31 agosto, 2016

Dilma: "Esta história não acaba assim!"


"Dilma - The end" é um título lido por aí semelhante a tantos outros lhe dão por destino o silenciamento e a resignação como se a têmpera (e o passado) desta mulher aceite tal humilhação.

Num discurso feito há pouco, Dilma é clara:
"A descrença e a mágoa que nos atingem em momentos como esse são péssimas conselheiras. Não desistam da luta."
...e finaliza citando um poema de Maiakovski:
”Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta.“

30 agosto, 2016

O que aproxima "Tiradentes" de Dilma?


“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa?”interroga-se Marx. E perdura a interrogação perante a farsa do julgamento de Dilma e a memória que nos liga ao percurso do povo irmão, com a execução trágica de Tiradentes.
Ligação excessiva e sem sentido?
Dilma não será esquartejada no corpo, os tempos são outros. Mas... e na alma?

Tudo isto a propósito de um texto longo, (leitura adversa para que passa com pressa...)

29 agosto, 2016

Se o Chico confia... quem sou eu para não confiar em Dilma?


Chico é meu irmão, não de sangue mas de alma e... ambos trazem a alma na cara!
Mas se desconfia veja a radiografia ou limite-se a tomar o peso do seu passado. 
Disse ela, olhos nos olhos, no senado:

28 agosto, 2016

Uma Festa renovada erguida por um grande colectivo (rejuvenescido)

 «Saudação a todos vós, aos construtores, aos que organizam, arquitectam e projectam, aos que divulgam a Festa do Avante!, que vendem as EP - Entradas Permanentes e elevam a sua militância, e a transformam numa realização humana ímpar, na Festa da juventude, na Festa de Abril e dos seus valores políticos, sociais, culturais, de fraternidade e solidariedade internacionalista onde há espaço para todos os que vêm por bem. (...)
Com as jornadas de trabalho a darem o impulso determinante, que não é visível, realizaram-se movimentações de terras, construiu-se uma nova vedação, e uma nova entrada na Festa, colocaram-se de raiz todas as infraestruturas de energia de iluminação pública, de águas, de esgotos, de comunicações. Construímos novos arruamentos transportando e colocando lancis a pulso, plantámos novas árvores, preparámos o espaço para a implantação das organizações e espaços centrais, construímos uma novo espaço criança. De ano para ano teremos uma Festa melhor. Sim, o trabalho sempre foi fonte de realização do ser humano, mas este trabalho, este empenhamento militante tem um significado mais fundo. É constituído por homens, mulheres e jovens que pagando a sua EP para entrar, constroem a Festa do Avante!, disponibilizando-se para as tarefas dos três dias em que se realiza, sentem-na como obra sua partilhada com milhares de visitantes, delegações internacionais e onde sobressai a participação imensa da juventude.(...)
 Jerónimo de Sousa, ontem, na Atalaia

27 agosto, 2016

Burkini vs. bikini

«Se eu fosse em bikini para uma praia desses países muçulmanos, o que será que me acontecia?!» A pergunta é da Graça. Eu lhe respondi "nada!" (É curioso como se toma a parte pelo todo.)
Sobre a Síria, ainda, recordo o que aqui escrevia pois o que por aí corre é bem o que nos querem fazer querer.
E sobre a vida na Síria? Veja-se o que por lá (há pouco) acontecia...

Vídeo publicado a 17/09/2013

25 agosto, 2016

A nobre arte de pregar um prego

Com ajuda, aponta-se....
...dá-se uma pequena martelada...
...depois mais duas ou três...
...e a tábua fica pregada!
Com muitas e variadas artes
Umas mais
Outras menos
Difíceis quanto esta
À imagem de um mundo novo
E se ergue a nossa Festa 

24 agosto, 2016

A guerra na Siria e a manipulação (desde as "montagens" à "representação")

Manipulações:
«A BBC enfrenta críticas após “acidentalmente” usar uma foto tirada no Iraque em 2003 para ilustrar o “insensível massacre de crianças” na Síria
O autor desta fotografia, Marco di Lauro, disse que quase “caiu da cadeira” quando viu a imagem. Relatou que ele estava “espantado” com o fracasso da empresa para checar suas fontes.
A foto, que realmente foi tirada em 27 de março de 2003, mostra uma criança iraquiana saltando sobre dezenas de sacos brancos com esqueletos encontrados no sul do deserto de Bagdá.
No entanto, foi publicada esta segunda-feira no site de noticias da BBC com o titulo “Massacre Sírio em Houla é condenado enquanto a indignação cresce.” A legenda afirma que a fotografia foi fornecida por um ativista e não pode ser verificada de forma independente, mas diz que “acredita que mostra os corpos de crianças em Houla à espera de serem enterradas”.
Um porta-voz da BBC disse que a foto foi retirada» - ver noticia aqui
«Pelo que se vê, para alguns é certamente fácil: se tira uma foto distribuída por uma agência de notícias que reflete uma cena cotidiana em alguma cidade Síria (se puder com um bebê nos braços, melhor), pegue o Photoshop ou algum programa similar de retoque fotográfico, desapareça com o fundo original e sustitua pelo cenário de um bombardeio. E “voilà”, aqui temos uma cena dramática que dará a volta ao mundo.» Ver noticia aqui
 

Encenações:
«Omram Daqneesh um de dois jovens, de 5 anos, foi fotografado e dele feito um vídeo numa ambulância, apresentada como vítima de um suposto bombardeamento russo em Aleppo oriental. A Rússia negou ter feito esse ataque. Mas ambos os suportes permitiram a sua difusão pela imprensa e televisão. A cena é tão dramática que a locutora da CNN, Kate Bolduan, não pôde deixar de chorar quando o viu. Quem esteve atento terá verificado que a criança é observada não por médicos ou enfermeiros que em situação emergência que administram os primeiros socorros, mas pelos "Capacetes Brancos" da Incostrat que o sentam de frente para quem está a captar a imagem...

Os encenadores britânicos não trataram da criança, apenas se interessaram por ela para fazer as imagens. De acordo com a Associated Press, a fotografia foi tirada por Mahmoud Raslan, que também é visto no vídeo. De acordo com a sua conta do Facebook,  é membro de Harakat al-Nour al-Din Zenki (apoiado pela CIA, que lhe forneceu mísseis antitanque BGM-71 TOW). Também de acordo com conta do Facebook, confirmada por um outro vídeo, foi ele que, em 19 de Julho de 2016, mandou executar uma criança jovem palestiniana, Abdullah Tayseer al-Issa, de 12 anos.
As leis europeias são rigorosas quanto à utilização das crianças na publicidade mas, pelos vistos, isso não se aplica aos cenários de guerra.» Ler texto aqui

Para saber mais, porque "o saber não ocupa lugar"... faça clique

"Águas de Temer", uma réplica a valer!

22 agosto, 2016

Opções

50 anos festejados na intimidade, foi uma opção.
Há quem congregue toda a prol, marque tal marco com evento alargado e farto, nós não.
Festejámos a memória que nos trouxe aqui. Tudo o que resta, e é tanto, foi consequência de uma opção. Podíamos não ter casado, e este futuro realizado teria sido outra coisa...
A vida é feita de opões?
É, pois!

Se não, vejamos:


Entre o ir e o ficar, um dia decidi ficar...


Entre o mar, a pedra e o olhar, escolhi o olhar...


Entre a memória e o esquecimento, guardei todo esse tempo...


Entre duas gaivotas, escolhi a que voava mais alto...


Entre a cerveja e a sangria... escolhi a que ela mexia
(as ostras estavam uma delícia)

20 agosto, 2016

50 anos? Ena tantos!

Qual o segredo para aqui terem aqui chegado?
Mas... há tanto que tudo isso foi explicado:
«...faço profundas reflexões em torno das atracções entre almas. Nos meus laboratórios das almas e da física tenho pesquisado e encontrado o mesmo tipo de resultado: Almas de sinal diferente é que se atraem. Um, sem muito procurar, encontra no outro coisas de espantar. A surpresa e o pequeno segredo revelado são de mútuo agrado. O que uma alma não faz, faz a outra e vice-versa. Completam-se. A atracção é permanente e a relação duradoira, pela vida fora. Discutem, discutem, discutem. Quase sempre não há acordo mas aceitam-se um ao outro (caso se respeitem, sendo o respeito uma regra básica e exterior à própria física das almas)»
Escrito em Abril de 2011, a propósito de coisa nenhuma

18 agosto, 2016

Fogos & Negócios (final)

Depois dos meus escritos aqui, aqui e aqui, fecho esta série (mas não fecharei o tema) transcrevendo um texto (porque vale a pena):

As árvores não embelezam apenas a cidade. Constituem o seu órgão vital. 
Uma cidade sem árvores nem jardins não passa de uma necrópole
Gonçalo Ribeiro Telles
.
«Portugal é o país europeu com mais “área ardida”. Somos os campeões europeus da terra queimada. Isto não é, receio, mais uma táctica defensiva que nos há-de levar à vitória. Trata-se, pelo contrário, do efeito visívelmente desastroso de uma opção idiota (este género de opções nunca dão resultados brilhantes) - a política do eucalipto:"desde uma campanha de 1930, que visava arborizar o país com pinheiros e eucaliptos para aumentar o Produto Interno Bruto, que a mata tradicional portuguesa começou a ser prejudicada»

Isto disse Gonçalo Ribeiro Telles citado pelo Fernando Campos que lhe acrescenta texto seu. Leia o que ele escreveu lá n´O Sítio dos Desenhos.

17 agosto, 2016

Ela é que merece uma medalha...


Era o tempo em que olhávamos os jogos com outros olhos, sem termos a verdadeira medida do esforço necessário para se ultrapassar os limites do corpo, para se atingir o inatingível já que este, ao longo dos tempos, foi sendo sempre atingido e até ultrapassado. Hoje o que se diz e escreve sobre Simone Biles não lhe incute, a ela, saudade dos tempos em que harmonia da ginástica artística a motivava ao treino, ao trabalho disciplinado, num prazer lúdico que era reconhecido, ele também, pelo aplauso publico. Publico pouco avesso à observação das pequenas ou grandes falhas e incorrecções, que a alta competição não desculpa. Publico frequentador de um clube de bairro em Campolide, no inicio dos anos sessenta (e tantos assim havia).

Com isto diminuo o ouro de Simone Biles? 
Nem pensar! Tenho tanta admiração e espanto como o da comunidade cientifica que lhe estuda a flexibilidade, a energia, a velocidade, a força e a anatomia. 
Simone é de um outro  mundo. Ela é deste. 
Não me sai da memória a forma delicada de como que fazia a espargata... 
E tenho bem presente como ainda hoje se desdobra, com idêntica harmonia, na ginástica da vida.

Não tenho dúvidas, a medalha merece-a ela!

16 agosto, 2016

Já tens EP? Não? Esperas o quê?


«...E é fora de dúvida que, logo a abertura da Festa, na 6ª feira à noite, no Palco 25 de Abril, se transformou de há muitos anos para cá numa manifestação cultural verdadeiramente única, sem par no nosso país, pela oportunidade aberta a milhares de visitantes de entrar em contacto, quantas vezes na sua primeira oportunidade e com a formalidade descontraída e sempre composta que nos caracteriza, com a Grande Música, seja ela clássica ou contemporânea, do género operístico ou sinfónico, para volumosas massas orquestrais, pequenos e grandes coros, e solistas dos mais consagrados ou em começo de promissoras carreiras.
Se é certo que este ano se comemora o 40º. aniversário da própria Festa, não poderia ser de forma diversa concebido o seu concerto de abertura e, neste sentido, o seu repertório, escolhido de forma muito aberta, deveria preferencialmente abarcar géneros muito diversificados, dando atenção particular aos vários tipos de público que preenche, até às alamedas laterais, o recinto central em frente do Palco 25 de Abril.
Por maioria de razões foi, sobretudo, à música festiva ou à música da exaltação da grandeza do Homem, no seu percurso contra a opressão, pelos direitos cívicos, pela Liberdade e pela Democracia que atribuímos a nossa principal atenção, seja ela música programática no sentido mais profundo do termo, seja ela pura música de regozijo e circunstância.

ler tudo aqui 
ou se for caso de ter interesses diferentes, então tem muito por onde escolher:

15 agosto, 2016

A Europa e o círculo vicioso da guerra


Ver de que forma evoluíram as fronteiras desta "velha Europa" é trazer à memória o que tantos querem apagar... Pensa-se hoje que já não há mais lugar a tomadas de fronteiras e a invasões territoriais. Que engano. Se é verdade que a soberania é posta em causa por directórios que dominam, impõem e dispõem a seu belo prazer do destino dos povos, não é menos verdade que a constante corrida aos armamentos são uma ameaça...
«(...) Na realidade são precisamente os maiores exportadores de armas europeus que obtêm contratos milionários para a segurança das fronteiras. Ou seja, por um lado alimentam os conflitos que põem as populações em fuga, por outro lado vendem equipamentos e sistemas de vigilância para impedir a entrada de refugiados no espaço europeu. Parece um paradoxo mas não é. (...)
Vendedores de canhões
As exportações mundiais de armas para o Médio Oriente aumentaram 61 por cento entre os períodos de 2006-2010 e 2011-2015. Entre 2005 e 2014, os estados-membros da UE concederam licenças de exportação de armamentos para o Médio Oriente e Norte de África no valor de 82 mil milhões de euros.
Ao mesmo tempo, o «mercado» das fronteiras está em plena ascensão. Se em 2015 representou cerca de 15 mil milhões de euros, em 2022 este valor deverá quase duplicar para 29 mil milhões de euros.
Este aumento exponencial é visível no crescimento do orçamento do Frontex, que passou de 6,3 milhões de euros em 2005 para 238,7 milhões de euros em 2016.
O complexo industrial-militar não tem mãos a medir com as sucessivas operações militarizadas no Mediterrâneo, bem como em várias fronteiras de estados-membros, caso da Hungria, Croácia, Macedónia ou Eslovénia.
Os líderes do «mercado»
A fatia de leão deste «mercado» cabe a apenas cinco empresas do complexo industrial militar europeu: as francesas Airbus, Thales e Safran, a italiana Finmeccanica e a espanhola Indra.
Segundo os investigadores, a Airbus e Finmeccanica lideram o segmento da segurança e controlo das fronteiras, sendo que a primeira recebeu quase 9,8 mil milhões de euros de financiamento da UE para projectos de investigação e desenvolvimento nesta área.
(...)
Para além destes gigantes, em torno dos quais existem muitas outras empresas de menor dimensão, os únicos beneficiários não europeus dos financiamentos comunitários para investigação são as empresas israelitas, que também estiveram presentes na fortificação das fronteiras da Bulgária e da Hungria. (...)
O lobbying político
Outra conclusão relevante do relatório é o facto de a indústria de armamento e segurança participar na definição da política europeia de segurança das fronteiras.
Fá-lo principalmente através da Organização Europeia para a Segurança (EOS), que integra a Thales, Finmeccanica e Airbus, da Associação Europeia de Indústrias Aearoespaciais e de Defesa (ASD) e do Centro de Estudos Friends of Europe (Amigos da Europa).(...)»
 Extractos do relatório do Transnational Institute, de 4 de Julho, ler tudo aqui

14 agosto, 2016

Um bom serão...


Um bom serão, todos escolhiam onde prestar a atenção... e, no jogo, o menos aldrabão era o Diogo
(eu não perdia pitada de nada)

12 agosto, 2016

Fogos & negócios (3)


Nenhum negócio é bem sucedido se não houver mercado. E não se chega ao mercado sem a adequada publicidade. E as televisões não param de inebriar pirómanos e dar os resultados na medida dos hectares ardidos, das frentes de fogo activas. A prova do sucesso, por vezes dada em directo, dos actos criminosos estará indexado às condições de pagamento? Não sabemos. Diz quem sabe, haver "onda terrorista devidamente organizada". Não me admiro nada pois o "mercado" está animado e bem promovido (as televisões não param de colocar as câmaras em cima de majestosas chamas).
Quanto vale o negócio?
Não sabemos. Mas temos uma ideia: "Cada hora de voo de um Kamov custou 35 mil euros"

11 agosto, 2016

Fogos & negócios (2)

«Eucaliptos atraem quase 90% dos investimentos privados na floresta
Oito em cada dez hectares de floresta plantados sem recurso a fundos públicos tiveram como destino os eucaliptos. A liberalização das plantações e replantações está a dar fôlego à espécie que já domina a floresta nacional. 
Oitenta por cento das novas plantações e 94% das replantações produzidas na floresta portuguesa ao longo dos últimos 15 meses sem recurso a ajudas públicas tiveram os eucaliptos como a árvore de eleição.»
in "Publico", Maio de 2015
 
«Incêndios florestais: Não, todos os anos não é sempre a mesma coisa! 

Não! A cada ano que passa, não fica tudo igual. Em média, a cada ano que passa, as florestas em Portugal reduzem em área o equivalente à cidade de Lisboa.
De acordo com os dados da FAO e do Eurostat, entre 1990 e 2015, a área de floresta em Portugal reduziu mais de 250 mil hectares, ou seja, o equivalente a uma redução anual de 10 mil hectares (a área da cidade de Lisboa).

Não! Os subsídios comunitários não têm contribuído para o combate à desflorestação em Portugal.
Pelo contrário! Os apoios às florestas portuguesas, inseridos no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), têm sido desperdiçados, ou têm mesmo sido “promotores” de incêndios florestais em Portugal. A três principais espécies apoiadas, no que respeita a área global ocupada, têm registado forte contração ou mera manutenção nestas últimas décadas.»
in "Acréscimo", hoje

Fogos & negócios


«Parece impossível… No final do século passado, enquanto o combate aos incêndios florestais foi uma “Missão”, a Força Aérea Portuguesa operava os meios aéreos em Portugal, mas quando esse combate passou a ser um “Negócio” arrumaram-se os C-130, os kit MAFFS para os equiparem ficaram a apodrecer, os bombeiros exaustos, os meios de substituição não aparecem e….o flagelo continua.
Quais as vantagens? A centralização dos meios aéreos na Força Aérea com custos reduzidos para o erário público, bem como a poupança em termos de manutenção (dado o background existente) e uma logística dos meios incomensuravelmente mais rápida e operacional.
Parece que, conforme noticiado em 09jun2016, o MAI recusou entregar à Força Aérea, a gestão e operação dos meios aéreos de combate a incêndios, bem como os de emergência médica, optando por manter o actual estado de coisas, com várias entidades, várias frotas, cada uma no seu “interesse” e custos acumulados para todos, incluindo contratação dentro e fora do país.
Espanha, EUA, Grécia, Croácia, Marrocos, são exemplos de países onde os meios aéreos de combate a incêndios são operados pela Força Aérea local. Parece impossível…»
Importante testemunho, este.
Leiam outros (texto e comentários)  e interroguem-se sobre o papel nossa imprensa...

09 agosto, 2016

Dá Deus o fogo conforme a incúria e o louco!


As imagens televisivas reproduzem as chamas e inspiram pirómanos. Nenhuma reportagem ou notícia dá conta de que tenha ardido um só hectare de uma qualquer propriedade florestal explorada e existem muitas. Tal demonstra que os incêndios nem são uma inevitabilidade nem castigo divino. 
Em texto antigo eu explicava o que pensava e veio o meu amigo e camarada Cid Simões, num comentário, resumir tudo:
«O país arde porque está abandonado e continuará a arder enquanto não for repovoado. Tudo o resto é conversa sem sentido.»
E faz agora um ano, porque se assistia ao mesmo cenário trágico e esfarrapadas justificações, ouve que fazer denuncia. Palavras oportunas e actuais e que aqui lembro antes que a mesma argumentação surja e a tragédia para o ano se repita:

08 agosto, 2016

Na Atalaia, com a minha outra família...

...e foi só à hora do café que nos apercebemos de quantos foram ontem, apesar do calor
Cheguei por volta das nove e picos e de pronto me foi perguntado se estava "desempregado". A jornada começara cedo, cerca das oito e eu chegara atrasado. "Vais para a cidade do desporto, vai ter com o Jorge" e apontou-me a pequena equipa.  Um deles o Jorge o outro o Raul. Feitas as apresentações, integrei-me e mãos à obra. Juntei à minha larga experiência outra, de jornada inteira. Entregador de parafusos, porcas, chaves de estrela e de ponteiras de berbequim, pois num colectivo até o trabalho menor é preciso. 
Enquanto se trabalhava íamos falando sobre o que cada um fazia na vida até que que se falou da Festa e, inevitavelmente, dos UHF. 
"UHF? Esquece, essa gente não presta. Que queriam mais? Entraram no vídeo promocional, ocuparam lugar de destaque na página dos "Artistas da Festa" e no jornal especial, distribuído nas praias, abriam a tarde de sábado no palco principal... a imprensa deu-lhe a publicidade que eles queriam... e à borla. Essa gente não presta!"
E a conversa continuava. "Tens mais de setenta? Porra!?", exclamava o Jorge.  "Quando não tiveres nada que fazer vai para aquela sombra!", aconselhava o Raul, em tom protector. Eu ia, mas por pouco tempo... 
No fim, o bar ficou bem avançado. Enquanto ia trabalhando elas, as árvores, iam passando. Quantas? Não as contei... (mas agora sei!)

06 agosto, 2016

O Rio, se fosse hoje não teria sido escolhido


Porque um povo é a memória que da sua História guarda e porque é a sua cultura, foi bela e digna a abertura dos jogos.
Revendo hoje, não estranho a omissão da nossa televisão a Chico Buarque de Holanda, cuja música ia acompanhando poderosas imagens com dezenas de figurantes trepando "A Construção". 
Logo, ou um pouco depois, o também omitido Drummond de Andrade era declamado, num belo e significativo poema-premonição:
(...)
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Lula da Silva (e o povo) deve estar orgulhoso. Os jogos serão uma sucessão de interregnos para coisas belas. E a luta continua para que o poema se cumpra.

05 agosto, 2016

A dona Esmeralda e a vizinha do 4º andar, a conversar - (29) ["Ai o que vai ser de mim, como pagar tanto IMI?"]



Vizinha do 4º andar - Ó dona Esmeralda!, estou chocada. Sou uma contribuinte sem fugas e ao fisco não devo nada!
Dona Esmeralda - Mas... que se passa?
Vizinha do 4º andar - O IMI! O IMI! Eu que moro num quarto andar com vista para o mar, quanto terei de pagar? O que vai ser da minha vida? 
Dona Esmeralda - Se lhe é aplicada a taxa máxima, este ano até menos paga!
Vizinha do 4º andar - A sério? Mas então... e o sol que me bate lá no terraço? E a vista que eu tenho do estuário?
Dona Esmeralda -  É só para a construção nova... a menos que queira reavaliar o seu andar para o valorizar!
Vizinha do 4º andar -  Não é isso que a gente ouve e lê...
Dona Esmeralda - Se a manipulação pagasse imposto tínhamos a questão da dívida resolvida, minha querida!
Rogérito (interrompendo, da janela do seu apartamento) - Vizinha, fica em vantagem sobre "projecto do Jamor"  e o do "Alto da Boa Viagem". É justo que os ricos paguem o luxo!
Vão ser construídos cinco edifícios de habitação, comércio e serviços, um hotel, estacionamento, uma marina e uma piscina oceânica

04 agosto, 2016

Fez hoje a idade que o sorriso tem!


Ao centro, ela. De pé, os avós dela. O namorado, a seu lado. A tia e as macacadas do primito... 


Não, as mãos não tapam as velas, nem os números inscritos nelas. 20 anitos, bonitos!


O Diogo gosta do bolo, só que ele "vai a todas"

03 agosto, 2016

Quinhentos mil... e o socorro de Torga

 

Escrevia Drummond, não me ocorre onde, haver palavras que se amarravam ao dicionário e que lhe era difícil arranca-las de lá. Suponho que se referia a um momento pois, quando o lemos, em cada palavra sua há um assomo de sonho, de viagem, de liberdade. Esse momento acontece-me há muito e estende-se no tempo.
Cito outros escritos e deixei praticamente de escrever, depois de 2 500 "páginas" e meio milhão de olhares.
Socorre-me nesta angústia, Torga...
«...A vida não é para se escrever. A vida — esta intimidade profunda, este ser sem remédio, esta noite de pesadelo que nem se chega a saber ao certo porque foi assim — é para se viver, não é para se fazer dela literatura.»

Diz-me Minha Alma para me sossegar:  "Isso passa-te!"