Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não
Manuel Alegre - Praça da Canção/1965
Lindo poema e infelizmente cada vez mais atual.
ResponderEliminarUm abraço amigo Rogério e bom domingo.
Ia colocar Adriano Correia de Oliveira
EliminarMas a voz de Amália
Fez com que soltasse uma lágrima
Abraço desesperado
Gosto muito de Amália, mas neste caso prefiro o Adriano!
ResponderEliminarAbraço
... mas Amália dá cobertura a Adriano...
EliminarAbraço concordante
Li o livro ainda jovem.
ResponderEliminarInfelizmente, existe quem queira fazer regressar esses escuros tempos.
Abraço, boa semana !
Tenho o livro
EliminarTenho o CD do Adriano
Abraço solidário