25 junho, 2018

Antes manipulava-se a realidade, hoje a realidade é escondida, o que vai dar no mesmo.

As contas públicas portuguesas evoluíram de forma positiva em 2017. O défice orçamental, sem ter em conta o valor da injecção de capital do Estado na Caixa Geral de Depósitos, foi o mais reduzido da histórica democrática portuguesa, ao atingir os 0,92% do PIB.

No que diz respeito à dívida pública, a evolução também foi positiva, já que o valor do peso no PIB baixou para 125,7%, o que compara com recordes acima de 130% do PIB em anos anteriores.



Ultimamente tem acontecido terem sido repetidas, e repetidas, e repetidas, até à exaustão tais estatísticas. Antes manipulava-se a realidade, hoje a realidade é escondida, o que vai dar no mesmo. Em ambas as situações o efeito é o mesmo, passa-se a imagem de que tudo vai bem e até aqueles a que a vida não corre de feição, que vão empobrecendo, ficam com a dúvida de que as coisas estarão muito melhor para os outros todos e só à sua volta é que piora.

Eugénio Rosa desfaz tal ideia:
«Entre 2004 e 2017, o custo hora do trabalho aumentou em Portugal 2,8€ (entre 2015/2 0 17, subiu 40 cêntimos segundo o Eurostat ) , enquanto a média na U.E. foi de 7€ .

Este menor crescimento do custo do trabalho em Portugal determinou que, entre 2004 e 2017, quando se compara o do nosso país com a média da U.E., o custo hora de trabalho em Portugal tenha diminuído de 57,1 % para apenas 52,6 % da média da U.E. Em relação aos países da Zona Euro, diminuiu de 49,1% para 46,5%.

Portanto, a remuneração dos trabalhadores portugueses no lugar de se aproximar da média da U.E. está-se a afastar. Em Portugal a sobre-exploração aumentou. E agravar-se-á ainda mais com o acordo UGT/Patrões/governo , como se provou no nosso estudo anterior .