secar
Tuas camisas estão penduradas
Ao lado das gravatas
No sitio onde costumo
Pendurar-te as calças

No frigorífico
Tens os restos do jantar de sábado
E tens as instruções do micro ondas
Onde isso costuma ficar guardado
A dispensa está bem abonada
Julgo não faltar nada

O aspirador fica fora do lugar
Pois nunca o irias encontrar
E, assim, está mais à mão
Usa-o a horas convenientes
Fora da hora da novela, na televisão

Não esqueças de pagar a água
Se não vêm cortá-la
Fica o que me restou do ordenado
Na mesa de cabeceira, do meu lado

Deixo-te dois livros meus
E um outro, teu preferido
Quando não tiveres com que entreter
Podes ler
Não sei quando regresso
Resolvi ir saciar o Zapelim  
Com um beijo me despeço
Geni

07 março, 2015

Apecia-me falar de um 94º aniversário mais directamente. Ou falar-vos hoje das ruas, que se encheram de gente... Contudo, descobri que há prendas que inadvertidamente surgiram, e aparecem...(sem que muitos se apercebessem)


Da dialética, guardo a imagem de como o homem se tornou gigante e um poema. A mão desenvolveu-lhe o cérebro e este permite-lhe compreender o universo e lutar contra tudo o que à Humanidade é adverso. Parece que relembrando isto não estaria a falar do jornal Público e da escolha, no seu aniversário, destinar mais de 100 páginas para falar do Espaço e do Tempo. Do Espaço e do Tempo, mas escrevendo a redacção que a edição tinha tudo. E não tinha. No tempo, foram colocados os marcos (espaços) ao longo de tantas páginas que ignoram o percurso da marcha humana, da dialética da natureza. Ler mais de 100 páginas é imensa obra para quem o tempo não sobra. 
Contudo, leitura mais atenta permite-me concluir que se era essa a ideia, ela viria a ser traída. Traída por aquilo que qualifico como sendo uma prenda. Refiro-me à entrevista a Vitor Cardoso, cuja leitura recomendo (não desista e vá lendo):

"...Não nascemos escravos de um Universo que já cá estava. Pelo contrário, evoluímos com ele.(...) De qualquer forma, daqui a cerca de 4000 milhões de anos a nossa galáxia, a Via Láctea, vai colidir com outra, a de Andrómeda [e o nosso Sol estará a morrer daqui a 5000 milhões de anos]..." 
 ... e logo me ocorre outra citação que aquela actualiza e reforça
“o mundo forma uma unidade por si mesmo e não foi criado por Deus nem por nenhum homem, mas foi, é e será eternamente um fogo que se acende e se apaga de acordo com as leis [da dialética]”
Não admira que Baltasar Sete Sóis ajude Vitor Cardoso a construir sonhos...

06 março, 2015

E nem diga que desliga, que nem os ouve ou vê ou lê. Eles estão lá, o tempo todo... e se tem a TV ligada, nem precisa escutar nada, basta que oiça e a mensagem subliminar passa. Estão lá!

(publicado hoje na Noticias TV)
Para a manipulação resultar é necessário que a informação seja dada segundo a estratégia recomendada. Mas há uma regra transversal seja qual for a estratégia. Tal regra determina que apareçam, mesmo que nada acrescentem ao que já há muito venham dizendo ou mesmo não tenham nada para dizer. 
Há, contudo, no desenvolvimento do exercício deste "quarto poder" (que por acaso é uma mulher) uma formula de resultados bem testados, e é assim: caso se exiba alguém que se quer ostracizar, a receita é não exceder esse alguém a exposição pública mais de 40 segundos. O tempo recomendado deve até ser inferior, pois está provado que um espectador desatento leva entre 15 a 20 segundos para se reconcentrar e outro tanto para começar a entender o que se está a dizer. Quando aparece alguém que não costuma aparecer, você dá por isso e quando começa a dar atenção, pimba foi-se. Lembre-se de um exemplo recente.
Detalhe do ranking
O Costa é, em tempo contado, o campeão:
 4h 11min 40 seg <> 252 min/7dias da semana = 36 min/dia
Alguém se lembra de coisa relevante que tenha dito?
Alguém se lembra de algo de relevante que tenha calado?

05 março, 2015

Quinta-feira, dia da rádio (num posto que deve ser escutado) - 2

 

  Faça como na semana passada, já sabe que isso aí é um [botão] para ouvir, clique-lhe!
Ah, e não fique pelo caminho, o que não se sabe aprende-se ouvindo. 

04 março, 2015

03 março, 2015

A ignorância assumida, sem humildade que a redima

Porque me pediu, partilhei a mesa com agrado e ele agradecido ofereceu-me um café, que aceitei. Falámos sobre o que estava acontecendo e ele lamentava-se. Eu retorqui-lhe que há seis maneiras diferentes de ordenar uma série de três, recordando que na vida há muito de cálculo factorial e que o remédio era jogar com esse conhecimento. Olhou-me de frente, despido de humildade e soltou um "Não sei nada disso!" Levantou-se e foi-se. Depois dessa conversa, quando se cruza comigo, o que acontece frequentemente, nem me dirige palavra, como se me odiasse por lhe ter lembrado uma simples expressão de cálculo: "há seis maneiras diferentes de ordenar uma série de três elementos" 

02 março, 2015

Prometi vídeos, e aqui estão - 2