08 maio, 2018

«À Justiça o que é da Justiça, à política o que é da política»


Em Fevereiro de 2010, o então ministro da Justiça, Alberto Martins recusou comentar a publicação de novas escutas relativas ao processo Face Oculta disse, em declarações aos jornalistas «À Justiça o que é da Justiça, à política o que é da política». O lema, como enunciado da separação dos poderes, manteve-se intacto até aos dias de hoje. Há poucos dias António Costa repetiu-o a propósito da posição do PS face à saída de José Sócrates, 
"fico surpreendido, porque não há qualquer tipo de mudança da posição da direcção do PS sobre aquilo que escrupulosamente temos dito desde o início: Separação entre aquilo que é da justiça e aquilo que é da política".

Em oito anos, o PS manteve a coerência mas limitou-se ao enunciado do principio e deixou resvalar os acontecimentos e as situações a um ponto que até envergonham (dizem) os seus dirigentes. PS esqueceu a dimensão moral e ética de quem exerce poderes e esqueceu também o que caracteriza o regime capitalista. Já não recomendo que adote, nos estatutos do partido, um artigo que determine que "No desempenho dos cargos para que foram eleitos, os membros do Partido não devem ser beneficiados nem prejudicados financeiramente por tal facto", mas que pelo menos leia Lukács e Marx
«A filosofia burguesa isola a ética do conjunto da práxis humana, o
que provoca, por exemplo, uma falsa oposição entre moralidade e legalidade (...) ou, se reconhece suas vinculações, insere-a num niilismo relativista, limitando a ética à interioridade da decisão individual abstrata e criando um aparente dilema entre a ética interior e exterior (do sentimento e da obediência)»
Lukács, in "Ontologia do Ser Social.

«Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites.»
Karl Marx, in "Salário, Preço e Lucro"