26 novembro, 2017

No Porto, fui um dos LyS.O.S



Há mil maneiras de a memória vir ter connosco. Até pelo correio. Já há "séculos" atrás tinha acontecido o mesmo, uma carta com um flyer a convidar-me. Depois de um largo interregno outra carta-convite. Não compareci. Como tantas vezes, fui um não-ausente... ao fim ao cabo tinham-se passado 40 anos e temia a confirmação de que ninguém encontra nos jovens de hoje a juventude passada...

Estava eu a rememorar tempos idos, serões de tertúlia de poemas e música, de inacabáveis e acaloradas discussões... estava eu a tentar relembrar rostos e despertares para a tomada de consciência cívica... estava eu na prazenteira  recordação dos silêncios feitos à volta de quem falava, de como era tolerante a aceitação de opiniões diversas, de como o "eu" não se sobrepunha ao "outro"... estava eu a tentar lembrar-me da tarefa que me estava distribuída... estava eu nisso, quando, num curto intervalo de tempo, a Teresa (Ematejoca) e logo a seguir a Janita me vieram falar do Porto. 

Respondi a ambas da mesma forma, assim, embora agora com um ou outro detalhe:
Quando, em 1974, iniciei um projecto em S. Pedro de Fins (arranque da Siderurgia da Maia) fiquei a viver no Porto. Ficava em pensões, hotéis e quartos alugados... até que fui acolhido (1977) por um dos Ly.SOS...  onde fiquei a viver uns meses na "Real República" (com deslocações aos fins-de-semana a casa). Por volta do inicio dos anos 80, outros projetos pelos arredores do Porto...
Acho que não deu para terem percebido a importância de ter sido, há 40 anos atrás, um Lyso;