30 julho, 2018

António Lobo Antunes, o ego e o vómito

 
«Acabei de viver no Rosário uma experiência extremamente desagradável: almoçar na mesa contígua de António Lobo Antunes e ter que ouvir as suas apreciações negativas abrangendo tudo, desde o empregado de mesa até ao traseiro das senhoras...» 
São Banza, não sei se em tom de lamento ou de indignação deixou no facebook esse desabafo, logo seguido de uma tonelada de comentários. Uns porque assim, outros porque assado. Não retirando eu qualquer saldo, resolvi tentar contraria-lhe o escrito e provar-lhe que o homem sempre tem uma ponta por onde se lhe pegue.

Procurei e encontro, na última sua crónica na Visão, um texto formalmente bem esgalhado, onde conta que numa ocasião estava ele em França, para receber uma condecoração do Presidente da República, por não lhe ter agradado um comentário de um alto funcionário pediu  ao Mitterrand para o pôr na rua, coisa que o Ministro da Cultura, Jack Lang, se terá prontamente encarregado. Conta de seguida que quando foi a  Viena, receber o prémio europeu de Literatura se viu, à entrada da Chancelaria, cercado de portugueses a chorarem de emoção porque era a primeira vez que a nossa bandeira estava no mastro da Chancelaria. E como não há duas sem três lá foi falando de quando foi convidado de honra do Festival de Salzburgo..... E remata "Ou etc., não vou começar para aqui com gabarolices."

Abandono aqui aquilo a que o gabarola chama gabarolices e, procurando outro texto, tropeço neste vómito:
«O livro do não sei o quê [Livro do Desassossego] aborrece-me até à morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor.»
Não ó São, o Lobo Antunes não tem ponta por onde se lhe pegue e eu já tinha obrigação de saber isso!