24 setembro, 2018

Serralves, Mapplethorpe, eu e o meu neto

 

Não fico alheio à polémica. Serralves abafou todo o noticiário e até me tolheu, a mim, intenção de falar sobre coisas necessárias. Não vou a Serralves certo que Serralves não virá a mim e procuro no google não a discórdia mas o pomo dela: a obra.

Retiro a foto acima. Não é erotismo, ninguém está despido e não é sexo explicito. Imagino visitar a exposição com o meu neto, puto vivo... e ele pergunta (está na idade das perguntas), "Vô, o que é isto?" Hesito na resposta, pois desconcerta-me até explicar a um adulto os comportamentos perversos. Ia tentar e desisto. Ajudou-me o olhar firme do jovem acorrentado, e menti, dizendo à criança não saber. 

Claro que a minha abordagem é imaginativa. Eu nunca lá iria, Primeiro porque a entrada é cara, depois porque Mapplethorpe, na verdade, não me diz(ia) nada...

Outra coisa, será que a curadora Isabelle, lá na Galerie Thaddaeus Ropac também faz censura? É incompleta a mostra? Ou seguiu o mesmo critério de Serralves, não mostrando toda a obra?


23 setembro, 2018

Meu pai, taxista, também lá estaria


Já lá vai tempo, a propósito de uma bela frase de Sophia, contava eu que «Poucos anos depois de minha mãe ter deixado de ser uma das meninas da "loja nova" de Ermidas/Sado e de meu pai ter desistido de ser o rapaz da camioneta verde, que era fretado para tudo o que era transporte de carga, eu nascia e de pronto vínhamos para Lisboa, à procura de nosso destino. E porque o destino foi uma eterna procura dentro dos limites que o poder de então detinha, fomos andando de casa em casa e meu pai de emprego em emprego. Foram anos que não sei contar a não ser pelo que minha mãe cantava. Era de Amália o seu lamento. Se eu gostava? Pode-se lá gostar desse viver, desse cantar... »

Hoje acrescento, que naqueles tempos a vida, não sendo pera-doce, era uma vida onde a tristeza ficava à porta de entrada e cada um, na família, vivia sem conflitos de consciência e de bem com ela e com os outros.

A foto acima, retrata meu pai, taxista em praça fixa mas que ia cirandado pelas ruas todas de Lisboa, é de 1952. Tem um ar prazenteiro, junto ao seu "matateu", que em boa verdade era um carro há pouco adquirido a alguém que saíra do negocio e adquirido em sociedade com um meu tio. Meio por meio o valor do carro e da respectiva licença.

21 setembro, 2018

O Escritor Possui Deveres?

«(...) não é meu objetivo desqualificar o texto puramente voltado a entreter, o plano é demonstrar a capacidade da literatura como arte que transcenda este aspecto superficial envolvida na atividade. Veja Mia Couto, por exemplo: branco, formado, descendente de portugueses, soube não apenas se apropriar da ficção como algo seu (em termos estilísticos), mas captar a alma do povo e da terra de Moçambique, onde cresceu, sendo não apenas um porta voz de seus sentimentos, ele atua em causas próprias do lugar (entre elas a preservação de animais nativos), usando muito de seu conhecimento e prestígio para tal. Assim, o moçambicano não apenas enxerga o mundo pelos olhos sensíveis do artista, valoriza as riquezas de sua terra, e luta contra as mazelas que a atormentam.

Ainda dentro desse viés, temos José Saramago, conhecido atuante de causas fortes e necessárias, dentro e fora da literatura. Segundo Ronaldo Lima Lins, em seu artigo Que Medo nos Contamina “Saramago, que ocupava como intelectual um lugar deixado por Sartre, aproveitando o Prémio Nobel para virar uma figura política além de seus romances, sentia as limitações da literatura dentre seus contemporâneos. Valia-se independentemente do fato de o escutarem. Criava espaços de constrangimento, inclusive entre Estados ou povos, o bastante para romper, de algum modo, com o isolamento à que se via relegado".

O relevo concedido pela distinção traz à reboque um renome internacional. É como um estadista de uma grande nação, neste caso a da literatura, cujos movimentos chamam à atenção. A época e a tradição de suas instituições permitem isso, diferentemente do que acontecia no século XIX, quando o importante, o que pesava, para lá da individualidade selecionada pelo sucesso, era o tipo de atividades que a constituía. Ou seja, o escritor português usou muito de sua influência enquanto artista para lutar por causas que lhe eram relevantes além da ficção, e dentro dela, cultivando em sua produção um debate subtil, delicado e profundo, sobre questões polémicas, mas enraizadas na população de sua época. Portanto, Saramago, quer nos discursos, quer no plano das narrativas, nos quais exerceu, enquanto lhe foi possível, a tarefa de construtor de teses, entre histórias que, de certo modo, metaforicamente, retomavam dados da realidade.
Deste texto, que na fonte é bem mais extenso, ocorrem-me palavras de Saramago: "O cidadão que o escritor é não pode ocultar-se por trás da obra. Ela, mesmo importante, não pode servir de esconderijo para dar ao autor uma espécie de boa consciência graças à qual ele poderia dizer que está ocupado e não tem tempo para intervir na vida do país."
 

Mas Saramago foi agora mais longe, soube-o (só) hoje. Vai ter tempo para intervir na ordem do mundo, no lugar próprio, na ONU.
Do que se trata? De uma carta inspirada no seu discurso de 1998:
CARTA UNIVERSAL DOS DIREITOS
E OBRIGAÇÕES DOS SERES HUMANOS
(ler aqui)



20 setembro, 2018

A UBER e a futurologia...


O ponto-de-situação dado reza que
«Os representantes do setor do táxi estiveram esta quarta-feira reunidos com os grupos parlamentares de PS, PCP, Bloco de Esquerda, CDS-PP e Os Verdes. Os socialistas defendem que a lei deve entrar em vigor a 1 de novembro e avançam que não vão pedir a fiscalização sucessiva do diploma. Já o PCP afirma que vai propor a revogação da lei que regula as plataformas eletrónicas de transporte. Por seu lado, o Bloco de Esquerda anuncia proposta de revogação da "lei Uber" O CDS está disponível para “atualizar e rever a lei” e dá razão a muitas das exigências dos taxistas. O PEV avança que não vai apresentar um pedido de fiscalização do diploma mas admite viabilizar.»
 O PS acrescenta que «os eleitos não podem fazer "futurologia sobre quais são as consequências efetivas no mercado que esta lei vai provocar".»

Ah, não podem fazer futurologia? Ficamos a saber que o PS não pode fazer futurologia. Nem precisa. Bastaria fazer a avaliação de risco olhando para o que se passa à volta inventariando quais são "Os perigos da uberização". Sobre isso, apenas um cheirinho (e um alerta):
«Muitas pessoas bem-intencionadas sofrem de uma fé equivocada nas habilidades intrínsecas da Internet de promover comunidades igualitárias e confiança e, assim, inadvertidamente ajudaram e incitaram essa acumulação de fortuna privada e a construção de novas formas exploradoras de emprego (...)
Daqui a vinte ou trinta anos, quando provavelmente enfrentaremos o fim das profissões e mais empregos serão “uberizados”, podemos muito bem acordar e imaginar por que não protestamos contra essas mudanças com mais força. Apesar de toda a conveniência da “economia do compartilhamento”, deliciosa e caseira, podemos acabar compartilhando as sobras e não a economia. Podemos sentir remorso por não termos buscado alternativas antes. Sem dúvida, não podemos mudar o que não entendemos. Portanto, vale perguntar: o que significa “economia do compartilhamento”?

A economia do compartilhamento indica uma força global e maciça em favor de “construtores de pontes digitais” que se inserem entre as pessoas que oferecem serviços e as que buscam tais serviços, imbricando assim processos extrativos em interações sociais. A economia sob demanda indica que o trabalho digital não é um fenómeno de nicho. A Upwork (anteriormente conhecida como oDesk and Elance) afirma ter em torno de 10 milhões de trabalhadores. A Crowdwork tem 8 milhões. A CrowdFlower, 5 milhões. Em 2015, 160 mil motoristas estavam nas ruas pelo Uber – se você confiar em seus números. O Lyft reporta 50 mil motoristas. O TaskRabbit afirma que possui 30 mil trabalhadores.

Na Alemanha, sindicatos como ‘ver.di’ concentram seus esforços em defender os direitos dos empregados, enquanto, nos Estados Unidos, vejo pouca chance de retorno às 40 horas por semana nos setores do trabalho autónomo ou temporário. A questão, portanto, é como melhorar as condições da enorme parte da força de trabalho que não tem um emprego tradicional.»
extratos do artigo "Os perigos da uberização"

19 setembro, 2018

Sobre o Brasil, a Globo e o candidato de Lula

«Com Lula, parafraseando Chico Buarque, construímos um país onde um operário brasileiro não falava grosso com um indígena boliviano e se relacionava de igual para igual com as grandes potências. No Brasil do golpe, falamos grosso com a Venezuela enquanto lambemos as botas dos Estados Unidos. Além de não se coadunar com a identidade das classes populares em relação aos nossos vizinhos, a diplomacia brasileira representa um crime contra larga tradição diplomática do país.»
ler tudo em O Lado Oculto 

O texto acima, extrato de um artigo que olha para 500 anos da História do Brasil, enquadra o que hoje se passa e onde golpe continua. Depois de afastados Dilma e Lula, passa (toda) a pressão a ser exercida sobre o candidato Fernando Haddad, candidato do PT. A estratégia golpista assentou e assenta na imprensa, por culpa dos governos de Dilma e Lula. A este respeito Noam Chomsky afirmaria "Nos Estados Unidos, por exemplo, mesmo onde a imprensa é dos ricos, jamais ocorreria essa possibilidade de haver uma imprensa universal e uniformemente contra!"

Eficaz a máquina golpista, com destaque para a Rede Globo, onde vale tudo.

Exemplo? Todos os cinco principais candidatos foram entrevistados  no seu Jornal Nacional. No youtube pode rever todos, menos Haddad.


Antes do acto censório a entrevista aconteceu, e passar no Jornal Nacional não foi uma cedência. Os entrevistadores, em 33 minutos de entrevista, interromperam o entrevistado mais de 60 vezes e a toada fez lembrar os tribunais de inquisição, como é evidente nas imagens de um outro canal que a Globo não pode censurar nem retirar do youtube.

Noutro canal, o do meu patrono, Haddad avança e coloca a questão que nem Dilma nem Lula alguma vez ousaram... 

15 setembro, 2018

ALA, o génio


António Lobo Antunes passou a figurar na Biblioteca La Pléiade. A notícia veio acompanhada de entrevista. Registo, dela (como já antes fizera), o esforço da câmara que agarra o grande plano do seu rosto, vendendo dele a sinceridade do olhar e das rugas. Não tenho dúvidas, à força de tanto encenar, o rosto tornou-se um personagem de encenação. A arrogância não é ostensiva e é servida adocicada, perante a câmara, rendida. Em tempos recordei palavras suas dizendo ele que no mundo, haveria apenas cinco grandes escritores" e deixava no ar,  com charme insinuante,  que seu nome poderia muito bem ser um deles. Quanto a prémios literários? Desdenhava-os e afirmava te-los quase todos. Sobre o Nobel, dizia, só é diferente dos outros, porque é maior.
Na entrevista, agora, afirma que há coisa ainda maior que o Nóbel. E foi-lhe atribuído. Curioso destino juntar o seu génio àquele outro por ele antes tão desqualificado: 
«O livro do não sei o quê [Livro do Desassossego] aborrece-me até à morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor.»

14 setembro, 2018

O LADO OCULTO. Lendo textos, que recomendo

GUERRAS, MENTIRA E DESPREZO PELAS PESSOAS

A edição Nº2 de O Lado Oculto está online e conduz-nos por  viagens dramáticas demonstrativas das ligações entre guerras, as mentiras que estão por detrás ou as provocam. Um roteiro trágico mas que pode ser muito pedagógico. Por exemplo, no Níger e países vizinhos do Sahel o que fazem tropas norte-americanas, francesas, italianas, e alemãs? Combatem o terrorismo, diz-se. Será? Aprofunda-se a situação e deparamos com uma guerra colonial de nova geração. Tal  como na Síria, onde a mentira está na ordem do dia, como demonstram os segredos que revelamos sobre a encenação de um falso ataque químico para acusar o governo de Damasco e originar uma nova agressão norte-americana. E se de mentira se fala, o que dizer das que envolveram a guerra para destruir a Jugoslávia, hoje revisitada a propósito de pontes e pessoas.

Voltamos a África, agora com um exemplo diferente de cooperação, para observar como a China e a totalidade dos países do continente - menos um - criam condições para promover desenvolvimento humano sem recurso às "ajudas" do FMI e do Banco Mundial.

O Brasil continua na ordem do dia. Da mesma maneira que a Suécia, onde as eleições gerais comprovaram a incompatibilidade entre Estado social e neoliberalismo. Na Holanda constatamos como a vida privada dos cidadãos está à mercê da devassa praticada pelas grandes agências de espionagem. E revelamos o estranho mundo da Fundação Interpol, onde se cruzam interesses e entidades mais próximos da criminalidade do que de comportamentos recomendáveis.
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13 setembro, 2018

O meu regresso de férias e... as pedras


"Eu grito para um animal, ele foge. 
Eu grito para uma planta, ela não foge, 
mas talvez sinta algo, (...)
E eu grito para uma pedra e nada: 
nem foge nem sente coisa alguma." 
Gonçalo M. Tavares

As pedras andam tristes, 
mas pouco se mexem
Não é verdade
Não é verdade, que na hierarquia dos elementos
não haja momentos
em que a pirâmide não se inverta
e se movimente
aquilo que aparentemente
não se movimenta
e não sinta
o que qualquer outro ser sente

As citadas pedras, são o caso
Conheço as que se vão deixando estar
deixando estar, sem mudar de lugar
mas vão mudando
mudando lentamente
mudando seu estado
de pedra bruta a "calhau rolado"
e rolam, rolam, rolam
ao sabor das ondas e de cada maré
e falam, parecem dizer, "É triste, não é?"
As pedras estão convencidas que é seu destino

Só numa coisa o Gonçalo tem razão
"tudo o que é divertido...
... tem dois lados sérios"
e
"tudo que é sério...
... tem dois lados divertidos"
Precisamos de dizer isso às pedras
Rogério Pereira
AVISO AOS INCAUTOS: Este arremedo de poema (reeditado) nada tem a ver com a entrevista que o Gonçalo M. Tavares deu em 2012

12 setembro, 2018

«O GOLPE ESCRAVIZA O BRASIL E MATA MAIS QUE UMA GUERRA »

Zillah Branco, especial para O Lado Oculto


Lula tornou-se o símbolo de um processo que mostrou ao povo brasileiro ser possível libertar-se das imposições das potências hegemónicas, assumir um papel positivo no cenário internacional e iniciar uma série de transformações sociais que enfrentariam séculos de exclusão e miséria. A Bolsa Família lançada pelo seu governo é um programa divulgado pela ONU e adoptado nos países onde a miséria mata mais que as guerras.
«Ao analisarmos o legado de Lula, de 2003 a 2016, até que Temer abriu as portas do Brasil à destruição avassaladora, vemos que os prejuízos económicos (com a quebra das iniciativas de produção e emprego e o congelamento por 20 anos dos orçamentos para o sector social), financeiros (com o confisco, pelos bancos, das casas de habitação financiadas a crédito aos trabalhadores agora desempregados e a venda das empresas nacionais), do desenvolvimento cultural (com o corte nos orçamentos das universidades e das bolsas de estudo nos vários níveis do ensino, e das instituições públicas culturais), do desenvolvimento da estrutura de produção do Estado (com a desagregação para privatização da construção naval, da Embraer, da Petrobrás, e de mais de 7 mil empresas públicas), da atenção à saúde, da quebra da Bolsa Família e das múltiplas iniciativas para fomentar a pequena empresa ou cooperativa de produção, o corte de subsídios e reformas por invalidez, com a destruição não só do sistema judiciário que promovia a inclusão de milhões de brasileiros nos benefícios da cidadania mas da própria justiça social que era a base do desenvolvimento humano do povo brasileiro, vemos que o aumento da mortalidade infantil e materna, de jovens abandonados aos bandos criminosos, de famílias deixadas à fome, de suicídios e doenças mentais, de enfermos sem tratamentos, tende a ser maior do que em guerras e prolongam-se por anos afora, reduzindo um país potencialmente rico a escombros. As estatísticas registaram 63 mil homicídios por ano.

Devastação como numa guerra
O crime cometido pelos golpistas ultrapassa em muito o de agressores armados que invadem um território. É hediondo.
A ONU dá o testemunho de que o Brasil conseguira, com o combate à miséria, retirar 42 milhões de pessoas da fome, mas que depois do golpe, em 2018, já perdeu esta conquista. A queda da mortalidade infantil para a taxa de 14,1 óbitos por mil nascidos e a redução em 25% dos óbitos maternos em relação a 2001, que aproximou o Brasil das condições de países desenvolvidos, desvaneceu-se no meio das múltiplas catástrofes económicas e sociais.
O desemprego, que entre 2003 e 2004 desceu de 12% para 4,5%, acompanhado de melhor distribuição de rendimentos com o aumento do salário mínimo em 71,5%, produziram o aumento de consumo dos bens essenciais que animou a indústria e a comercialização de produtos básicos e de alimentos.(...)»
Pode continuar a ler este texto em "O LADO OCULTO". Escolhi-o por razões de proximidade afectiva e porque no Brasil se joga mais que o destino do povo irmão. A sua escolha pode ser esta ou outra, das tantas que pode ler.
De seguida dou conta da mensagem que recebi do Conselho Redactorial, como assinante do 


Não me perdoo, perdi a conversa com Mia Couto...


Não me perdoo perder essa conversa entre Zeferino Coelho e Mia Couto. Mas... pensando bem no que foi a Festa era mesmo impossível estar em todo lado. Vendo uma espécie de balanço fotográfico... (fotos de Egídio Santos) teria de ter perdido outra coisa e não me teria perdoado a essa não ter ido.

Se lá foste, conta-me um pouco do que terá dito Mia Couto...

Imperdoável, imperdoável, a ausência da imprensa!

10 setembro, 2018

Festa do AVANTE - A minha estatística


Há estatísticas que gostava de poder agora dispor, mas, não as podendo dar, imaginem. Imaginem o número de militantes e amigos envolvidos a montar a Festa. Imaginem os milhares de quilómetros de tubos de ferro erguidos e os milhares de abraçadeiras a ligá-los. Imaginem os milhares de metros quadrados de tábuas, placas e painéis pintados. Imaginem o número de militantes a planear a Festa, a divulgarem-na, a assegurarem o seu funcionamento. Imaginem o número de EP vendidas. Imaginem o número de operações multibanco, nas muitas "caixas" disponibilizadas no espaço. Imaginem os milhões de sorrisos trocados... Imaginem tudo o resto, que agora me ocorrendo, me dispenso. 

Há estatísticas apuradas directamente por mim. E dessas dou conta:
 

06 setembro, 2018

Finalmente aderi, de corpo e alma, ao “feissebuque” !


Actualmente, estou a tentar fazer amigos fora do Facebook, mas usando os mesmos princípios.

Todos os dias saio à rua e durante alguns metros acompanho as pessoas que passam e explico-lhes o que comi, como me sinto, o que fiz ontem, o que vou fazer mais tarde, o que vou comer esta noite e mais coisas.

Entrego-lhes fotos da minha mulher, dos meus filhos, do meu cão, minhas no jardim, na piscina, e fotos do que fizemos no fim de semana.

Também caminho atrás das pessoas, a curta distância, ouço as suas conversas e depois aproximo-me e digo-lhes que “gosto” do que ouvi, peço-lhes que a partir de agora sejamos amigos e também faço algum comentário sobre o que ouvi.

Mais tarde, partilho tudo quando falo com outras pessoas.

E funciona…! Já tenho 3 pessoas que me seguem…

São dois polícias e um psiquiatra.
_____________
Chegou-me este texto via e-mail
e, curiosamente é, ele também, faissebuquiano
tal como eu, vai lá de quando em vez
e muitas delas por engano

03 setembro, 2018

Não se passa nada... mas, afinal, muita coisa se passa...


Quando nos afastamos, claro que o mundo não pára. Basta passar em revista, notícia a notícia, as páginas publicadas no espaço representado por aquele rectangulozinho no canto superior da imagem, aqui indo por este caminho.

Logo abaixo desse "outro lado das notícias", outra novidade traduzida por uma capicua
 710017
Que sorte. Que sorte ter tantos amigos...

31 agosto, 2018

Não, não se passa nada... só estou a fazer a mala

Um estudo da "Lusa" dizia em Julho:
"Férias dos portugueses são na praia e custam cerca de 700 euros" 
Enquanto outro estudo não chega, parto. Uma semanita p´ra ficar dentro do gasto. É que, depois das jornadas na Atalaia, fica bem um pouco de praia e depois volto, para entrar ao serviço...

Para onde vou? Já aqui disse:
"A praia onde minha primeira filha disse a primeira palavra, a segunda teve a primeira doença e a terceira fez como a primeira. A praia onde os meus quatro netos, com diferenças de quinze anos, foram por lá passando. Ano a ano, fazendo crescer os talheres na mesa, diferentemente posta num qualquer quintal, debaixo de tantas árvores conhecidas, mas sempre diferentes..." 
E o que mais gosto nessa praia? Das pedras. 


29 agosto, 2018

Brincando, brincando... até quando?


O cartoon descobri-o agora que ele foi embora. Foi mas volta. Descobri-o num sítio que frequento e que recomendo. O bem apanhado boneco mostra dois garotos brincando.
E a pergunta é: até quando?

A próxima etapa da brincadeira irá ter data marcada, como de seguida se dá conta:
«A conferência de líderes deverá reunir na próxima semana com o objectivo de discutir um requerimento do CDS-PP que pretende antecipar a reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República.

O partido de Cristas quer debater a situação da ferrovia e surfar na crista da onda do descontentamento contra o funcionamento da CP, uma empresa pública que anda nas bocas do mundo pelos piores motivos: o mau serviço serviço prestado que, perigosamente, tende a tornar-se uma imagem de marca. Por outro lado, o CDS-PP procura também tirar partido das dificuldades de vária ordem que assolam o PSD.

Voltando à CP, nomeadamente aos cortes nos horários dos comboios e ao encerramento de estações e bilheteiras, importa sublinhar que, só nos últimos 30 anos, e estamos a falar de 30 mas podíamos falar dos últimos 40, a responsabilidade da gestão desta empresa pública esteve entregue, em 80% daquele período a gestores do PSD, PS e CDS-PP e, desses, 60% são da responsabilidade dos partidos da direita.

É público que a despesa operacional da CP está em queda desde 2009, em resultado sobretudo das medidas impostas pelo segundo governo de José Sócrates e pelo governo do PSD e do CDS-PP que se lhe seguiu.
Aliás, as comissões de trabalhadores das várias empresas do sector ainda recentemente denunciaram, num documento enviado à Assembleia da Republica, o crónico desinvestimento na ferrovia e a consequente degradação da capacidade de manutenção e reparação e da própria infra-estrutura.

No caso do material circulante, dão como exemplo o facto de as composições da Linha de Cascais terem 60 anos sem que estejam a ser feitas as necessárias diligências para a sua substituição.
Pena que esta súbita preocupação com a ferrovia que atormenta o CDS-PP não se tenha dado no início da década quando Assunção Cristas e Adolfo Mesquita Nunes estavam no governo e o seu correligionário, Manuel Queiró, era presidente da CP.

Porventura, teriam contribuído para evitar o descarrilamento da empresa, coisa que não fizeram!»

28 agosto, 2018

"Quinta das Palmeiras" ou a ironia de manter o nome II


Em tempos, escreveu a Maria João um poema sobre o(s) anacronismo(s). Eu citei-o no meu espaço e falei do bicho devastador  em resposta ao comentário da Olívia .
Dizia ela, a Olívia: Ficou bem pior sem as palmeiras. A doença do escaravelho ou a incúria das autarquias? Ou uma coisa e outra... 
Resposta minha: Em Oeiras, Olívia, há centenas de cientistas Por cá, a menos de 500 metros o Instituto Gulbenkian de Ciência, o Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB)e o INIAVE, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, se apostassem nisto, "era uma palhinha"... Adeus escaravelho resistente... Adeus Rhynchophorus ferrugineus... Adeus Picudo Rojo... Assim, adeus Palmeiras.
 Depois de anteriores lamentos (ou poéticos protestos)... 

DUAS DÉCIMAS ÀS MINHAS/NOSSAS PALMEIRAS
Copas viçosas, erguidas
Quais cascatas verdejantes,
São hoje tristes gigantes,
Sem copas, palmas caídas,
Agonizando despidas,
Meros troncos vacilantes
Lembrando os tempos distantes
Em que, abrigando outras vidas,
Alegravam avenidas
Dando sombra aos caminhantes.


E, afinal... havendo cura,
Não sendo um caso perdido,
Porque haverão decidido
Dar-lhes sentença tão dura?
Sua morte prematura,
Será crime a ser punido,
Pois não faz qualquer sentido,
Nem vai trazer-nos fartura
E que imensa desventura
Ver-se um bairro assim... despido!


Maria João Brito de Sousa – 20.12.2014
a Poeta voltou ontem à carga com outro veemente lamento (ou poético protesto)
AS QUATRO TORRES DA ALAMEDA

Adeus, minha alameda sem palmeiras
Onde tanto edifício vi nascer...
Adeus, adeus, que o tempo é de beber
As ondas do meu Tejo sem fronteiras.

Assombrando o meu prédio, sobranceiras,
Erguem-se quatro torres. Que fazer
Se desde a prima-pedra as vi crescer
Até se me tornarem companheiras?

Adeus, pedras pisadas, repisadas,
E mais que desgastadas por meus pés.
Agora estais-me vós a ser pesadas,

Porque já vos não piso e estou rés-vés
Com a terra onde fostes calcetadas
Em chão roubado à concha das marés.

Maria João Brito de Sousa -17.07.2018

26 agosto, 2018

AVANTE!

Para quem pensa que a FESTA cai do céu...

«Mas isto não é fácil!», isto dito em pouco mais de um minuto.
Aqui pode assistir a tudo...

25 agosto, 2018

Junte "O Lado Oculto" à sua leitura obrigatória

http://oladooculto.com é o endereço do novo semanário digital de informação internacional que irá dar informação que mais ninguém dá. Será (já é) um “Antídoto para a propaganda global”

É mesmo isso que um colectivo de jornalistas seniores de muitas nacionalidades fará: trazer-vos, uma informação alternativa à desinformação dominante.  Já lá está online o Número 0

Nessa edição experimental estão igualmente disponíveis as informações para proceder à assinatura.

A partir de agora “O Lado Oculto” está nas nossas mãos!

23 agosto, 2018

No Panteão? O Zeca? Nem na FESTA!

José Afonso, Festa do Avante 12/7/1980
«O nosso José Afonso foi sempre um Homem livre.
No panteão não seria.
Haja respeito pela sua vontade. Divulgue-se a sua obra.»
MAR ARÁVEL, aqui
Ao meu querido camarada respondi de forma precipitada que agora corrijo, assim: 
Zeca nem na Festa terá o seu  panteão!
O mesmo não direi da sua obra. Na FESTA, onde ele sempre foi um não-ausente, será mais uma vez lembrado na sua liberdade com a dignidade com que se celebra a obra de um homem inteiro. 
Será na sexta-feira, sê-lo-á no sábado e no domingo, um pouco por todo o lado!

Meu Sangue Mouro, Meu Coração Luso e Minha Alma Celta, gostam desta

Sábado, 8

21 agosto, 2018

Centeno, a verdadeira alface do Lidl


Centeno, como presidente do Eurogrupo, diz que a Grécia chegou à normalidade, num seu (nada) surpreendente discurso.
Como Ministro das Finanças de Portugal, país que antes da Grécia chegou  àquela mesma normalidade, terá feito o que pode para atrair investimento alemão. Não sabemos se teve papel relevante a traçar o retrato das "vantagens competitivas", se terá falado da permissividade quanto a se poder atropelar os Planos Directores Municipais para os devidos licenciamentos, se terá dissertado sobre a prática encapotada de uso de trabalho precário, sobre a recém-aprovada lei do trabalho...

Uma coisa é certa, vem aí, em força, o Lidl...
E o pequeno comércio que se lixe...

20 agosto, 2018

Explicação para a fiabilidade de uma relacção

Cinquenta e dois? Ah, pois!

«...faço profundas reflexões em torno das atracções entre almas. Nos meus laboratórios das almas e da física tenho pesquisado e encontrado o mesmo tipo de resultado: Almas de sinal diferente é que se atraem. Um, sem muito procurar, encontra no outro coisas de espantar. A surpresa e o pequeno segredo revelado são de mútuo agrado. O que uma alma não faz, faz a outra e vice-versa. Completam-se. A atracção é permanente e a relação duradoira, pela vida fora. Discutem, discutem, discutem. Quase sempre não há acordo mas aceitam-se um ao outro (respeitam-se, sendo o respeito uma regra básica e exterior à própria física das almas)»
Escrito em Abril de 2011 e repetido, não há muito, neste espaço

19 agosto, 2018

AVANTE, e a influência da FESTA


Alice quer saber quando actua o Sérgio Godinho e de pronto fico eu comprometido. A foto é minha e, por estar ali, de pronto assumo. Percorro a Atalaia e impressiona a jornada. Alheios ao calor abrasador ou sob a sombra amiga, centenas de militantes desdobram-se em mil e uma tarefas. 

Há pouco, após cumprido o assumido, passo em revista o portal da FESTA e mais demoradamente o "Programa" e não deixo de pensar no tanto que o Partido contribuiu para influenciar o panorama cultural do País e de como, a partir da primeira edição em 1976, começaram a proliferar os Festivais de Verão... 

Só para citar alguns: o Rock in Rio foi o primeiro a arrancar, em 1985. Veio depois o Super Bock Super Rock, realizado desde 1995. Dois anos depois, em 1997, nasceu o Festival da Zambujeira do Mar. O Noz Alive, apareceu, então com outro nome, em 2007. Não foi em 2013 que O Sol da Caparica deu pela primeira vez à costa, como aqui se diz, foi um ano depois, como aqui se prova… 
(texto actualizado dia 20, às 16h00)