05 fevereiro, 2017

Eutanásia

"Memoria Colectiva", by Alicia Valdivia, 2013.
Quando a memória se esvai, o que nos resta? 

Há tempos tive uma certeza e uma dúvida.
A certeza é que a memória, a minha, seria um longo rio com margens por vezes diluídas.
A dúvida, se seria eu ou não o mar onde a memória iria desaguar. E, então, afirmava que  mais gostaria que a memória desaguasse em quem, na altura, me lia. Chamei então à memória testemunho.
Não alterei muito o que então pensava, apenas reforcei a convicção de que a memória colectiva é um rio de caudal exíguo, tão estreito e magro, raro...
Quanto à minha memória, quando ela se tornar assim, exígua, magra, rara... desliguem-me a máquina.
Para quê tal existência?
Dêem-me um novelo de memória e eu me agarrarei à vida