27 abril, 2017

O 25 de Abril. As comemorações em Oeiras - I I


A primeira imagem, à esquerda, é a original e foi tirada por um profissional. Como profissional que é, certamente tirou várias para depois escolher a que melhor enquadrar. Como o orador a que se refere a imagem foi o terceiro a intervir naquele mesmo cenário, pode-se dizer que teria o fotografo toda a oportunidade em adequar os parâmetros da sua sofisticada máquina, de modo a que a luz realçasse as cores nacionais, a que a focagem fosse a correcta (para além de poder esperar que o bombeiro deixasse a cara descoberta).
A segunda imagem é uma grosseira montagem, feita por mim, para tentar emendar tão péssimo trabalho, repor dignidade (e tratar respeitosamente) alguém que tal merece.

E esse é quem? É o meu camarada Carlos Coutinho!
E quem é o Carlos Coutinho?

26 abril, 2017

O 25 de Abril. As comemorações em Oeiras - I


Referi eu ontem que o meu 25 de Abril começara no sábado passado, numa iniciativa digna. Referia-me a esta, promovida pela parceria entre a Espaço e Memória - Associação Cultural de Oeiras  e a A25A - Associação 25 de Abril. Por mil e uma razões a ambas as associações estou particularmente grato.  Estendo essa gratidão a duas razões de alguma forma egoístas. Primeira, foi ter a EMACO concedido a honra de editar aquele livrinho de que alguns estarão lembrados. A segunda, foi por a A25A nos ter acolhido, na sua sede, a apresentá-lo.

Mas regressando à evocação de Abril (o meu amigo Jorge de Castro faz no seu espaço mais desenvolvida reportagem) assinalo aqui alguns aspectos:

Primeiro, a intervenção do meu camarada José Pós-de-Mina (o primeiro da esquerda na imagem acima) em dois aspectos que irão marcar decisivamente o futuro do poder local: um aspecto, tem a ver com a descentralização das competências no Poder Local se traduzir num descartar de responsabilidades do Governo Central nas autarquias em domínios de elevado peso orçamental (saúde e educação, mas também em outros) ficando assim à mercê de politicas restritivas e dos consequentes cortes orçamentais. Outro aspecto, os riscos de a alteração da Lei das Finanças Locais virem a limitar os recursos financeiros das autarquias à colecta de impostos, taxas e derramas, deixando as autarquias do interior e as de menor capacidade financeira entregues a si próprias, cada vez mais empobrecidas e agravado a capacidade de prestar os serviços públicos a que as populações, por dever constitucional, têm direito.

Segundo, o elevado nível atingido pelos momentos culturais (no inicio e no fim), de que sobressaem nomes (e rostos) que, quem não conheça, convirá registar.

O Duo Lavoisier  (Patrícia e Roberto); Raquel Cambournac; João Paulo Oliveira e Jorge Castro
Terceiro, a alocução de Simões Teles, em representação da Associação 25 de Abril, assim (quase na integra):
«As primeiras palavras são de agradecimento à Câmara Municipal de Oeiras pela cedência deste auditório municipal e pela adesão a esta iniciativa.
Não é por o Presidente da Câmara a ter ignorado que a A25A deixa de existir. Estamos vivos! E o mesmo facto também nos pode sugerir que as suas palavras sobre o 25 de Abril terão sido de circunstância.

25 abril, 2017

O meu 25 de Abril que começou a 22


É verdade, o meu 25 de Abril, começou a 22. Sábado passado, numa iniciativa digna, passou-se algo que merece ser assinalado. Tenho um texto, mas faltam-me imagens alusivas ao acto. Para não ficarem assim, a olharem para nada, adianto que das intervenções havidas, houve uma que vaticinava existir o risco da evocação de Abril cair em rotina. E antecipo isto, pois as imagens acima afastam esse risco (obrigado Eduardo). A avenida, hoje, encheu-se de juventude e quando a juventude pega, já não larga.

Voltarei a tal evento quando tiver acesso a imagens que ilustrem o que registei.

Hoje, foi assim, embora não desfilasse.


E não desfilei porque andei por outros lados. Por onde? Fica outra promessa adiada, pois o registo do que vale a pena registar, nos lados por onde andei, também carecem do que ainda não está disponível. Talvez amanhã...

23 abril, 2017

A senhora apareceu-lhe


A senhora apareceu-me

A senhora apareceu-me!... Aparição, visão, sonho ou fantasia?
Dormia eu a sesta à sombra duma azinheira (numa manta de retalhos, pois claro!) quando uma senhora brilhante, não tanto como o sol, chegou à minha beira.
Não me disse para a louvar por ser celeste,
Não me sugeriu que sofresse para lhe agradar,
Não me exigiu que lhe agradecesse a força do meu trabalho,
Não me pediu que lhe suplicasse a felicidade,
Não me rogou que lhe repetisse como um papagaio preces e avés,
Não me segredou guerras futuras se não a venerasse,
Não me culpou pelos meus prazeres carnais,
Não disse nada.
Não vinha de calças, nem de saia comprida, nem de mini-saia.
Nua e serena, aproximou-se. 
Só uma senhora assim para me pôr de joelhos.
Pôs-se de joelhos também.
Enrolámo-nos na manta de retalhos. Paz, amor e sorte.
Azar, era dia 13, um melro largou-se no meu rosto.
Acordei.
Da santa ou companheira, nem sinais.
Dei um salto.
Falei alto
À sombra duma azinheira:
25 de abril sempre! Fascismo nunca mais!

22 abril, 2017

O administrador do condomínio


O condomínio é um condomínio de prestigio, ainda que haja, entre os muitos que aí residem, quem passe por dificuldades na vida.  
O condomínio teve tempos em que o  condómino administrante se repetia de eleição em eleição. Era um homem de presença forte, humor que baste, de ironia fina e se alguém com ele se zangasse, desarmante, sorria. 
Ninguém sabia, até se saber, que o condómino do quinto frente, teve ferragens renovadas, à conta do arranjo da fechadura da porta da entrada. 
Favor do administrador que, prestável, estendeu o serviço do rés-do-chão ao quinto.
Ninguém sabia, até se saber, que o condómino do último piso recuperou o terraço por conta da reparação do piso da garagem. Favor do administrador, prestável, que estende a obra do terraço à garagem.
Ninguém sabia, até se saber, que o sexto esquerdo, o vigésimo quarto direito, e outros quantos condóminos foram servidos por amáveis serviços. 
Quando era chegada a hora da prestação de contas, na reunião de condóminos, havia quem comentasse que o condomínio era caro mas, de pronto, se elevavam as vozes referindo o prestígio de se viver em tal condomínio, que em todo o país não havia vida mais feliz.
Perante o plano de obras e o correspondente orçamento o administrador voltava a ser reeleito. E foi assim, durante muito tempo.
Hoje, depois de ausência forçada, o ex-administrador está de volta. 
E diz o condómino da cave esquerda, em casa onde o sol mal entra.
«O homem "onera"! Mas qu´importa, se faz obra...»
_______________
NOTA DO AUTOR: O referido condomínio é ficção e o dito administrador é personagem inventada, qualquer  semelhança com a realidade é mera coincidência.

20 abril, 2017

Poesia (uma por dia) - 92


INACABADA FLOR DE ABRIL
Hoje vi com os meus olhos
uma santa mulher
asfixiar um pássaro
nas mãos
só para desenhar no chão
a dor que sentimos

chamei-a
para deixar nas areias
um beijo côncavo
até a memória arder
os últimos barcos
e as algas discernirem
de olhos abertos
todos os ritmos das marés

chamei-a
para esgrimir contra
a invenção dos destinos
erguer o seu corpo
recolher todos os grânulos disponíveis

Hoje vi uma mulher amada
esculpida na praia
a despontar nas areias

inacabada flor de Abril

Eufrázio Filipe
(poema a incluir na próxima colectânea)

19 abril, 2017

Poesia (uma por dia) - 91


MINHA LOUCURA

Depois de muito andar, muito perder, muito lutar,
dizem-me: «Para quê?»
Eu digo simplesmente: «Para viver melhor.»
Dizem-me: «Como assim,
se tu vives bem? Que queres mais, diz?»
Eu respondo sem jeito: «Não sei.»
É o que desejo para todos,
e digo para comigo: «Claro que estamos bem!»
E continuo a trabalhar o mais que posso
para uma glória total,
com inocência
e às vezes com tanta claridade
que essa luz quase me agride.

Gabriel Celaya
“El hilo rojo”

15 abril, 2017

Páscoas e opções da alma e da razão

(reeditado, com alterações)

Todos nós (ou quase todos) temos uma quinta a onde ir na Páscoa.
Se não temos já tivemos.
Eu tive. Tive duas, ambas no Ribatejo, das minhas avós.
Eram diferentes as quintas e as chegadas. Mas em ambas não havia chaves debaixo dos tapetes, nem sei mesmo se havia tapetes ou se eram estrados plantados nas entradas sempre de portas encostadas ou fechadas no trinco...
Uma avó adormecia contando as contas de um rosário e murmurava orações.
Outra, contava os montes por onde passara e murmurava canções.
Cresci passando Pascoas entre uma avó e outra amando as duas e com as duas aprendendo a enfrentar a deslocação dos medos... foi a alma que fez a opção, eu não, de ficar mais marcado por aquela que abraçava flores vermelhas. Nem me lembro se eram papoilas, mas talvez fossem... cravos. 

(deixei este texto, num comentário,
 em 2013, num sítio muito bonito)
***
Abandonei a cruz desde sexta feira
Não quis tirar protagonismo a Cristo
pois eu não ressuscito 
Regressarei aonde estava
até à ressurreição da esperança, da vontade
das bandeiras e dos hinos
Abril é já agora. Boa Páscoa

14 abril, 2017

... e porque é Sexta-feira Santa, Always Look on the Bright Side of Life



Tenho, desde sempre, assinalado este dia pela parte que a muitos esquece. Mas tal insistência, já cansa.
Se hoje, tal como ontem, houve jovens violadas, desligue
Olhe Sempre Pelo Lado Bom da Vida
Se hoje, tal como ontem, o filho bateu no pai, o homem na mulher e o namorado na namorada, não ligue a nada
Olhe Sempre Pelo Lado Bom da Vida
Se este mês, tal como no passado, recebeu magro salário, deixá-lo 
Olhe Sempre Pelo Lado Bom da Vida
Se ontem, tal como no outro dia, soube de gente faminta, siga
Olhe Sempre Pelo Lado Bom da Vida
Se neste ano, tal como no ano passado, centenas de bombas terão rebentado, passe ao lado
Olhe Sempre Pelo Lado Bom da Vida
Se Trump foi eleito e se barimba no Direito Internacional, qual o mal?
Olhe Sempre Pelo Lado Bom da Vida
Se há povos que elegem e são governados por não eleitos, que há de errado em tais preceitos?
Olhe Sempre Pelo Lado Bom da Vida

Se há milhões de crucificados neste dia...
É a vida
E olhe sempre pelo lado bom que ela tem 

12 abril, 2017

A Gaivota - um conto acidental

"Estamos nós, gaivotas, a olhar para o fim da liberdade no nosso mundo?"

"Olá" - grasnou ela, do lado de fora da janela.
"Olá" - respondi-lhe dirigindo-me a ela, nem me ocorrendo que pudesse fugir à minha aproximação. Não fugiu. Abri devagar a vidraça que estava mais afastada, e ela acompanhou o gesto sem se mover. Parecia até que o esperava. Sem saber o que fazer não fiz nada, olhava-a. Ela nada fazia e olhava-me também. Foram longos segundos, até que me lembrando que ela me tinha falado, falei-lhe.
"Que fazes aqui?"
"Espero! Espero que me dês alguma coisa de comer... qualquer coisa!"
Não me ocorrendo o que de melhor lhe dar dei-lhe o que estava mais à mão, uma peça de fruta, que fui dentando e bocado a bocado lhe ia dando à medida que ela, picada a picada a ia comendo. Acabada a peça a gaivota voou naquele vou elegante e ágil que tanto encantam os poetas.

No dia seguinte e no outro e no outro a cena foi-se repetindo, apenas o que lhe dava a comer ia mudando. 

Hoje, antes de pousar no meu beiral pousou num candeeiro em frente e fitou-me, de lado, longamente. 
Fiquei ali esperando o que ela iria fazer de seguida, até que voou ao meu encontro e disse:
"Sabes?, vou partir!"
"Quando?
"Agora! o bando me espera! Vim, não para comer mas te deixar o meu obrigada! Não são muitos os homens que alimentam a liberdade, agora que é hora em que ela mais periga!"

E grasnando ao bando que naquele momento ia passando, voou ao seu encontro e lá foram em direcção ao mar...

Rogério Pereira 

11 abril, 2017

100 milhões ligados, num jogo onde a próximidade com a realidade não é nada inocente. Cada jogador é um potencial recruta...


Ele joga. Joga noite fora. Se alguém entra, ele cumprimenta. Cumprimenta com um sorriso e um monossílabo, pois cada segundo conta, na ânsia de regressar ao jogo.
Com ele estão mais 100 milhões ligados.Tremo.
Bato uma foto e fujo. Penso em ir investigar saber o que estão a jogar. Tremo.
Desisto de fazer o download do jogo, de o analisar por dentro, de lhe perceber a lógica e de avaliar o efeito no comportamento.
Desisto pois não é preciso ir tão longe para perceber.

Quanto aos efeitos nessa multidão de jovens, ninguém está em condições de avaliar. Sendo mais que certo que são tremendos. O texto seguinte arrepia (e o que lá ficou não arrepia menos):

«Como uma resposta direta a crescente instabilidade física e política do mundo, os principais feiticeiros de Valoran – incluindo diversos invocadores poderosos – chegaram à conclusão de que os conflitos deveriam ser resolvidos de uma maneira controlada e sistemática. Eles formaram uma organização chamada League of Legends, cujo propósito era supervisionar a resolução organizada dos conflitos políticos em Valoran. Instalada no Instituto da Guerra, a Liga teria a autoridade conferida pelas entidades políticas de Valoran para governar os resultados dos conflitos organizados que eles administrariam.»

09 abril, 2017

ONU, ONU, para que nos serves tu? - III


A imagem retrata uma manipulação reconhecida pela BBC que a veio a retirar depois de uma chuva de críticas após “acidentalmente” usar uma foto tirada no Iraque em 2003 para ilustrar o “insensível massacre de crianças” em 2016, na Síria. O texto a que me refiro alude a mais casos de montagens para atingir os objectivos precisos: causar uma onda de indignação para fins que copiam outros já realizados e com os resultados conhecidos. Foi no Iraque e tudo se encaminha para ser também assim na Síria, caso se venha a concretizar o derrube de Bashar al-Assad.

Hoje, é irrefutável que terá havido mesmo a matança que a imprensa afirma ter havido. Quanto aos responsáveis... é mesmo melhor ver o vídeo e depois tirem as V. conclusões:

08 abril, 2017

Mais actual do que nunca... ou o tanto em que uma previsão se espalha

Sondagem realizada em Maio de 2013
Vem isto à baila porque anda por aí uma sondagem, que prova que as sondagens não são o resultado de um efectivo trabalho, que este só é honesto na perspectiva de quem paga o serviço e que a competência, se existe, é algo que o passado recente (e a imagem) desmente.

Como já diz toda a gente, depois de alguém o ter dito: "Previsões? Só no fim do jogo." E o jogo é jogado colocando no tabuleiro não os rostos mas a obra obrada, o trabalho realizado, a honestidade que lhe foi inerente e a competência com que foi realizada. O resto? O resto será determinado por uma infinita soma de acontecimentos, arremessos, lutas acesas, azedumes, vinganças e talvez pelas campanhas.


07 abril, 2017

Síria, a outra parte de uma realidade que mais parece um filme de terror (produzido em Hollywood?)

Imagem editada aqui

Ah!, o que eu já escrevi sobre a Síria.  Mas não vos maço com longas transcrições. Apenas uma, que tinha então um título parecido embora se referisse à Líbia. Lá, tinha um depoimento do General Wesley Clark, assim e que explica tudo:
"Quando retornei ao Pentágono em Novembro de 2001, um dos oficiais militares superiores teve tempo para uma conversa. Sim, ainda estamos em vias de ir contra o Iraque, disse ele. Mas havia mais. Isto estava a ser discutido como parte de um plano de campanha de cinco anos, disse ele, e havia um total de sete países, a principiar pelo Iraque e então a Síria, Líbano, Líbia, Irão, Somália e Sudão".
Post em que citava Michel Chossudovsky, editado em 2011
Seis anos passados, depois do muito que se passou, fica a pergunta:
"Que interesse teriam as forças militares sírias na utilização de armamento proibido numa operação militar de limitadas consequências, numa fase da guerra em que a supremacia é evidente, e quando muitos olhos neste mundo aguardam com avidez um pretexto para dar aos "rebeldes" o tempo e a força que lhes vai escapando?"

06 abril, 2017

Escalar não é trepar...


Ela começou com o desembaraço que lhe lhe permite o treino...


Depois eu também bem o tentei... quase ia conseguindo
mas fiquei pelo caminho...


... depois, lá bem no cimo
de mim ficaram rindo

Eu bem tentei, tentei
caí, mas não me senti humilhado
escalar não é trepar
levava calçado
desadequando

Foi giro!

04 abril, 2017

Ainda Amadou Hampâté Bá : “Cada ancião que morre é uma biblioteca que se queima”


Sobre as histórias contadas e vividas... 
«Nós as aprendíamos de cor e, se fossem belas, já no dia seguinte espalhavam-se por toda a cidade. Este era um aspecto desta grande escola oral tradicional em que a educação popular era ministrada no dia-a-dia. (...) Para as crianças, estes serões eram verdadeiras escolas vivas, porque um mestre contador de histórias africano não se limitava a narrá-las, mas podia também ensinar sobre numerosos outros assuntos, em especial quando se tratava de tradicionalistas consagrados. (...) Tais homens eram capazes de abordar quase todos os campos do conhecimento da época, porque um ‘conhecedor’ nunca era um especialista no sentido moderno da palavra mas, precisamente, uma espécie de generalista. O conhecimento não era compartimentado. O mesmo ancião (no sentido africano da palavra, isto é, aquele que conhece, mesmo se nem todos os seus cabelos são brancos) podia ter conhecimentos profundos sobre religião ou história, como também ciências naturais ou humanas de todo tipo. »
(in "Amkoullel, o menino fula" pag.174)

02 abril, 2017

A tradição viva e um (outro) belo conto de Amadou Hampaté Bâ

"A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não o saber em si. O saber é a luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitiram, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente."
Baobá
 Sabem os que me conhecem e também os que me seguem que quando encontro um filão não o largo. "Conheci" Amadou Hampaté Bâ há pouco e não lhe perco um conto.

E este é lindo

01 abril, 2017

Em dia das mentiras, um conto africano


A VERDADE E A MENTIRA
«Deus decidiu, um dia, criar todas as coisas, as boas e as más.
Criou a noite e o dia, o direito e o avesso, a lua e o sol, o alto e o baixo; e assim, a cada objecto e situação foi criado o seu contrário.
A Verdade foi criada grande, majestosa, de uma beleza incomparável. Por seu lado, a Mentira, era pequena, feia e doentia.
Deus, na sua grande bondade, deu à Mentira uma faca de mato para que melhor se pudesse defender e ter as mesmas oportunidades que a Verdade; depois enviou-as para o mundo.
Verdade e Mentira foram, cada uma, para o seu lado, caminhando e andando.
As pessoas preferiam ouvir a Verdade, era tão atraente pela sua beleza e, com ela, tudo era tão límpido!
A Mentira, rejeitada, começou a sentir crescer, dentro de si, ciúmes e raiva contra a Verdade.
Um dia, decidiu esperar pela Verdade num caminho escondido e provocá-la.
Irrompeu uma briga entre os dois opostos da Palavra. A Verdade, mais forte e mais resistente ficou em vantagem mas, demasiado confiante, distraiu-se. A Mentira, então, aproveitou esse momento de distracção para lhe cortar a cabeça, com a sua faca de mato.
A Verdade, atordoada, cega, procurou às apalpadelas a sua cabeça, a fim de a voltar a colocar no seu corpo. Procurando febrilmente o seu belo rosto acabou por sentir uma cabeça sob os seus dedos e, com uma rapidez e força insuspeitas puxou-a para si e colocou-a no seu corpo.
Mas … foi a cabeça assustadora e feia da Mentira que, na sua cegueira, também tinha decapitado.

Andando e caminhando a Verdade anda pelo mundo com a cabeça imunda da Mentira e a Mentira com a bela e altiva cabeça da Verdade … e os homens já não conseguem distinguir a verdade da mentira!»


Amadou Hampaté Bâ/Tradução Maria Abreu

31 março, 2017

A dona Esmeralda e a vizinha do 4º andar, a conversar - (30) ["loja do chinês"]

Vizinha do 4º andar - Ó dona Esmeralda!, a minha alma está parva... o miúdo a dizer aquilo à Theresa May. Acha mal ou acha bem?
Dona Esmeralda - Acho bem ou mal, o quê?
Vizinha do 4º andar - O "brexit", a carta!
Dona Esmeralda - O povo escolheu...e depois há quem ache ser uma oportunidade para a própria Europa descobrir caminhos novos...
Vizinha do 4º andar - Mas, o miúdo ao falar na china confunde tudo...
Rogérito (interrompendo, da janela do seu apartamento) - Confunde o "carago", olhe lá bem para este retrato:
 

29 março, 2017

Redacções do Rogérito (37) - "Adeus ó vai-te embora"

Tema da redacção: "Brexit"

Acho uma maldade a stora ter escolhido um tema que nem os adultos entendem bem quanto mais uma criança a quem não foi dado ensinar uma palavra daquela língua que até é a que o senhor Shakespeare mandou adoptar para se falar em todo o lado e até em Bruxelas que é o lugar para se mandam cartas que esperam por uma resposta ao estilo do adeus ó vai-te embora que por acaso ainda não são escritas em chinês que é uma língua que por cá já devia ser a mais falada e eu até já sei mais mandarim do que inglês e quando peço no restaurante um xau xau eles sabem que não estou a dizer adeus e o arroz vem logo a seguir o que quer dizer que os chineses entendem bem o que queremos dizer e o problema é só quando os chineses aprendem inglês para que ninguém entenda  o que andam eles para aí a fazer e só iremos dar conta disso quando eles tomarem conta disto.
Rogérito

27 março, 2017

Já leu o Tornado? Não? Espera o quê?

 

Lá, no Tornado, eu escrevo sobre os sucedâneos da Guidinha... e trago comigo José Gomes Ferreira, numa homenagem ao "pai" dela... 
Não leu? Espera o quê?

26 março, 2017

Na net, um amigo aparece e desaparece com a mesma emoção que causa uma bola de sabão. Só que o google fica baralhado



Sou mau faissebuqueano e essa displicência perante as redes sociais traça-me um perfil que o google custa a engolir. Outra coisa que dribla os mais sofisticados algoritmos e filtros é que eu considero todo mundo como sendo do meu "interesse" e isso confunde o algoritmo. O google desconhece a palavra "interessante", para o filtro o que conta é a palavra "amigo". 
Talvez por isso, quando entro, quase nunca cumprimento  e quando saio, nunca me despeço. 
Se aqui no blogger acham que tenho 400 amigos, esqueçam. O que tenho é a seguir-me 400 pessoas interessantes. 
Se no faissebuque tenho 998 amigos, esqueçam. O que tenho é essa imensa massa de gente que um dia resolveu bater-me à porta e eu abria-a. Depois não fui a casa deles e isso baralhou o algoritmo.

Contudo, sou amigo do meu amigo, mas o google não tem nada a ver com isso... 

NOTA IMPORTANTE: Pode encontrar legendas em português, procurando no canto inferior direito...

24 março, 2017

Falando de atributos de que antes nunca falara... quase não sobrou nada!


Lá em casa, para evitar a violência doméstica (ela é uma fera), deixei aprontada uma lasanha e fui, a correr, preparar outro prato, num outro lado onde tinha a cargo tarefas diversas, para além das de preparo de vasto repasto...
Uma tachada, da qual não sobrou quase nada.
Melhor que eu só um conhecido (e divertido) cozinheiro...

21 março, 2017

O meu armário, ao longo do tempo nunca teve esqueletos dentro

As Portas do Armário, Porfírio Pires,Óleo sobre tela
O Meu Armário

O meu armário
não é nem alto
nem largo
nem fundo
mas onde me vai cabendo tudo

Lá, fui guardando
cidades, aldeias, vilas
e todos os lugares por onde fui passando

Dentro do meu armário correm os rios
da minha infância
Dentro do meu armário
fui guardando afectos, angustias e medos
à medida que fui crescendo

O meu armário tem gente dentro
Muita gente, mesmo
Nos dias mais cinzentos
ou no decurso das lutas que vou travando
abro-lhe as portas de par em par
e tiro de lá uma espada, ou um pássaro
ou um sol
ou um grito
ou um sorriso
O meu armário, ao longo do tempo
nunca teve esqueletos dentro
Rogério Pereira

20 março, 2017

Porque me falas como se tudo dependesse da Primavera e nada dependesse de nós?

(reeditado)


DESERTIFICAÇÃO
Fala a pedra com a pedra: Onde a erva?
Fala a terra com a terra: Onde o húmus?
Fala a porta com a janela: Onde a gente?
Fala a parede com o sobrado: Tens saudade dos passos?,
onde pára o espanta pardais, esse espantalho de falsos braços
que afastavam os pássaros?
Onde param as searas? e as eiras? e os cantos? e o pão?
Flor? Que é uma flor?
Flor era essa coisa de pétalas e cor que tu trazes na memória
e que segundo o calendário do tempo devia povoar esses campos?
Árvores? Que é uma árvore?
Árvore era essa coisa de raízes, folhas, ramos, frutos
que juras te ter no passado dado meiga e fresca sombra?
Água? Que é a água?
Água é essa coisa que te molhava o rosto, a roupa o corpo
e que as escuras nuvens teimam levar para outro lugar?
Ah, meu amor, este abandono
Ah, meu amor, este deserto
Se cada um de nós somos três
porque me falas
como se houvesse apenas Minha Alma?
Porque me falas
como se tudo dependesse da Primavera e nada dependesse de nós?
Rogério Pereira 

19 março, 2017

Redacções do Rogérito (36) - "O dia do pai"


Hoje é dia do pai e a stora pediu que eu fizesse uma escrita em que reflicta porque é que eu acho que esta data é tão bonita e ela sugeriu que escrevesse sobre o significado do dia e é disso que eu vou escrever prometendo não divagar sobre o que pensaria e os palavrões que diria o senhor Anacleto lá da loja da esquina se o dia do pai não der para facturar aquelas bujigangas todas e mais os cartõezinhos cheios de desenhinhos de pais e de meninos mas também de pais com meninas pois ele sabe escolher a mercadoria em conformidade com a sua freguesia e se assim não fosse o senhor Anacleto seria apontado por não respeitar a igualdade de género.

Eu gosto muito do dia do pai pois se não houvesse dia do pai também não podia haver dia da mãe nem do avô nem da avó o que era muito mau para todas as crianças que assim teriam de ser todas institucionalizadas.

Mas o que eu gostava muito é que juntassem o dia da mãe com o dia do pai porque assim podia acontecer que ao festejarem pudesse haver mais meninos a nascer coisa que não vai acontecer se continuarem a separar os pais das mães e é por isso que há muitos divorciados.

Rogérito

17 março, 2017

A Sandra, a Cáritas, as "massas" e o jornalismo de investigação


Só para ouvir o responsável máximo das finanças da Igreja dizer o que disse já valeu a pena ter a Sandra "feito" o programa. Sublinho, do muito dito, duas afirmações: uma, a tranquilizadora, é que a Cáritas não coloca o pecúlio arrecadado em off-shores, pelo que se poderá considerar que a Igreja não se inclui no rol das entidades que lá meteram milhares de milhões; a outra, revela uma Igreja ingénua, possui uma fé tremenda na banca. Pelo meio fica aquela ideia de que os carenciados, por hábitos acumulados de necessidades, podem perfeitamente esperar (até indefinidamente) que o dinheiro renda, na presunção de que rende.

Contudo, não é exactamente isso da tal nega, enquanto podia, que me faz e trazer à liça o programa da Sandra. Nem sequer se trata de tanta história mal contada... A questão é outra.
É ou não, o que se está a passar no "Sexta às 9", jornalismo de investigação? Em rigor, fica a dúvida. A mim parece-me quase. E quase, é tanto!
Por este caminho, temo, que quando me levantar para aplaudir o programa deixe de existir...

16 março, 2017

Espiar, já não é o que era dantes. Hoje a tecnologia é que vigia, antecipando a sociedade dos deprimidos...










Toda a imprensa fez eco da noticia sobre o bla, bla, bla, do WikiLeaks e da CIA. Junta-se a este susto aquele outro dos servidores do Google e do Facebook vigiarem tudo, antecipado a sociedade dos deprimidos. Escrevi sobre isso um outro não citado artigo que terminava assim:
«...estou na lista. Se depois disto tudo me sinto seguro? Claro que não, mas se pensam que deserto por medo, “tirem o cavalinho da chuva”… Escrevo até que me doa o dedo!

15 março, 2017

Do fino traço ao escorreito texto, o retrato exacto (olha que dois!)


... e termina assim um primeiro texto que recomendo:
«O Rentes é careca. O Rentes é holandês. E fala como isso, como um skinhead  holandês. O Rentes diz cousas que eles nem pensam (eles não pensam) mas sentem; o Rentes fala-lhes ao coração.

O Rentes vota na extrema-direita. Não por convicção – diz ele – mas por protesto. Por reacção, portanto.»
... e o outro texto, ao nível da qualidade do seu traço:
«Entretanto, os democratas do PNR manifestaram-se à porta da Universidade. Contra o totalitarismo. Só visto.
Assim, para que aos arautos do livre pensamento único nunca lhes falte palanque para palestra, nem aos imbecis liberdade de expressão  a Associação vintecincodAbril, dirigida pelo inefável ex-capitão dabril Vasco Lourenço, sempre na defesa de todas as santas liberdades, incluindo a de expressão, já franqueou as suas portas ao Nogueira Pinto. Para que possa livremente expressar as suas ideias. Digam lá que não é lindo.
.
E estamos nisto.
Mas se foi para que Jaime Nogueira Pinto pudesse exprimir livremente as suas ideias que fizeram o 25dAbril, acho estúpido. Ele já tinha esse privilégio.»

14 março, 2017

Não, não é a fila para a compra da raspadinha...


Em 2012, segundo a Visão, a Santa Casa derramou no mercado mais de 270 milhões de bilhetes de raspadinhas, o que, contas feitas, dava 26 cartões por cada um dos 10 562 178 portugueses apurados nos últimos Censos.
Em 2015, a raspadinha registou um crescimento de 55% face a 2014.
Em 2016 não há números... mas, felizmente, ainda não é preciso ir para a fila às 7 da matina para comprar uma raspadinha.
Isto é, custa muito mais ser pobre do que custa candidatar-se a ser rico...

12 março, 2017

Geração sentada, conversando na esplanada - 92 ("Fascismo? Ná!... Não há riscos disso...")

“O [Donald Trump] esteve estupendamente. Os americanos voltaram a controlar o seu país e ofereceram uma nova era ao mundo. Oxalá cá chegue”.
Rafael Pinto Borges, dirigente da Nova Portugalidade 
"Mas, felizmente, não vejo a acontecer aqui um fenómeno do estilo Marine Le Pen. Não há indícios. Não sei a que se deverá isso, mas é uma sorte. Os portugueses não gostam de arriscar, receiam que qualquer mudança os vá prejudicar. Se nos mantivermos numa temperatura média, talvez escapemos.
Maria Filomena Mónica,  entrevista à Visão

Quando julgamos ir ser recebidos com cumprimentos efusivos, "olás" festivos ou mil sorrisos, esqueçam. Nada disso aconteceu com o meu regresso à esplanada. Foi como se lá sempre tivesse permanecido ou nunca lá tivesse ido. Ia eu pensando nisso, sem saber como satisfazer o ego, quando a Gaby deu por mim.
- «Seja bem vindo! Como tem passado?» E sem esperar resposta, «Sabe? o seu "Conversa" tem sido, domingo a domingo, tema para a nossa tertúlia, aqui na esplanada. Há pouco recebi uma mensagem da Teresa a alertar-me para o post de hoje e a dizer que não ia poder estar. As outras já se foram e o Engenheiro não tem aparecido...» Ia eu a dizer já nem sei o quê, a Gaby não me deu espaço - «Sabe o que eu penso? Se não fosse o seu Partido a extrema direita já estaria aí  em peso!» e continuou, atrapalhando-se nas palavras, como se estivesse a recuperar tempo perdido - «Também estou a lê-lo no jornal Tornado! E só lhe digo, sou professora de Português e nunca tinha ouvido falar de Maria Lamas!» e continuou, sem se calar. 
Para mim próprio repetia palavras acabadas de lhe ouvir, "se não fosse o meu Partido..." E nada de águas tépidas, como previne a Filomena Mónica. É nelas que a besta cresce!

11 março, 2017

Na manif do MDM: I´m a celtic man


Disparava fotos a torto e direito. Aquela, outra, esta. Primeiro no Rossio, depois Rua do Ouro fora. Animava-me a alegria. Os rostos, sorrisos ao ritmo dos bombos. A confiança estampada nos rostos. Cantares alentejanos e, logo de seguida, saxofones e trompetes numa miscelânea de encher a alma. A dada altura, quando passavam pandeiretas e gaitas, foi interrompido na minha tarefa de reportar. 
- Are you portuguese? 
- Yes...!
E ela olhava-me muito corada, com olhitos muito brilhantes de exaltação ou o que queiram pensar de alguém que comovida não sabia o que se estava a passar e me abordava para saber o que era... 
(o diálogo segue-se em português, pois de inglês mal sei uma palavra, quanto mais escreve-la) 
Dizia-me ela:
- Sabe?!, eu sou inglesa e eles estão a tocar... musica minha
( nessa altura as gaitas de foles, agudaram os decibéis)
Respondi eu:
- É tanto tua como nossa, no norte de Portugal a influência celta é enorme. 
- E o que se passa aqui? A que se deve o protesto? Isto é uma manifestação, não?
(nessa altura, as palavras de ordem eram de luta)
- É uma afirmação da disposição para a luta. Comemora-se o Dia Internacional da Mulher!
- E há tanto homem... é bom ter tal apoio e suporte.
(despedimo-nos com sorrisos, e ela foi contar ao marido o que eu lhe tinha dito)
A seguir, mais cantares alentejanos.
Meu Sangue Mouro e Minha Alma Celta  gostaram e meu Coração Luso acelerava à medida que o desfile passava.
Vinte mil? Mais? Menos?
Que importa ao certo?, se eram tantos e tant@s:
homens, mulheres, crianças.

10 março, 2017

«Artº 46º - Liberdade de Associação nº 4 - Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.» in "Constituição da República Portuguesa"

“O [Donald Trump] esteve estupendamente. Os americanos voltaram a controlar o seu país e ofereceram uma nova era ao mundo. Oxalá cá chegue”.
“passo a passo, documento a documento, Trump vai tornando o mundo mais limpo. Só podem agradecer-lhe os patriotas de todas as longitudes”
Rafael Pinto Borges, dirigente da Nova Portugalidade 
Raramente fulanizo as questões quando elas assumem a escala que as projecta para além do individuo. Fulanizada a questão do impedimento do Jaime Nogueira Pinto, até juntaria a minha veemente indignação à recusa de um direito fundamental e não a deixaria de considerar um grave atentado à liberdade de expressão.

Desfulanizada a questão como tem vindo a ser posta e comentada e considerando que o facto fundamental foi ter-se retirado tribuna a uma organização neo-fascista o caso muda de figura. Se foi este o entendimento da Associação de Estudantes, eu não só a entendo como estou do lado da sua decisão. E por razões explicadas por medo. Isso mesmo, medo.

Quando, em 1976, os constituintes redigiram a nossa Constituição preveniam no seu texto limitações ao regresso do fascismo. Era, então, considerado tal regresso um risco. Hoje, bem o sabemos, o risco é ainda mais elevado. Dai o meu medo. E medo tanto maior quando verifico que numa instituição com cerca de 5000 alunos, são poucas as dezenas que participam no órgão máximo da estrutura da sua Associação. A quebra na intervenção cívica, a alienação, é o terreno mais fértil para fazer crescer "a besta". O resto fá-lo a imprensa, as dezenas de politólogos, comentadores e... até jornalistas.

E se a Constituição consagra direitos, é de protege-los. Se ela também enquadra defesas, aplique-mo-las.  


09 março, 2017

Rescaldo do dia 8 - Exibição de Marcela Temer depois do discurso do seu marido.


Segundo o site "Carta Capital" «... O discurso durou pouco mais de 10 minutos e foi proferido no Palácio do Planalto, na presença de figuras como a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, a secretária nacional de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes e a advogada-geral da União, Grace Mendonça. A primeira dama, Marcela Temer, também esteve presente, mas falou por menos de dois minutos.» 
Marcela apareceu depois a exemplificar como é que a mulher consegue, de forma eficiente,  trabalhar mais sete horas e meia do que o próprio Presidente. 

Disse ainda a dona, que quando ela se deita ele já ressona...

08 março, 2017

Maria Lamas e Rita Rato - outros tempos, a mesma luta

Comemorou-se hoje o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, da mulher trabalhadora, como bem se refere aqui, lembrando que esta comemoração, iniciada em 1909, teve a sua origem no seguimento de lutas laborais das mulheres e foi impulsionada por mulheres socialistas, como Clara Zetkin e Alexandra Kollontai, como um dia de luta por melhores condições de vida e trabalho das mulheres, pelo direito de voto, pela igualdade entre homens e mulheres, e pelo socialismo.
Desde aquela data, muitas (e muitos) se bateram por aqueles valores e o citado artigo traça uma evolução histórica de tal luta.

Eu resolvi assinalar o dia lembrando uma figura nossa por ter sido noutro lado lembrada em termos que, para mim próprio, acrescentam detalhe ao meu conhecimento:

A condição da mulher
está de tal forma ligada aos problemas fundamentais da humanidade
que não será possível separá-los. 
(Maria Lamas, A mulher no Mundo, Vol.I: 577)

Num (belo) texto evocativo, Lídia Borges começa por palavras inauditas de um deputado no Parlamento Europeu, o mesmo que foi hoje citado por uma continuadora da luta de Maria Lamas, na Assembleia da República:

07 março, 2017

Faltam só seis dias e nada (que eu saiba). Mas ainda estão a tempo...


No próximo dia 13 termina o prazo para a consulta pública de um documento produzido por um grupo de trabalho, iniciativa do Ministério da Educação, e que se designa por “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória”. Atento, eu tenho-o lido e analisado. De modo muito simples e resumido, diria que se trata de levar as antigas brincadeiras de rua para a sala de aula e levar a sala de aula antiga para o recreio. Tudo isto porque aprender a brincar é (pode ser) um caso muito sério.

Assim, faltam apenas seis dias para a comunidade educativa se pronunciar. Tenho procurado, procurado, mas acho que as vozes a que dava crédito têm estado caladas que nem pedras tumulares. O blog Terrear, de um prestigiado professor, limitou-se (até hoje) a editar o documento, sem o comentar. Outro, o Vox Nostra, depois do Crato ir dar uma volta, coincidência ou não, "fechou" a porta... O carismático Paulo Guinote, da Educação do Meu Umbigo, deixou-se disso.

A imagem? Ah, a imagem! Sem saudosismo vos digo, aquilo era mesmo a sério: Primeiro escolhíamos as equipas, tendo o cuidado de distribuir os leves e os pesados, de forma a que estes não ficassem só de um lado; a seguir negociávamos as regras; o passo seguinte era tirar à sorte quem primeiro "amouxava"; depois era jogar. E o jogo era um gozo. Uma das regras mais criativas era pôr os debaixo a dizer piadas... e se algum dos de cima mostrasse os dentes ou risse `"a bandeiras despregadas" perdia a jogada... outra regra, era não aleijar... e que o fizesse deliberadamente era excluído, sem poder ser substituído.

Se hoje também deve ser assim? Claro que não, aquilo era no tempo de escassez de recursos e de grandes carências na educação.  Hoje há mais oportunidades, e pelos vistos...