02 junho, 2017

Diário de um eleito - 17 (Um dia intenso, sem perder um minuto para mudar o Mundo)

 

7h10 -  O acordar foi sentir-se como Camões, no naufrágio, salvando Os Lusíadas. Saía do sonho não sabendo se a tempo de salvar o portátil de uma lavagem, sob imersão. Não se lembra se, no pesadelo, teria usado... sabão...

9h30 - Começou a dar à sala a implantação de uma aula. Depois resolveu alterar e dispor as pesadas mesas em U. Arrojou cadeiras. Montou o projector (e estava seguro de que funcionaria pois tinha-o ensaiado). Estendeu as "extensões". Sincronizou o seu portátil com o wi-fi (e estava seguro que funcionaria pois já a tinha testado). Desfez a embalagem do que seria o ecrã. Só que, inesperadamente, não era o que era suposto que fosse. Para o montar era necessária obra, buchas, camarões, berbequim... e nada disso havia ali... nem isso nem tempo.

10h10 - Chegou ajuda que não pode ajudar muito. Apontava o projetor à pouca parede. "Mais ali" aconselhava a ajuda. E foi ali mesmo que ficou. Entretanto começaram a chegar. Pontuais, como lhes fora recomendado...

11h50 - Deu a sessão por terminada. A Alice, a Micá, a Adelaide, o Daniel, de idades entre os sessenta o muitos e os oitenta e poucos, pareciam agradados. A Maria, mais nova e que tinha há pouco acabado de vencer a iliteracia, afirmou com ar sentencioso: "devagar que temos pressa". Cabo-verdiana de origem, conhece o ritmo certo para fazer as coisas acontecerem.
Ele achava que tinha sido pouco, a "turma" terá achado que foi muito...

12h25 - Encontro combinado na Estação de Serviço da A5. Parou o carro junto ao do outro. Abertos os porta-bagagens procederam à operação de trasladar documentos, dos flyers, do roll-out. "Contactaste o pessoal do Porto? Era importante que dessem um salto a Esposende... 

14h15 - A mulher acorda-o. 20 minutos foi mais que suficiente, para recuperar...

15h30 - Chegara pontualmente, uma hora antes, e tinha tido tempo de dar a última afinação para o que iria dizer cumprindo o tempo que lhe fora concedido. Entretanto a vereadora ia falando da noticia que, a juntar à noticia passada, Oeiras iria ficar como ninguém esperaria que ficasse. De seguida, foi-lhe dada a palavra. Disse o que era formalmente necessário ser dito e acrescentou não valer a pena fixar objetivos se estes depois não forem medidos pelos resultados e impactos. E depois tirou a conclusão: "...embora o Modelo de Observatório da Saúde do Município tenha ainda de contemplar alguns indicadores, esta é uma boa base de trabalho para avaliar se o que estamos fazendo é exatamente o que é necessário que os serviços façam..." Seguiram-se outras intervenções, mas teve que sair...

17h20 - Foi entregar os documentos, flyers e o roll-out, para seguirem para o norte...

23h30 -  Depois de ter escrito uma série de coisas, acabou de escrever... isto que acaba de ler.